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A mobilização operária e popular, que encurralou o Congresso para obrigar a meia sanção (aprovação no Congresso) da legalização do aborto, levou a outro debate intimamente vinculado: a separação entre Igreja e Estado, cujo símbolo é um lenço laranja.

Por: PSTU Argentina

Logo após a aprovação na câmara dos deputados, o Papa à frente da Igreja Católica, as Igrejas Evangélicas e os autointitulados Pró Vida, redobraram sua campanha com muita violência.

Não nos surpreende se lembrarmos, por exemplo, os crimes da Inquisição, a cumplicidade com o genocídio e o roubo de bebês durante a ditadura, a intervenção do Papa a favor dos piratas ingleses durante a guerra das Malvinas, o encobrimento do padre Grassi e de pastores e padres abusadores, violadores e pedófilos.

As igrejas são parte dos poderosos do mundo, donas de bens consideráveis (por exemplo, o Papa Francisco controla o multimilionário Estado do Vaticano) e influenciam os atos do governo.

Opuseram-se ao matrimônio civil, à educação laica, ao divórcio vincular, à igualdade de filhos/as nascidos/as fora do matrimônio, à responsabilidade parental compartilhada e mais recentemente à saúde reprodutiva e anticoncepção, à educação sexual integral, à fertilização assistida, ao matrimônio igualitário e à identidade de gêneros.

São suas crenças e os fiéis de cada culto tem o direito a professá-las. Mas tem o direito a impô-las a toda a sociedade? Isso é altamente antidemocrático!

A Igreja Católica e as demais igrejas não devem intrometer-se em assuntos públicos. As religiões não tem porque dizer ao Estado como o conjunto da população deve viver.

Temos que romper com a interdependência Igreja – Estado. Primeiro no aspecto econômico: anular os fundos milionários que o Estado outorga (e que todos pagamos), principalmente à Igreja Católica, em salários, aposentadorias, isenções de impostos, bolsas de estudo, subsídios às escolas e universidades. Poderia  começar já por cortar  o “chorro” (roubo) para a Fundação Conin, que recebe milhões, para que Abel Albino diga disparates anticientíficos como os que falou sobre os preservativos no Senado.

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Se queremos continuar, em melhores condições, a luta pelo aborto legal e pelos direitos femininos, pela escola e pela saúde pública, frear a intromissão religiosa na vida civil, e inclusive para que haja uma real liberdade de cultos, há que se lutar pela separação entre Igreja e Estado, por um Estado Laico.

Tradução: Lilian Enck