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As diferentes posturas que discutem o aborto legal falam da vida das trabalhadoras e pobres, aquelas que realmente morrem em abortos clandestinos, mas ninguém se aproxima delas para discutir o que elas pensam ou precisam. E os sindicatos, que deveriam estar à cabeça da luta pela legalização do aborto para proteger a saúde das trabalhadoras, permanecem à margem, deixando as mulheres sozinhas.

Por: PSTU Argentina

Há poucos dias e pela pressão popular que percorre as casas operárias com o debate sobre o aborto, o triunvirato da Central Geral dos trabalhadores (CGT) emitiu um comunicado para firmar posição: “A CGT comunica que no contexto da discussão da Lei de Interrupção Voluntária da Gravidez, esta central até o momento, e nem no futuro, manifestará uma posição institucional sobre a questão, pelo devido respeito que merecem as convicções pessoais, crenças e/ou culto que cada representante do Conselho Diretivo, de seus sindicatos e afiliados representados, que esta Confederação possui.”

A resposta foi rápida e nos mobilizamos até a central operária para mostrar nossos lenços e dizer-lhes que eles não podem ficar fora, nem negar nossas obras sociais argumentando que se a lei é votada o orçamento não será suficiente.

Nós de Luta Mulher e do PSTU não temos nenhuma confiança nesses dirigentes que concordam com Macri e se reunirão com o FMI para negociar contra os trabalhadores, mas nós fomos nos manifestar porque acreditamos que longe de ser neutras, as trabalhadoras devem liderar a luta pelo direito de decidir o momento da maternidade. É muito importante respeitar as opiniões e crenças religiosas das trabalhadoras, assim como também é uma obrigação lutar para defender a sua vida e a da sua família.

O aborto clandestino atinge as casas operárias todos os dias e, embora as companheiras possam ser contra, todas conhecem muitas mulheres  que têm de recorrer às ‘parteiras’ de bairros para que não sejam demitidas do trabalho por estar grávidas ou sabem que as jovens procuram telefones colados em postes de luz para que as “ajudem” com a gravidez indesejada.

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CGT: Ouça nossas vozes!

Os dirigentes burocráticos que ocupam as cadeiras das centrais operárias têm seus acordos políticos com setores da Igreja e com as áreas mais atrasadas da política patronal, mas além disso não sabem o que nós  mulheres pensamos e necessitamos porque eles não nos representam.

Em muitos sindicatos com um número significativo de mulheres (saúde, alimentação, têxteis, etc.) a representação sindical não corresponde em nada com esse percentual, não há mulheres em cargos de decisão e a representação proporcional que corresponderia está ausente. Como eles vão pensar em nós se não tem mulheres nas centrais, mesmo quando somos maioria no sindicato?

À bem conhecida prática burocrática das cúpulas, que nunca consultam as bases, devemos acrescentar o machismo retrógrado que devemos erradicar da classe operária. Para começar a se mover nessa direção deveria ser convocado um encontro de delegadas sindicais e trabalhadoras para discutir a necessidade do aborto legal, para ouvir opiniões e dar informação verdadeira (não argumentos falsos e reacionárias que são passados ​​nas igrejas dos bairros) para organizar, a partir das verdadeiras protagonistas, a luta e o programa de acordo com as necessidades das mulheres do movimento operário.

Greve geral e mobilização para o aborto legal

A conquista do aborto legal será nas ruas e com a luta, não virá da negociação no Congresso ou apenas da pressão nas redes sociais. Temos que sair com tudo para impor esse direito. As centrais sindicais não podem fazer o mesmo que em 13 de junho. Neste 8 de agosto, quando for discutido no Senado, a força da classe trabalhadora deve ser fortemente sentida.

Para garantir a mobilização, eles devem convocar uma greve geral com mobilização, colocando micro-ônibus e todos os recursos dos sindicatos à disposição para garanti-la. A luta para que as trabalhadoras  parem de morrer na clandestinidade não é só das mulheres, é uma luta de todos os/as trabalhadores/as.

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Se a CGT e CTA não querem assumir a liderança, vamos impor por baixo, com reuniões nos locais de trabalho, com ações nos restaurantes das fábricas, reunião na saída, organização da ida à mobilização no 8A. Vamos organizar a luta e lutar nas ruas por um aborto legal, seguro e gratuito.

Tradução: Lena Souza