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Um dos pontos de discussão mais importantes do Congresso PSTU foi o que está acontecendo hoje em nosso país. Já passou mais de um ano e meio desde que Macri assumiu, e tivemos a difícil luta contra as demissões, os tarifaços, a inflação…

Por: PSTU – Argentina

Porém em toda essa onda de lutas houve uma mudança, e essa mudança veio em março. Começando com as mobilizações do chamado “6,7,8”, tivemos 31 dias com 6 manifestações massivas contra o governo, juntamente com lutas importantes como a dos petroleiros de Chubut, a dos suspensos da General Motors em Rosario ou a ocupação da AGR (Artes Gráficas Rioplatense). Menção especial merece a mobilização da CGT em 7 de março, onde colocamos para correr, sob garrafadas, os líderes vendidos, porque não queriam marcar uma data para a greve. E nós os obrigamos a marcar, e assim, em 6 de abril, tivemos a primeira greve nacional contra este governo, que foi imposta desde as bases contra a vontade dos dirigentes.

Para nós, isso marca o início de um novo momento no confronto contra Macri, no qual os trabalhadores tomaram a ofensiva. Se abril passou mais calmamente, foi porque as direções sindicais (em especial a CGT) se jogaram para “acalmar as águas” e não incendiar o oficialismo em um ano eleitoral. O kirchnerismo também apoiou esta ideia, dizendo que a saída seria votar neles, enquanto votam as leis do governo no Senado. Mas, apesar das eleições nos próximos meses, a perspectiva geral é um aprofundamento das lutas entre os trabalhadores e o governo e patrões, levantando mais do que nunca a necessidade de explicar e explicar que a única saída para os trabalhadores e o povo passa por derrubar o plano de ajuste e Macri, agora e nas ruas, e não esperar por 2019 com as novas eleições.

O melhor exemplo de que as coisas estão longe de se acalmarem foi quando a raiva explodiu com o 2 × 1 aos genocidas. Nem a manobra do macrismo, de apresentar uma lei (que foi votada por todos, até mesmo pela esquerda) para regulamentar o 2 × 1 sem anular as decisões do Tribunal, conseguiu cumprir o objetivo de limitar a mobilização. Agora é cada vez mais sentido como os trabalhadores querem frear o ajuste, e os líderes traidores não sabem mais o que fazer para contê-los.

Também é importante o peso que as mobilizações pelos direitos das mulheres tomam, ganhando mais força desde junho de 2015. Não é por acaso que o primeiro sintoma de desbordamento contra as direções sindicais foi em 19 de outubro do ano passado, quando as mulheres trabalhadoras de todo o país pararam contra a violência machista, indignadas pelo assassinato de Lucía. Tal força levou à greve e à discussão do tema, inclusive em fábricas onde não trabalham mulheres. Isso demonstra que, ao contrário do que colocam correntes feministas e a grande maioria da esquerda, terminar com a violência contra as mulheres, com o assédio e o machismo, é uma tarefa que deve ser levada pelos trabalhadores de conjunto, com as trabalhadoras à frente e não um “movimento de mulheres” de todas as classes.

Tradução: Nea Vieira