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De muitas escolas secundárias, universidades, locais de trabalho e bairros começa a se organizar a participação no “que haya” (que haja) no Congresso em 28 de maio. Muitas/os companheiras/os começam a renovar seus lenços verdes, velhos e desgastados e de tanta manifestação e tantos lugares percorridos. Não importa a que é chamado, lá  estarão. É que a luta que realizamos em 2018 para finalmente conseguir a legalização do aborto seguro e gratuito no hospital foi tão grande, que muitos setores continuaram a se organizar e lutar a partir das bases em cada lugar para tornar a campanha cada vez maior.

Por: Secretária de mulheres – PSTU Argentina

As mulheres não devem esperar pelas eleições

A Campanha Nacional pelo Aborto ainda não convocou nada nesse dia. Há apenas o anúncio da apresentação do novo projeto (pela oitava vez), e nada mais. Só disseram que têm pouca expectativa de que este ano o projeto seja tratado como no ano passado, porque é um ano eleitoral e porque a ideia do projeto é “unir”. Tarefa difícil no meio da campanha eleitoral. Nenhum candidato levará concretamente nossa bandeira pela a legalização do aborto e evitam tocar no assunto.

A principal “suposta” candidata da oposição ao governo de Macri, a ex-presidente Cristina Kirchner, chamou a todas as igrejas e até mesmo os “lenços azuis” (organizados como um partido e participando eleitoralmente) para ser parte de sua possível candidatura . Ainda mais difícil do que a própria Cristina leve a bandeira do aborto em suas mãos e lute para obtê-la, mais ainda considerando que durante seu governo o projeto foi colocado na gaveta por 6 vezes.

Lamentavelmente, também os partidos da esquerda tomaram o caminho eleitoral com expectativas de conseguir muitos deputados e também assim, direcionar todas as reivindicações para leis e projetos. Porém, nunca qualquer eleição ou qualquer coisa que saia do parlamento foi uma solução definitiva para os problemas dos trabalhadores. Cambiemos e a oposição peronista fingem que lutam, mas, na verdade, em seguida, no concreto, agem em conjunto e votam as mesmas leis contra o povo trabalhador, como aconteceu em dezembro de 2017, com a reforma da previdência e muitas outras. Que confiança podemos ter na renovação de deputados e senadores, se eles sempre acabam governando para os poderosos, as empresas multinacionais e nunca a nosso favor?

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Impor o aborto nas ruas, lutar até conquistar

A vida das mulheres pobres e das trabalhadoras não pode estar atrelada às expectativas de ter mais ou menos deputados ou senadores em outubro. Todos os dias, mais mulheres lutam por suas vidas após abortos realizados nas sombras e na clandestinidade. Nossas vidas não podem esperar.

A única maneira pela qual o povo pobre e os trabalhadores conseguimos alcançar melhores condições de vida e direitos é com a luta, organizada em cada lugar e de conjunto. As ruas são nossas e a força também, como demonstramos tantas vezes em 2018 pelo aborto e desde 2015 pelos direitos das mulheres e jovens. Portanto, este ano não podemos ir para casa de mãos vazias: devemos fazer como em dezembro de 2017, mas desta vez, impondo aos legisladores que aprovem sim ou sim legalização do aborto. Ni uma menos também é Basta de abortos clandestinos, a legalização já e no hospital !!! Em cada lugar de estudo, este grito de exigência e demanda deve ressoar, vamos ser milhares e milhares nas ruas para levar essa luta!

-Legalização do aborto já em hospitais públicos e gratuitos. Maior orçamento para a saúde pública com base no não pagamento da dívida externa

– Que os sindicatos, centros estudantis, CGT e as CTA, federações estudantis e organizações de direitos humanos incluam entre suas reivindicações as nossas demandas e lutem por elas

Tradução: Lena Souza.