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O decreto 638, do Presidente, autorizando as Forças Armadas a participar da “segurança interna” tem como objetivo reprimir o povo trabalhador. A invenção do “narcotráfico” o “terrorismo”, a Resistência Ancestral Mapuche (RAM) e “o perigo Mapuche” é uma tentativa de criar um “inimigo interno”, e desculpa para colocar os milicos na rua.

Por: Victor Quiroga

É que o Plano de Macri, do FMI e das multinacionais não passa sem repressão. A classe operária e os setores populares estão resistindo e enfrentando as demissões, o rebaixamento salarial, o ataque aos nossos idosos, a destruição da educação, da saúde e das empresas do estado como a Astilleros Río Santiago. As ilusões no governo ficaram para trás. Por isso são cada vez mais os que resolvem enfrentá-lo.

Macri e o Ministro da Defesa Oscar Raúl Aguad declararam que “as FFAA não vão intervir nos conflitos sociais.” Quem vai acreditar no governo? Para que ampliar seu “campo de ação” depois do acordo com o FMI, a principal reunião da cúpula do imperialismo como é o G20 e no momento em que a resistência popular cresce? A sangrenta história dos militares ao serviço da aplicação de políticas antioperárias desmente o governo.

A “reconversão” das Forças Armadas

A política de dar “novas tarefas” aos militares não é de agora. A campanha que vem fazendo diferentes governos pela “reconciliação” está dentro dessa ideia. Alfonsin, Menen, De La Rua e os Kirchnner tentaram “amigar” o povo com as Forças Armadas através de várias políticas, depois que a traição nas Malvinas e as mobilizações populares derrubaram a sanguinária ditadura militar.

Agora Macri fala de pagar uma “dívida histórica com as Forças Armadas”. A que se refere? Com certeza, ele como empresário, que de 7 empresas passou a ter mais de 40 durante a ditadura “deve” à perseguição e assassinato de operários e jovens lutadores. Agora a reconversão viria a dar “novas” tarefas repressivas aos mais de 70 mil efetivos. Mas o objetivo de fundo é ter as FFAA dispostas a enfrentar qualquer tentativa dos trabalhadores de lutar pelo seu governo.

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A Lei de defesa nacional, da época de Alfonsin, com os acréscimos feitos por um decreto de Néstor Kirchner, limitava a intervenção dos militares somente ao ataque de um estado estrangeiro. Agora poderá controlar setores “estratégicos, nos proteger do terrorismo e dos ciber ataques”. Se o governo, por exemplo, determina como estratégico um poço de petróleo e se os operários nesse poço fizerem greve, as Forças Armadas poderão intervir porque é um ataque a um ponto “estratégico”. Ou o metrô, ou uma empresa mineira ou qualquer outra.

A lei “antiterrorista” ditada nos tempos de Cristina, Milani e Garré é muito bem vista por Macri para dar continuidade a seu plano repressivo. A reconversão inclui a transferência de unidades militares em zonas de fronteira e o reequipamento para “movimentações rápidas”. E poderão atuar ante a difusa possibilidade de “ataques à soberania, à independência política, ou à integridade territorial”.

O peronismo, incluindo o kirchnerismo disse que pedirá explicações no Congresso e tentará “derrubar” o decreto.

Dificilmente isso acontecerá em um Congresso cheio de deputados que apoiam  Scioli, que propôs medidas muito parecidas às que Macri aprova agora, já que propunha “blindar as fronteiras” contra o narcotráfico. E muito menos o peronista Masa que tem um projeto de lei repressivo pior que o macrista.

Os trabalhadores devem enfrentar o projeto repressivo nas ruas, com a mobilização e luta dos trabalhadores para que colocar para fora Macri, o FMI e sua repressão.

Tradução: Túlio Rocha