COMPARTILHAR

Após oito anos, finalizou este mês para a Grécia o período de “resgate” financeiro da “troika” da Eurozona: Comissão Europeia (CE), o Banco Central Europeu (BCE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI), liderado por este último organismo imperial e suas receitas econômicas. As consequências estão à vista: recessão, desemprego, infraestruturas deterioradas, território fiscal privatizado, aumento colossal da pobreza e da deterioração da qualidade de vida. Algo que já se acelera em nosso país depois do acordo Macri-FMI.

Por: PSTU Argentina

Com a crise econômico-financeira do capitalismo europeu, a Grécia registrava uma dívida pública em 2009 de 312 bilhões de euros, grande parte com a Eurozona. Uma dívida que desde 1980 cresceu de forma colossal pelos empréstimos e juros usurários de seus credores e fuga de capitais. Os gregos sofriam já uma grande recessão capitalista com déficit fiscal crescente e uma economia debilitada por falta de investimento. Uma dívida imposta com cumplicidade dos governos gregos de turno.

O medo do efeito “dominó” em países vizinhos com problemas similares, como Portugal, Espanha e Itália, fazia cair as bolsas europeias, e os bônus da dívida externa gregos eram “lixo”. Sem acesso aos mercados financeiros, o governo capitalista grego geriu o “resgate” com seus sócios europeus, a “troika” e o FMI.

Desde 2010, ante a pressão da “troika” europeia, vinha-se cortando o gasto e o emprego público, desregulando o setor privado (o mercado sem controles), aumento de impostos, privatizações e mudanças estruturais com reformas trabalhistas e das pensões e aposentadorias. Em 2015, o primeiro ministro grego Alexis Tsipras, da coalizão Syriza autodenominada de “centro-esquerda”, assina um memorando de submissão, traindo o povo grego que em um referendo com 62% havia rechaçado um terceiro resgate do FMI.

Leia também:  Argentina: o que o G20 nos deixou

Um ataque aos trabalhadores e ao povo grego

A partir de 2009 houve dezenas de greves gerais e mobilizações para defender melhorias trabalhistas e salariais. O capitalismo mundial, com o FMI à cabeça, colocou como condição para conceder empréstimos, limitações ao direito de greve, à agitação sindical e aos direitos sociais e trabalhistas. Condições inegociáveis para completar as três entregas de financiamento negociadas, gerando uma dívida ainda maior, e em consequência um saque através das cobranças de 200 bilhões de euros aos trabalhadores e ao povo grego de 10 milhões de habitantes.

A severidade do ajuste (ver o quadro abaixo) se comprova a cada passo em Atenas, sua capital, onde vive a metade dos gregos. Infraestrutura abandonada, escolas e hospitais deteriorados por falta de orçamento, gente dormindo nas ruas, casas destruídas e paredes estampadas de grafites que ninguém limpa, mostram uma imagem inédita deste país europeu.

Se a Grécia não pagava a Dívida Pública e não se resolvia com o Fundo, os capitalistas e seus meios afins vaticinavam uma catástrofe, a que da mesma forma,  ocorreu. Uma situação parecida à que estamos os trabalhadores argentinos com o acordo de Macri-FMI e o morno questionamento da oposição patronal. Qualquer semelhança entre o drama grego e nossa crise econômica não é mera casualidade…assim funciona o capitalismo mundial com seus sócios locais.

Fontes:

Minutouno – 05-06-2018

BAE Negocios – 08-06-2018

Diario La Nación – 20-08-2018

Diario El País (Espanha) – 21 e 22-08-2018

OS SOFRIMENTOS DOS TRABALHADORES GREGOS

  • Em 2018 suportou nove anos de ajuste capitalista monitorado pelo FMI.
  • Registra mais dívida. de 260 bilhões de euros pagando juros milionários.
  • 000 emigrados, uns 5% da população. Muitos preparados e formados.
  • 13% mais de suicídios (entre 2008 / 2012).
  • 30% de queda de seu Produto Interno Bruto (a soma de tudo o que produz).
  • A Dívida Pública é agora  180% do PIB e era de 120% em 2010.
  • Já se registram 8 anos de recessão econômica e o investimento caiu pela metade.
  • São 13 cortes nas aposentadorias e pensões, somando uma redução de 40%.
  • O salário médio caiu 40%. O IVA (Imposto sobre o Valor Acrescentado) aumentou para 23%.
  • Privatizações massivas de serviços do Estado e entrega de recursos.
  • 23% de desemprego, ente os jovens 51%. Aumenta o trabalho precário e temporário.
  • Um terço da população chega a níveis de pobreza absoluta.
  • O orçamento da Educação baixou para 37%. Fecharam 1057 colégios.
  • O orçamento da Saúde caiu 35%. Aumento dos custos médicos e farmacêuticos.
  • Milhares de devedores com moradias hipotecadas são desalojados.
  • Em 2018 há congelamento nas aposentadorias não se pagando 328 milhões de euros. Aposentadoria aos 67 anos. Eliminação de deduções no Imposto de Renda em 121 milhões de euros, e redução de subsídios ao gás para os pobres em 58 milhões de euros.
Leia também:  Polêmica com o PTS: a crise do MAS nos anos 80

Tradução: Lilian Enck