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A poucos dias do encerramento de alianças e fórmulas presidenciais, a economia não dá trégua ao governo de Cambiemos. Não tem um único dia sem anúncios de demissões, fabricas fechando e aumento do preço dos alimentos básicos. Com um quilo de pão a 100 pesos não tem muito mais o que dizer.

Por PSTU-Argentina

Segundo o documento de APYME, se calcula que na Argentina fecham por volta de 50 PYMES por dia. A crise da indústria automotriz não cessa e já não tem nenhuma sem suspensões, a última foi a GM que anunciou que em abril vendeu somente 250 automóveis e suspende por quase 2 meses 70% dos salários de todos os trabalhadores.

Inclusive o próprio informe do FMI localiza nossa economia como uma das maiores recessões, junto com Venezuela, Guine Equatorial e Sudão

Porém, Macri segue fazendo os deveres que exige o FMI e a patronal, e aproveita a chegada do imprestável e ultrarreacionário presidente brasileiro Bolsonaro para se mostrar com os defensores dos ajustes na região.

29M: Os trabalhadores mostraram que querem lutar e a CGT voltou a decepcionar

A greve geral de 29 de maio foi mais uma mostra do descontento dos trabalhadores e população. Absolutamente foi uma greve de todo o país. Porém, mais uma vez a condução da CGT não esteve à altura das necessidades: chamou uma paralisação sem mobilização e assim evitou que milhares e milhares de trabalhadores se expressassem nas ruas. E tampouco orientaram como seguir e nem qual programa devemos propor aos trabalhadores para sair da crise.

Pelas costas de quem dizem representar, os dirigentes se acomodaram em sua própria união interna e na linha eleitoral, utilizando as medidas para negociar cargos em diferentes listas variantes do PJ. E depois de reunir com o FMI, já se acomodaram para ocupar um lugar em um futuro pacto com os patrões que se preparam para pagar a imensa dívida com os banqueiros e especuladores. O mayonismo, a Corrente Federal e a Frente Sindical, os Movimentos Sociais ligados a Cristina e ao Papa Francisco, também desapareceram do mapa e nem se quer cumpriram com as programadas ondas populares.

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Em Rosario e Córdoba houve grandes manifestações e mais além dos piquetes da esquerda, como já havia acontecido no 30A, o mais importante desta jornada se pode ver na Puente la Noria com a ação coordenada na zona sul que encabeçaram os motoristas do Expresso Lomas.

Os dirigentes jogaram todas suas fichas para que a raiva se canalizasse unicamente no terreno eleitoral, resguardando a “governabilidade” que exige o FMI. Porém, ainda que de forma isolada, a raiva e os conflitos seguem em diversos processos de luta.

A luta pelo direito ao aborto e Nem Uma a Menos segue nas ruas.

Em menos de uma semana se mobilizaram duas vezes milhares de mulheres em totó o país. E fizeram outra vez, como vem fazendo a anos o grito pelo direito ao Aborto Legal, Seguro e Gratuito e de NEM UMA A MENOS.

Primeiro foi dia 28, com a desculpa de uma nova apresentação do projeto pela legalização do aborto no Congresso. Na realidade, a pesar da condução da campanha e as manobras dos bloqueios do governo e do Kirchnerismo que se negaram a tratar, as verdadeiras protagonistas estiveram a fora exigindo um direito que não se pode esperar as eleições nem novos deputados, e muito menos novos presidentes que foram quem engavetaram o projeto de lei por 12 anos

Cada 3J saía a luz o crescimento da violência machista e os feminicidios. Ano após ano coloca sobre a mesa a responsabilidade do Governo que cada vez destina menos dinheiro para as vítimas de violência.

As centrais sindicais, em geral somente se limitam a tirar uma foto com um cartaz. No melhor dos casos mandam uma delegação de companheiras. É fundamental que desde abaixo se imponha esta reivindicação como um problema do conjunto da classe trabalhadora.

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A batalha eleitoral: os Candidatos do FMI vs os Trabalhadores

As candidaturas e o fechamento das listas estão no centro do cenário político. Existe negociações de todo tipo e cor. Muitos intendentes e governadores do PJ fecharam fila com a fórmula Fernández-Fernández, que se joga de cheio a incluir a Sergio Massa no esquema, empurrando por inercia de sua tropa que se votou no Congresso da Frente Renovador. Escândalo mediante os radicais decidiram permanecer em Cambiemos mas com a condição de ter o candidato a vice presidente ou ir a uma interna. Alternativa Federal e Lavagna não conseguiram fechar um acordo e até Urtubey tratou tramar uma negociação com Cambiemos para ir com a governadora Vidal na província de Buenos Aires.

De propostas e debates político pouco ou nada. Todos se passam de um lado ao outro sem nenhuma vergonha e somente se repetem alguns slogans. A única proposta em que todos se coincidem é um acordo com o FMI para garantir a dívida que geraram os CEOs, os corruptos e os banqueiros.

Daniel Ruiz candidato a Deputado Nacional pela Frente de Esquerda e dos Trabalhadores

Além da expectativa em cada candidato que tenha os trabalhadores, o concreto é que se tenham um acordo com o FMI haverá mais ajustes sobre nossas costas. Por isso, a batalha coloca uma disjuntiva: ou se apoia a quem querem seguir ajustando para pagar a dívida; ou se fortalece os trabalhadores para que quem pague a crise seja os banqueiros e empresários.

Este debate estará colocado nessas eleições e preanunciam as próximas batalhas. E não é algo menor. Não devemos aproveitar esta campanha para organizar a rebelião operária e popular que se impulse a Segunda e Definitiva Independência que rompa as correntes deste roubo.

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Neste marco, a plataforma eleitoral mais representativa que levanta um Governo de Trabalhadores e ao Não Pagamento da Dívida é a Frente de Esquerda e dos Trabalhadores. Por isso, além dos debates que seguiremos mantendo com as organizações que a integram, desde o PSTU aportaremos nossos melhores candidatos operários e populares para dar esta batalha.

O faremos insistindo com que devem ser os dirigentes das lutas operárias mais representativas quem devem encabeçar as listas, que não tem que utilizar as PASO como mecanismos para dirimir candidaturas, e que estas propostas sejam ratificadas em assembleias de trabalhadoras. Deste modo, Daniel Ruiz, dirigente operário petroleiro preso a 9 meses por encabeçar a defesa dos aposentados naquele memorável 18 de dezembro, será candidato a deputado do FIT por sua província, Chubut, nas próximas eleições. E deste modo redobraremos nossa campanha nacional e internacional por sua liberdade e o cesse da perseguição a todos os lutadores.

Tradução: Igor Ferreira