COMPARTILHAR

Os trabalhadores e o povo enfrentam os ataques do governo e a situação fica cada vez mais dura. Ou Macri vence e nossas conquistas e direitos sofrem uma derrota muito séria, ou vencemos nós, Macri é derrotado e renuncia. Não existe meias medidas.

Por: PSTU – Argentina

Sem luta não há conquista

Nenhum avanço contra a opressão ocorreu sem luta. E para triunfar, o enfrentamento se deu em todas as áreas: econômico, político, social, jurídico e militar. Assim foi na Revolução Francesa contra a monarquia e nos Estados Unidos na Guerra Civil que colocou fim à escravidão. Nossa liberdade e independência foram conseguidas com um duro combate em todos os terrenos. San Martín, Belgrano e todos nossos heróis souberam enfrentar os colonizadores com todas as ferramentas que foram necessárias.

O mesmo com os avanços da classe operária. A conquista das oito horas de trabalho foi produto de lutas contra a lei e a violência do Estado capitalista. O mesmo aconteceu na Revolução Russa, há 100 anos. As páginas mais gloriosas dos trabalhadores foram resultado de confrontos duríssimos contra a repressão e as leis estabelecidas. Na Semana Trágica, de 17 de outubro de 1945, o Cordobazo, a luta contra a ditadura e em 2001, a classe operária e o povo enfrentaram a injustiça com o que tinham à sua disposição.

Sempre as monarquias, as ditaduras, ou os regimes “democráticos” acusaram aqueles que lutavam de “violentos”, criando o “direito, a lei e a espada”. Para derrotá-los, foi necessário enfrentá-los com nossa ordem e organização, com nossa “justiça” e com nossa “espada”.

Mauricio Macri se orgulha de ser um representante da tradição reacionária. Nós que estivemos no Congresso nos dias 14 e 18 de dezembro nos reivindicamos, com orgulho, os continuadores de todas as lutas progressivas da história.

Este é um debate com aqueles que criticam a luta do 18D; luta que foi apoiada por milhões de trabalhadores que não estavam lá, peronistas ou kirchneristas, pelos panelaços da noite, e pelos 15 a 20% que as pesquisas indicam que antes apoiavam o governo e agora deixaram de fazê-lo.

É também um debate contra os que afirmam enfrentar o governo, mas dentro dos limites do regime político. Ou seja, que nada pode ser feito até 2019, quando teremos oportunidade de votar em outros: a maioria dos dirigentes sindicais e políticos dos diferentes peronismos.

Leia também:  Argentina: continuar nas ruas pelo aborto legal

Algumas conclusões do 18D

No entanto, há outro debate. Naquele dia, estávamos na batalha, à frente ou atrás, milhares de trabalhadores, algumas colunas sindicais organizadas, e os diferentes partidos de esquerda. Entre nós, é importante tirar conclusões.

É um fato que a justiça e as forças de segurança afinaram seus instrumentos. Agora, eles conseguiram identificar, por meio da mídia computadorizada, as características fisionômicas dos presentes na mobilização, como foi o caso de Sebastián Romero, César Arakaki e Dimas Ponce. No meio de uma repressão brutal como a do 18D, que durou várias horas, infelizmente, não conseguimos nos livrar não apenas dos gases, mas das câmeras da repressão.

Quando a justiça nos provoca

Se um companheiro é detido na ação, é necessária uma grande campanha unitária pela sua liberdade.

Mas o que fazemos quando a justiça ordena a prisão de companheiros que não foram detidos? Neste sentido, a posição do Partido Operário e a nossa são diametralmente opostas.

Em resposta ao pedido de prisão de Arakaki e Ponce, o PO teve uma política de apresentar-se na primeira chamada. Na mesma situação, Romero fez o contrário.

Em nossa opinião, aqueles que se reivindicam revolucionários devemos resistir à ordem de prisão, na medida de suas possibilidades, até as últimas instâncias. Estamos com o Sindicato de Advogados quando afirma: “(…) Nossos predecessores dos anos sessenta e setenta mantiveram um critério de ferro: nunca entregar um companheiro, um exigido, ou um reclamado à justiça ou ao Poder Judiciário, para ser deixado preso (…)”, além disso, “(…) Se o companheiro se apresentar voluntariamente ou é preso enquanto está foragido, não muda as coisas, porque em qualquer caso ficará em cana, sua situação não se agravará (…)”. Não devemos propor que se entreguem, e ainda menos “de primeira”. É claro que, neste caso, a opinião do companheiro envolvido é decisiva. Mas o que debatemos é a posição político-jurídica.

Por que agimos assim? A Justiça patronal não merece qualquer confiança, tampouco o sistema carcerário. Um companheiro preso é refém do Estado. Em condições agudas da luta de classes, um companheiro na prisão não tem nenhuma garantia. Isto foi demonstrado pelas surras brutais que sofreu [Esteban] Rossano, um dos detidos do 14D, agora libertado. Para ser morto ou ferido não é necessário que um agente o faça. Basta um arranjo às escondidas com os elementos mais desclassados que estão presos. Portanto, sempre, na medida do possível, devemos impedir que nossos companheiros sejam presos.

Leia também:  Todos às ruas, fora as Forças Armadas da “Segurança Interna”!

Pode acontecer, em circunstâncias excepcionais, que a apresentação seja aceita. Por exemplo, no caso de o companheiro em questão não suportar a situação, um caso de fraqueza. Um partido operário, depois de tentar convencê-lo do contrário, pode apoiá-lo. Mas a obrigação desse partido, em nome da educação de seus próprios militantes e todos os lutadores, é destacar que isso não é o que deve ser feito. Que os revolucionários resistem à justiça, não se adaptam a suas normas, e que a política deve ser impedir que os lutadores sejam presos.

No entanto, o PO sustenta outra coisa. Reivindicou que seus militantes se “comportem direito”, isto é, acatem obedientemente à Justiça. E defende em bom tom que é isso que devem fazer todos os lutadores que se encontrem nessa situação[1]. Isso é um erro muito grave, um antecedente contrário à tradição operária revolucionária. É verdadeiramente inaceitável. Isto é o que queremos debater. Acreditamos que esta posição faz parte da adaptação à legalidade da democracia burguesa que assinalamos nos partidos “legais” da FIT.

Fazemos isso de uma posição fraternal. Em nossos cartazes e petições, colocamos em primeiro lugar o pedido de liberdade para Arakaki e Ponce, e depois a cessação da perseguição de Sebastián. Nós o fizemos desta forma justamente porque consideramos que eles estavam em pior situação. É, sem dúvidas, um enorme triunfo da mobilização comum que agora estejam livres, enquanto o julgamento continua. E lutaremos unitariamente pelo fim da perseguição a todos. É por isso que defendemos a necessidade de uma campanha unitária a nível nacional e internacional, unificando a defesa de todos os presos por lutar e contra a perseguição a todos os lutadores.

Parece-nos que os companheiros do Partido Operário não agem da mesma maneira. Embora tenham manifestado sua solidariedade em um primeiro momento com um pronunciamento, a sua campanha e seus cartazes mal mencionam o fim da perseguição, e nunca a Sebastián, que, junto com César e Dimas, foram os únicos três que tiveram pedido de prisão devido ao dia 18. Por quê? Não compartilhamos da posição do Partido Operário especificamente para Arakaki e Ponce, mas aceitamos o seu direito a fazer assim. Do mesmo modo, exigimos o respeito à posição adotada por Sebastián.

Leia também:  Argentina: A luta em defesa da educação pública é uma só

Unidade dos trabalhadores

Insistimos, é um debate fraterno para enfrentar melhor um governo e um regime que, cada vez mais, atacam e criminalizam os lutadores. Nesse contexto, é preciso dar sinais claros aos ativistas operários e aos jovens, trazendo à atualidade os melhores ensinamentos e tradições do movimento revolucionário.

É uma necessidade verdadeira das lutas atuais e futuras que, como em 2001, podem levar ao colapso do regime e colocar na ordem do dia a luta por um poder operário e popular, contra o regime que nos explora. Assim, as táticas políticas, jurídicas e de qualquer natureza devem corresponder ao objetivo revolucionário, e não se adaptar ao regime democrático patronal, nem às pressões de um eleitorado que, ainda, em sua maioria, não rompeu com esse regime.

Nota:

[1] Imprensa Operária de 17/01/18 afirma: “Sua prisão preventiva é um ato de violência institucional, uma vez que ninguém tem o poder de interferir na investigação nem pretende escapar, como demonstraram ao comparecer perante o juiz antes deste citá-lo”.

Tradução: Rosangela Botelho