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Um ano após a rejeição do projeto de lei que nos dava a possibilidade de escolher o momento de nossa maternidade, e enquanto os (lenços) azuis comemoram essa rejeição, realizando atos de campanha comemorando o aborto clandestino, as mulheres estamos de luto. Não apenas pelas mortes por aborto que continuam dia após dia, mas porque um dia antes desse aniversário, a negligência penitenciária e todo o sistema judicial machista mataram Patricia.

Por: PSTU – Argentina

Patricia Solorza tinha 40 anos e estava presa por decidir o momento de sua maternidade. Mãe de 3 filhos, ela percebeu que estava grávida quando estando em sua casa teve um aborto espontâneo, se assustou e colocou o feto em um saco plástico. Um vizinho a viu jogar e a denunciou. Depois disso, o sistema judicial se lançou contra ela. O mesmo que apoia os assassinos de Santiago, Rafael Nahuel, o mesmo que perdoa os corruptos e absolve Milani e que mantém Daniel Ruiz preso por lutar. Porque a justiça beneficia os ricos e os poderosos e condena os trabalhadores e trabalhadoras.

Depois de 2 meses, foram buscá-la em sua casa. Ela foi acusada de “homicídio agravado pelo vínculo” (a figura legal com a qual o aborto é penalizado) e, para ter uma sentença mais curta, Patricia teve que aceitar o julgamento abreviado e a culpa. Recebeu 8 anos de prisão, sem a possibilidade de ter prisão domiciliar para cuidar de seu filho mais velho deficiente e de seus outros dois filhos muito pequenos.

Ela havia cumprido 6 anos de sua sentença. Estudava dentro da prisão, participava de oficinas e também fazia parte da equipe de rugby Las Espartanas. Recuperar a liberdade era seu maior desejo.

Há 2 meses, sofria de dores abdominais e, como não funcionam os serviços médicos penitenciários, não era atendida. Há 15 dias foi parar no plantão do hospital, onde os médicos não puderam salvá-la. Inacreditavelmente, ela morre de peritonite, muito injusto: PERITONITE! E, claro, abandono de pessoa, pois era algo que podia ser notado dois meses antes e ela não foi escutada, e condenando à morte.

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A raiva que sentimos quando continuam nos matando. Condenando nossas vidas. Sem educação, sem saúde, ou o direito de decidir sobre nossos corpos ou nosso futuro. Somos todas Patricias na vida. Tentando sobreviver a um sistema machista, onde tudo nos custa o dobro de esforço. Mas não vão nos parar, continuaremos lutando para conquistar nossos direitos, principalmente porque não podemos aceitar que mulheres pobres e trabalhadoras morram por aborto clandestino.

Que o ódio e a raiva se convertam em luta!

Por Patricia e todas, precisamos de:

– Educação sexual para decidir, contraceptivos para não abortar, aborto seguro, legal e gratuito para não morrer.

-O povo nas ruas já se pronunciou no 8A! Aborto legal já, por decreto de Necessidade e Urgência para evitar mais mortes!

– Chega de justiça machista! Justiça para Patricia!

– Separação da Igreja do Estado já!

Tradução: Tae Amaru