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Em poucos dias, a cúpula do G20 será realizada em Buenos Aires. Donald Trump, que humilha a América Latina, vai passear de braços dados com os líderes dos países imperialistas e do FMI. No G20, 10% dos países (20 e alguns convidados) impõem o destino dos 90% restantes.

Por: PSTU-Argentina

Vão estar os piratas ingleses que mantêm nossas Malvinas ocupadas, juntamente com Lagarde, que supervisiona o acordo que Macri assinou e que nossos filhos e netos vão pagar. Vão estar o presidente chinês, o russo, o francês, a primeira ministra alemã. Países que têm multinacionais na Argentina que saqueiam nossos recursos naturais e grandes indústrias e bancos que sugam nosso sangue.

Durante meses se reuniram os ministros de economia, os principais empresários, as mulheres poderosas (como se representassem todas as mulheres) desses países, e foram discutindo várias questões para garantir seus lucros: alimentação, trabalho, energia, recursos minerais, infraestrutura, mudança climáticas, regulamentos financeiros, migração, etc. A Cúpula tomará as decisões preparadas nessas reuniões.

Eles procuram a melhor maneira de ficar com toda a riqueza do planeta, agora e para o futuro. Certamente a guerra comercial entre os EUA e a China será um capítulo inteiro das deliberações. Ou seja, a guerra entre as hienas para roubar a comida, a energia, a água, tudo o que a Argentina e os outros países dominados por eles precisam para o bem-estar de nossa população.

A vergonha

Não há escravo mais escravo do que aquele que não tem consciência de sua situação. Eles vão mostrar sua ganância, enquanto querem nos fazer acreditar que tentam melhorar a vida de todos os habitantes do mundo.

E terão a cumplicidade dos Macri, Bolsonaro e Cia., que só querem ser sócios menores (na verdade, servos favorecidos) dos poderosos.

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Nosso país, que sofre um ajuste brutal, desemprego, inflação, fome e retrocesso da saúde e da educação públicas, gastará uma fortuna nesta festa dos poderosos. Um gasto de mais de 3 bilhões de pesos é calculado.

30.000 policiais e de outras forças, sob as ordens dos serviços de inteligência dos EUA e de Israel (apenas da América do Norte virão 1.500 agentes), protegerão esses abutres. Um verdadeiro exército de ocupação. Macri quer mostrar que ele é capaz de bater em seu próprio povo para defender Trump e outros ladrões.

Por isso, ele reprimiu duramente a mobilização contra o orçamento, endurece a legislação, e prendeu Daniel Ruiz, organizador do repúdio ao G20, mantendo-o como refém, preso injustamente.

Lamentavelmente, a oposição política faz um coro. Cristina participou durante o seu mandato destas cúpulas, de forma que não pode repudiá-la hoje. Vai se reunir em um estádio, para a foto e a apresentação eleitoral para 2019. O resto do peronismo, nem falar. Eles procuram se mostrar confiáveis ​​na frente dos amos.

E a CGT, usa a situação para chantagear, ameaçando com uma greve que quer suspender, em troca de uma miséria de $ 5.000, insuficientes e que não irá para toda a classe trabalhadora.

Nós devemos exigir a partir de cada local de trabalho que a greve seja feita, como o começo de um plano de luta. Precisamos disso para enfrentar todo o plano do governo. Se ocorrer, dias antes da Cúpula, será uma conquista. Mas eles não querem lutar.

Tomar o rechaço em nossas mãos

É tarefa dos trabalhadores e do povo pobre demonstrar o ódio que temos por eles.

Que lutamos pela nossa soberania e a defenderemos. Que não nos esquecemos das Malvinas. Que não vamos pagar a dívida que Macri pediu, hipotecando nosso futuro. Nem aquela que contraíram os governos anteriores. Que vamos defender o alimento, a água, os minerais e a energia que as futuras gerações precisarão. Que não somos todos como Macri e os outros traidores, agentes do inimigo.

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Para isso, uma grande mobilização está sendo preparada para 30 de novembro, o dia do início da Cúpula. Vão estar presentes Centrais operárias e dirigentes sindicais, organizações sociais, organizações de direitos humanos, de desempregados, estudantis e partidos políticos de esquerda. Será um grande dia de luta, em Buenos Aires e em todo o país.

O mundo nos observará durante a Cúpula. Temos que mostrar que existem duas Argentinas. Uma que se senta no banquete dos poderosos e está satisfeita com migalhas.

Outra que sofre, mas luta com dignidade, por nossa soberania, pela classe trabalhadora, para acabar com o saqueio. E que repudia o FMI, Trump, a União Europeia e todos aqueles que oprimem nosso povo.

Organize-se a partir de cada local de trabalho ou estudo, de cada bairro, e venha para o 30N. Participe desse ato de dignidade. Convidamos você a participar junto com o PSTU.

Uma coluna operária, internacionalista e de luta

Na mobilização, marcharemos em uma coluna com centenas de companheiros que vêm do Brasil para unir a luta da América Latina, junto com representantes de organizações sindicais da França, do Paraguai, etc. Vamos levar as bandeiras comuns contra o G20 e o FMI. Também levaremos as próprias, para acabar com o capitalismo, repudiar Trump e Lagarde e para exigir a liberdade de Daniel Ruiz, um prisioneiro do G20 e todos os presos políticos.

A Cúpula alternativa

Nos dias 28 e 29 de novembro, a Cúpula dos Povos acontecerá em uma Faculdade e na Plaza Congreso. Diferentes organizações que participam do espaço de Confluência contra o G20 e o FMI, das quais o PSTU faz parte, organizarão uma série de oficinas e mesas-redondas com diferentes temas: dívida externa, situação latino-americana e mundial, diferentes aspectos da vida de nossos povos – alimentação, saúde, educação, riquezas naturais e seu saqueio etc. -, além dos direitos das mulheres, dos direitos humanos, etc.

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A Rede Sindical Internacional de Solidariedade e Lutas vai se apresentar em uma oficina organizada por representantes da CSP Conlutas e Solidaires (centrais sindicais do Brasil e da França). Será um debate aberto a todos, especialmente aos ativistas e lutadores operários.

Por outro lado, nosso partido e a Liga Internacional dos Trabalhadores estão convidando todas as correntes para uma mesa redonda, onde todos poderão expressar suas opiniões, sobre a situação no Brasil após a vitória de Bolsonaro e suas implicações para a Argentina.

Finalmente, organizações de direitos humanos estarão organizando um debate sobre a criminalização das lutas e pela liberdade de Daniel Ruiz. Daniel organizou o rechaço ao G20 desde o começo. Ele foi preso dois dias depois da reunião que elaborou um chamado internacional de repúdio. Por isso a Confluência considera-o prisioneiro de G20.

Tradução: Lena Souza