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A imensa solidariedade da população com os trabalhadores da Pepsico diante das demissões e da repressão, que se manifestou nestes dias e na passeata do dia 18/07, estremece a situação nacional golpeando o governo, a CGT e toda a oposição dos partidos majoritários. Hoje, mais do que nunca, volta a estar sobre a mesa a realização da greve geral.

Por: PSTU

As centenas de operários da Pepsico que chegaram para trabalhar na noite do dia 20 de junho encontraram um papel colado no portão que lhes avisava que já não tinham emprego. Com a desculpa de mudar a produção para Mar del Plata, a multinacional (que aumentou seu lucro em 17% em 2017) fechava a fábrica e deixava os trabalhadores na rua.

A mesma situação se repete hoje em todo o país: Atucha, Walmart, Hutchinson e dezenas de fábricas e oficinas. Desde que começou o governo de Macri, as demissões já chegam a 250.000 e só em julho contam-se aos milhares nos ramos industriais.

Repressão vs. Solidariedade

Se alguém ainda tinha dúvidas sobre as intenções do governo, a Pepsico foi um claro exemplo. Não só o próprio Jorge Triaca saiu defendendo a empresa e justificando as demissões como também a Bonaerense de Vidal, junto às Forças Armadas, reprimiram com quase mil efetivos e de maneira furiosa o protesto dos operários. Procuram dar um avisa: eles vêm para ajustar, não há plano B, e quem resistir será reprimido.

Por outro lado, milhares de trabalhadores e suas famílias em todo o país viam horrorizados como a polícia agredia e reprimia operários que queriam trabalhar. Como não se ver refletido nesses trabalhadores, em um país onde uma pessoa não sabe se manterá o seu emprego! Essa solidariedade é a que estourou por baixo, nas fábricas enquanto se tomava o café, nas escolas, escutando pelo rádio ou no mesmo bairro Florida onde os vizinhos saíram a bater panelas e enfrentar a polícia com o que tinham à mão.

O kirchnerismo na encruzilhada

Nos bairros, nos locais de trabalho e nas ruas, a raiva com este governo que aplica ajustes cresce cada dia mais. As demissões e a repressão na fábrica da zona norte também puseram contra a parede os dirigentes que não querem enfrentar o governo. Enquanto nas organizações, sindicatos e agrupamentos muitos querem sair a lutar, Cristina Kirchner deu a mensagem oposta: não agitar as águas e “castigar com o voto” (Massa e o PJ fazem o mesmo).

Mas não é o suficiente e por isso a própria Hebe de Bonafini saiu a pedir perdão porque nenhuma das figuras do kirchnerismo esteve acompanhando os trabalhadores. Além disso, nas províncias que governam, como em Santa Cruz, também aplicam ajustes e reprimem.

Pela pressão que há por baixo, muitos dirigentes tiveram que sair a mobilizar na terça-feira, dia 18, ao Obelisco. Mas nenhum quer chamar a greve geral. Não podemos ficar sentados enquanto nos atacam com ajustes e nos vendem. É hora de sair a lutar em unidade.

O fantasma do 7M: com os dirigentes à cabeça ou com a cabeça dos dirigentes

O 7 de março, depois de mais de um ano de sofrer ataques, aumento nas tarifas e demissões, a CGT chamou um ato. Todo mundo esperava que fosse anunciada a tão necessária greve geral, mas os traidores se calaram, e nós trabalhadores nos fizemos ouvir. Tiveram que sair correndo do palco quando, ao grito de “Greve Geral já!” e “Marquem a data greve!”, centenas de trabalhadores ocuparam o ato e as ruas. Em pouco tempo, anunciaram a primeira greve geral contra Macri.

Os dirigentes traidores da CGT sabem que estão sentados num barril de pólvora. Por isso tiveram que publicar um comunicado diante das demissões e da repressão na Pepsico. Sabem que o país está se incendiando e que se não dão as caras vão parar na fogueira. Mas, como são leais a Macri e ao empresariado, anunciaram uma manifestação para o dia 22 de agosto, dentro de 40 dias! Uma nova traição desses dirigentes submissos.

Macri tem que sair já

O governo apoia as demissões, aumenta tudo e reprime. Os que se dizem “oposição” o deixam passar e onde governam também aplicam ajustes. Os dirigentes da CGT traem. Aonde os trabalhadores e as suas famílias vão terminar se este governo continua no poder? Não dá mais, Macri tem que sair já.

Não é suficiente lutar separados, assim vamos perder sempre: precisamos da mais ampla unidade. Por isso, todos os dirigentes que hoje falam da greve (seja quem for: kirchneristas, do PJ, Radicais ou de esquerda), como Plaini, Palazzo da Corrente Federal, a CGT Zárate e a CTA, devem convocar um encontro nacional de trabalhadores, onde todos os setores em luta se organizem para impor à CGT uma greve geral.

Para isso, em cada local de trabalho ou estudo, nas escolas e nos bairros, temos que nos organizar também. Falar com nossos companheiros, fazer assembleias, nos solidarizar com os que estão lutando, como na Pepsico, e pressionar nossos delegados e dirigentes para construir desde baixo uma greve geral e um plano de luta.

Precisamos de um novo Argentinaço que derrube este governo ajustador e todos os que o apoiam. É a única maneira de construir um governo operário e socialista, a serviço das necessidades dos trabalhadores e do povo. Nós do PSTU achamos que esta é a luta que temos pela frente, convidamos você a se organizar conosco e fazermos isto juntos.

Tradução: Kélvia Trentin