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A manifestação do dia 4 passou e a história voltou a repetir-se: muita gente nas ruas, ânimo para continuar, e depois voltar para casa sem nada, sem continuidade, sem medida. Cada vez que se repete é pior, porque maior é o desespero e a raiva, a fome e as necessidades insatisfeitas. Fica claro que com estes dirigentes não vamos a lugar algum. É urgente construir uma nova direção do movimento operário e popular.

Por: PSTU-Argentina

Os dirigentes sindicais não param de surpreender por sua cara de pau: a CGT não fez ato para não enfrentar a reivindicação de Greve Geral, que já era certo que iria acontecer, e depois justificam sua benevolência com o governo dizendo que são os trabalhadores que não querem parar “uma grande parte dos trabalhadores não querem uma medida de força geral porque não querem que lhes descontem o abono por não faltar e outros benefícios salariais que impactam o salário no fim do mês” (Carlos Acuña) (1). E chegaram ao cúmulo de convocar uma paralisação dos sindicatos do transporte no 1°de Maio! Uma paralisação que não afeta a produção nem afeta o governo, e que só prejudica os trabalhadores em seu dia para ir à manifestação ou simplesmente para poder ir onde queira para descansar.

O setor que se faz de crítico à “condução e combativo”, Moyano, Yasky, a CTEP, etc fala muito mais do que faz: criticam o Governo, a própria direção da CGT, mas não fazem nada realmente diferente. Sua ação é mais relacionada a um interesse eleitoral que de direção de trabalhadores que realmente querem lutar para defender direitos.

As direções dos movimentos sociais e do movimento de mulheres também não escapam a esta lógica, a fome se multiplica e os feminicídios aumentam, a miséria que recai particularmente sobre as costas das mulheres também. Entretanto não se vislumbra nenhum indício de continuidade do recente dia de luta do 8M nem algum plano de luta a partir dos bairros, por responsabilidade de quem estão dirigindo.

E a esquerda?

A esquerda, os que compõem a FIT por seu lado, MST e Nuevo MAS, por outro, ao invés de aproveitar que havia milhares nas ruas, para propor que é necessário exigir a greve geral agora e que para isso teria que passar por cima da vontade dos dirigentes, fez seu ato separado, longe de onde se definia a história. Mais próximo de uma campanha eleitoral do que uma verdadeira tentativa de impulsionar a luta.

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Este panorama é o que permite que, ainda que com um desprestígio que cresce dia a dia, o governo pretenda avançar com uma reforma trabalhista “light” no Senado, discussão à qual a CGT está convidada obviamente, e na qual, já está negociando para ver como se aprova.

O peronismo é realmente opositor?

Todas estas coincidências entre os rebocados da CGT, os “faladores” do 21F e as dirigentes dos movimentos sociais e do movimento de mulheres tem uma lógica política: que Macri termine seu mandato seja como for porque a estratégia é apontar à mudança eleitoral em outubro, a partir de alguns dos setores do peronismo, o da utopia do peronismo unido.

Acuña, do triunvirato da CGT, volta a ser nítido:” Quero uma PASO (eleições primárias) com Cristina, Massa e Lavagna. É o momento oportuno de conseguir a unidade entre todos, para além das ambições pessoais” (2). Héctor Daer, o outro do triunvirato, também se pronunciou no mesmo sentido.

Com seus matizes, todos estes setores querem levar a raiva contra o governo seguindo o caminho de algum setor do peronismo. Dizem a nós trabalhadores que é o projeto peronista que estará do nosso lado defendendo nossos direitos. Como explicam então que Lavagna tenha se declarado a favor da reforma trabalhista? Como explicam os votos peronistas de Deputados e Senadores, sem os quais Macri não poderia ter votado suas leis mais nefastas? Como explicam que onde governam, o ajuste seja o mesmo que Mauricio Macri aplica?

“Ela ganha dele” é a cara mais “progressista” e juvenil da mesma estratégia. Grabois chama todos que querem lutar contra Macri a apoiar a candidatura de Cristina. É o mesmo erro do passado, juntar qualquer imprestável em um verdadeiro trem fantasma que depois vão contra os trabalhadores. Cristina está desaparecida ante esta tragédia que vivemos diariamente, e somente aparece com algum discurso combativo muito de vez em quando. Durante estes três anos e meio se apagou e só se dedicou a defender-se das dezenas dos processos judiciais que teve pela corrupção durante sua gestão. Com a influência que tem, ela poderia arrastar à luta milhares e milhares de companheiros e companheiras se os convocasse. Porém não fez, não faz e não fará. Como também não fez quando governou, quando teve o poder em suas mãos, em que pese o discurso não conseguiu dar uma solução real ao flagelo da pobreza, nem melhorias nas condições trabalhistas, nem orçamento para frear a violência machista, e um longo etc. Então ela pode ser a saída?

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A única verdade é a realidade

Dizia Perón, e neste caso tinha razão. Um setor importante dos dirigentes sindicais saiu dizendo que é necessária uma greve geral. E o que esperam? Não se dão conta de que não se aguenta mais a situação? Se não é só uma declaração para se apresentar eleitoralmente, que chamem e convoquem assembleias e plenárias regionais para organizá-la. Ou vão dizer que  Moyano (Camioneros), Yasky (CTA) Pignanelli (SMATA), Caló (UOM) não tem força suficiente para convocar uma luta e arrastar o resto?

Precisamos de uma alternativa

Tanto o panorama sindical como o político, profundamente unidos, deixam em evidencia que nós, os trabalhadores, precisamos de uma alternativa, tanto sindical como política.

Precisamos de uma nova direção do movimento operário que seja realmente classista, que acaudilhe o conjunto dos setores populares e que não faça de conta que não vê os processos que os sindicalistas traidores dirigem como faz o conjunto da esquerda.

Precisamos de novos dirigentes que estejam batalhando com cada trabalhador ou trabalhadora, para que não sejam ganhos para o projeto patronal.

Que venha o 1° de Maio, por uma saída operária e socialista

O PSTU coloca todas suas humildes forças para superar o grande obstáculo da falta de uma alternativa que temos, nós trabalhadores, as mulheres e os jovens. Queremos construir um partido cuja estratégia não seja juntar votos ou deputados, e sim a de organizar a rebelião, uma revolução operária e socialista, que entendemos que seja a única saída de fundo a todas as nossas penúrias. Porque Macri e o FMI tem que ir embora agora mesmo, e não podemos esperar. E porque Cristina, Lavagna e o PJ já anunciaram que há que se fazer acordo com eles, e isso só pode trazer mais desgraças para o povo trabalhador.

Nesse contexto, se aproxima o 1º de Maio. Para nós não será um a mais, nosso companheiro Daniel Ruíz está há 7 meses preso por lutar contra o roubo aos aposentados, e nosso companheiro Sebastián Romero perseguido também desde o 18D de 2017.

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Convidamos a todos e todas a virem ao nosso ato, pela liberdade de Daniel e contra a perseguição a Sebastián, que são lutadores revolucionários operários e socialistas, e para construir uma saída operária e socialista para a crise.

O que diz a “oposição” em relação ao FMI?

Macri nos entrega ao FMI. Na Argentina temos bem claro o que significa o Fundo Monetário Internacional em nossas vidas. Sempre com o Fundo vieram mais fome, mais miséria e mais desemprego. Qualquer um que verdadeiramente queira outro projeto de país tem que romper com o FMI e os compromissos agiotas que esse organismo defende. Mas o que propõem os supostos “opositores” peronistas a respeito?

“O ex ministro da Economia Roberto Lavagna advertiu que o próximo Governo deverá ‘renegociar’ o cronograma de pagamentos previsto para 2020 da dívida contraída pela gestão encabeçada por Mauricio Macri com o Fundo Monetário Internacional (FMI)” (3).

“Haverá que reestruturar a dívida ou renegociar o acordo com o FMI? Diz Kicillof : “Sim, creio que haverá que renegociar o acordo. A dívida não sei. Um Governo novo certamente irá sentar-se com o FMI para reformular o programa, como sempre ocorre nestas circunstancias” (4).

Como se vê, nem Lavagna, nem Kicillof (porta-voz econômico de Cristina) propõem romper com o FMI. Isto leva a que qualquer um deles que governe seguirá ajustando contas para cumprir, mais cedo ou mais tarde, com os pagamentos dessa dívida infame que ficou nos bolsos dos banqueiros e amigos dos empresários. Não se pode dar trabalho, saúde, educação, moradia, sem deixar de pagar a dívida externa e romper com todos os acordos que nos condenam.

Notas:

(1) https://www.agencianova.com/nota.asp?n=2019_4_9&id=71876&id_tiponota=85

(2) https://www.agencianova.com/nota.asp?n=2019_4_9&id=71876&id_tiponota=85

(3) https://www.iprofesional.com/economia/289831-cambiemos-presidente-roberto-lavagna-Lavagna-pide-renegociar-el-calendario-de-pagos-con-el-FMI

(4) https://www.eleconomista.com.ar/2019-04-kicillof-macri-llevo-a-argentina-a-la-orilla-del-default-y-el-fmi-lo-salvo/

Tradução: Lilian Enck