COMPARTILHAR

Milhares de trabalhadores em todo o país sentem que a cada dia o ajuste é maior. Somente em junho, as demissões chegaram a 2.700 na indústria (e mais de 20.000 este ano), aumentou o preço dos combustíveis, da comida, dos impostos e do dólar, mas as negociações salariais são miseráveis. E ainda temos que ouvir os ministros do Cambiemos dizerem “que os demitidos montem uma cervejaria artesanal”! Além de nos arrebentarem, arrancam o nosso couro. Enquanto em muitos locais de trabalho há muita raiva porque a CGT não chama a Greve Geral para barrar esses ataques, os dirigentes que se dizem da oposição nos chamam a castigar com o voto. Existe alguma opção para os trabalhadores nas próximas eleições?

Por: PSTU – Argentina

Falsas promessas

Cristina Kirchner é a figura que se apresenta como a mais forte para disputar com Macri. A campanha da Unidad Ciudadana fala do ajuste, dos preços e da péssima situação da escola pública, entre outras coisas. O que não dizem é que, desde que Macri assumiu, os deputados e senadores eleitos pelo voto ao kirchnerismo votaram as principais leis apresentadas pelo governo no Congresso, assim como Massa e o PJ. Eles votaram juntos o orçamento de 2017 proposto pelo Cambiemos, no qual há cortes para a saúde e a educação e, em troca, são destinados fundos para o pagamento da fraudulenta dívida externa. Que maneira tão peculiar de ser oposição, não?

O Cambiemos está cheio de corruptos, começando por Macri, suas contas no Panamá e seus negócios com o Correio e a ditadura. Por outro lado, o kirchnerismo de Lázaro Baez, a estafa de “Sueños Compartidos” (plano de habitação semelhante ao Minha Casa, Minha Vida brasileiro), o sucateamento do sistema ferroviário e o massacre resultante do acidente de trem no terminal Onze, em 2012 (51 mortos e mais de 700 feridos), e a própria Cristina não ficam atrás. Todos eles e suas empresas fizeram e fazem negócios com o dinheiro do povo.

Hoje com Macri os empresários também aproveitam para despedir milhares de trabalhadores que o governo de Cristina deixou na precarização, terceirizados ou na informalidade. Enquanto Macri nos ataca em todo o país, em Santa Cruz (símbolo do kirchnerismo), além de as aulas ainda não terem começando já estando em julho, também reprimem os funcionários públicos e os professores. É por isso que Cristina, em meio à raiva popular por causa das demissões, chamou a não se mobilizar nem fazer greve. Ela mesma disse que quer que Macri termine o seu mandato. Os dirigentes sindicais kirchneristas dizem a mesma coisa.

Por isso, votar em Cristina é votar que Macri continue governando até 2019, e cada dia de Macri no governo é um novo ataque aos trabalhadores. E aqui embaixo sabemos que não aguentamos mais isso.

Para problemas de fundo, saídas de fundo

Muitos conhecem os partidos de esquerda por estarem sempre nas lutas, ao lado dos trabalhadores, como na Pepsico, no AGR Clarín ou na General Motors. Outros também são conhecidos por terem formado a Frente de Esquerda e dos Trabalhadores (FIT) nas eleições primárias (PASO) em 2011.

O PSTU está convencido de que o Congresso que conhecemos hoje não passa de um antro de bandidos, um “covil” onde os patrões votam tudo a seu favor e tudo contra os trabalhadores. Nós queremos mudar as coisas de fundo. Por isso, afirmamos que os argentinos, junto com nossos irmãos latino-americanos, têm que lutar por nossa Segunda e Definitiva Independência. Seguindo os passos dos nossos próceres nesse momento, temos que expulsar as multinacionais que ganham muito dinheiro às custas da fome do povo. Temos que construir um governo dos trabalhadores e do povo, operário e socialista. Chega de milhões para a fraude da dívida externa. Esse dinheiro deve ir para as nossas crianças, para as escolas e os bairros.

Por isso, temos que acabar com esses governos que nos entregam de bandeja para o melhor proponente. Nós nos organizamos todos os dias para essa batalha, começando por exigir a greve geral para tirar Macri. Ele tem que sair já. É a única saída para os trabalhadores.

Vamos com a Frente de Esquerda e dos Trabalhadores

É justamente isso que o governo e as empresas não querem que se escute. Por isso, cada voto na Frente de Esquerda e dos Trabalhadores é um voto contra os empresários e o governo. Cada voto em candidatos trabalhadores, comuns como você ou os seus companheiros, que lutam por seus direitos e querem terminar com o ajuste, faz correr a voz de que a saída de fundo somente virá de nossas próprias mãos, e não de promessas de campanhas. Convidamos você a votar em trabalhadores e lutadores do PSTU nas candidaturas da FIT e a defender cada voto contra o ajuste e por uma saída operária e socialista. Junte-se à campanha divulgando o Avanzada Socialista, os panfletos com as nossas propostas e se organizando com os nossos companheiros em seu trabalho ou nas nossas sedes.

Artigo publicado no Avanzada Socialista n.° 137, 2 de agosto de 2017.

Tradução: Raquel Polla