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O governo Macri está decidido a aplicar as receitas de ajuste de Trump e do FMI em nosso país. Entre outras medidas estão as impopulares “reformas”, que não passam de ajustes brutais contra os trabalhadores. Apesar da traição de parte das direções sindicais, principalmente da CGT (Confederação Geral do Trabalho), os trabalhadores e o povo saíram às ruas em massa para enfrentar os ataques do governo. Como resposta, Macri e seus aliados estão jogando todo o peso do Estado e das forças repressivas contra os ativistas e militantes que o enfrentam.

Por: PSTU-Argentina

A praça do Congresso foi testemunha da duríssima resistência operária e popular que, na quinta-feira 14 de dezembro, conseguiu que a sessão parlamentar fosse suspensa e, na segunda-feira, voltou a enfrentar a repressão. A repressão brutal da Polícia da Cidade e da Polícia Nacional nesses dois dias resultou em incontáveis feridos, vários gravemente. Companheiros da Frente de Organizaciones en Lucha (FOL), do Partido Obrero (PO) e um operário do Estaleiro Río Santiago, entre outros, perderam um olho, um professor ficou cego, um jovem foi atropelado por uma moto policial, vários aposentados foram atropelados por veículos das forças armadas e foram atingidos por balas de borracha e gás lacrimogêneo. Tudo foi registrado por jornalistas independentes e pelos celulares das pessoas que estavam no local.

Perseguição e criminalização

Longe de divulgar os nomes e iniciar investigações dos policiais e prefeitos responsáveis pelos crimes contra os trabalhadores que se mobilizaram, o governo lançou uma forte campanha midiática de perseguição dos lutadores.

Sebastián Romero, militante do PSTU que, nesses dias, apareceu em todos os meios de comunicação, é operário da General Motors e foi, junto com os seus companheiros, uma das referências da luta contra as demissões e suspensões na fábrica. Na segunda-feira, estava entre os milhares de lutadores populares que sofreram a repressão policial, lutando e usando tudo o que tinha à mão. No seu caso, ele é visto em um vídeo e em várias fotos lançando ao ar um fogo de artifício de venda liberada amarrado a um galho. O governo lançou uma furiosa campanha midiática contra ele, acusando-o de “sedição” e “rebelião”. Hoje, há um pedido de detenção e tentam lhe aplicar penas de vários anos de prisão.

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O caso de Sebastián não é isolado. A repressão e a perseguição dos lutadores e figuras públicas de diferentes setores da oposição é generalizada. Em Jujuy, a polícia reprimiu brutalmente os trabalhadores açucareiros, prendendo-os e também os seus advogados. A mídia transmite diariamente rostos e nomes de ativistas e militantes que, junto com seus companheiros, enfrentaram a repressão no Congresso. Nomeiam militantes de diferentes organizações e delegados sindicais. Até Juan Gravois, dirigente da CTEP (Confederação de Trabalhadores da Economia Popular), hoje é acusado de “sedição”. Isso se soma aos quase 150 presos dos últimos dias, que foram libertados devido à pressão popular.

Assim, o governo tenta responder à mobilização operária e popular com as “porradas” da justiça e com a perseguição policial. Macri tenta dar um golpe instrutivo àqueles que o enfrentam e hoje busca armar um “super processo” para acusar várias organizações e dirigentes de querer interromper a “ordem constitucional e democrática”. Quer dar uma mensagem clara: a “democracia” de Macri e de seus aliados não tolera nenhuma oposição, muito menos uma que ameace derrotar o seu plano de ajuste.

Uma operação política que deve acabar

Para entender a gravidade da operação política e midiática contra Sebastián Romero, hoje negaram a ele e a seu advogado ter acesso ao processo, onde figura o motivo do pedido de prisão, entre outras informações vitais para a causa e a defesa.

Diante desse fato de extrema irregularidade, seu advogado apresentou um pedido de arquivamento do processo, que foi negado, e um novo pedido de apelação à decisão judicial, que ainda espera a resposta se será aceito ou negado novamente.

A acusação e o pedido de prisão determinado pelo Juiz Torres saíram das vísceras do macrismo. A promotora Alejandra Mángano, nomeada por Gils Garbó, é esposa de Juan Rodríguez Ponte, o diretor-executivo da Direção do Setor de Escutas Judiciais da Corte Suprema e filho do prefeito do PRO de General Lavalle, acusado pelo kirchnerismo de perseguição contra Cristina Kirchner e de realizar escutas ilegais.

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Não à perseguição de Sebastián Romero e de todos os lutadores

Na figura de Sebastián Romero e dos demais companheiros identificados na mobilização, na dos trabalhadores açucareiros de Jujuy, não estão perseguindo apenas uma ou outra organização. É um ataque ao direito de cada um de nós de protestar. Milagro Sala está presa há quase dois anos, Facundo Jones Huala há seis meses, e agora eles querem mais.

Por isso, chamamos o conjunto das organizações sindicais, políticas e sociais, as CTAs (Central de Trabalhadores da Argentina), os sindicatos da Corriente Federal de Trabajadores, a UOM (União Operária Metalúrgica), todos os organismos de direitos humanos, todos os partidos da oposição ao governo, a realizar uma grande campanha nacional contra a perseguição de todos os lutadores, pela liberdade dos presos por lutar e pelo fim do ajuste e da repressão.

Em cada bairro e em cada cidade temos que organizar comitês que incluam todos os que tenham acordo em fazer esta campanha para também coordenar e impulsionar ações locais.

Também temos que divulgar internacionalmente o que acontece em nosso país. Já chegaram palavras de solidariedade de centrais sindicais, como a CSP-Conlutas do Brasil, Co.Bas do Estado Espanhol, No Austerity e operários da Alitalia da Itália, SINANINAL e USTRIAL da Colômbia, sindicato La Reina do Chile, entre outras organizações.

Diante do ajuste de Macri e sua política de perseguição e criminalização, impõe-se a necessidade da máxima unidade para enfrentá-lo. Devemos responder aos ataques do governo com um só punho. Não importa de quais organizações sejam os presos ou os perseguidos por lutar. São parte da luta de todo o povo trabalhador e devemos defendê-los conjuntamente.

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Basta de ajuste e repressão!

Não à perseguição de Sebastián Romero e de todos os lutadores!

Liberdade JÁ para todos os presos por lutar!

Tradução: Raquel Polla