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Nos últimos dias, foi tomando força a noticia sobre a reabertura das negociações salariais e um reajuste salarial para os trabalhadores de vários sindicatos.
A partir da renegociação dos Caminhoneiros, que levou seu aumento a 40% anual, somaram-se outros sindicatos conseguindo reajustes similares e fala-se dessa cifra como referencia para o resto dos sindicatos.

Por: PSTU Argentina

Um ano de lutas

Em primeiro lugar há que dizer que os sucessivos aumentos conquistados até agora foram resultado da infinidade de lutas que os trabalhadores travam em seus locais de trabalho e em cada região. E, fundamentalmente, das paralisações gerais que as centrais tiveram que convocar pela pressão que os trabalhadores exerceram sobre seus dirigentes, impondo-lhes as medidas.

A paralisação geral de junho impôs que o mísero aumento inicial de 15%, que o governo pautou no início do ano, furasse e alguns sindicatos chegaram a 25%.
E após a paralisação geral de setembro, alguns sindicatos começaram a renegociar acordos salariais ao redor de 40%.

Os dirigentes querem suspender a paralisação que eles mesmos anunciaram

Porém, ainda que estes aumentos foram resultado de nossa luta, também é verdade que devemos continuar lutando porque eles não foram para todos e, além disso, ainda são insuficientes, já que não compensam a inflação anual.

Estes 40% ao mesmo tempo são uma armadilha que o governo e as câmaras empresariais deram para alguns sindicatos “chave” para evitar a todo custo a convocatória para uma nova paralisação geral em novembro.

E preparando uma nova traição, alguns dirigentes já começaram a arrefecer e relativizar o anúncio que eles mesmos fizeram de convocar uma mobilização para este mês, assim que a CGT acordou com o governo um abono de fim de ano que parece uma fraude. Um abono que até o momento tem o teto de $5000, mas que não tem piso, para que as patronais que não tem condições possam pagar bastante menos que essa soma.

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Isso sem contar que na reunião com a CGT, o governo não deu nenhuma resposta à reivindicação de frear as demissões.
Como todo ano, aumentam as medidas de força, e quando as convocam porque já não lhes resta outra opção, porque se não suas bases lhes passam por cima, o fazem sem nenhum tipo de continuidade.

Dizemos que é insuficiente porque não é um 40% mais, pois se chega a essa cifra somando os aumentos anteriores. E, além disso, é em cotas que só se termina de receber ano que vem (por exemplo, petroleiros de Pereyra em fevereiro; e Caminhoneiros em maio de 2019!).

Contudo, para a maioria dos trabalhadores, o poder aquisitivo do salário durante 2018 caiu pelo menos 12%. E as grandes empresas já começaram a se preparar anunciando que essa diferença não seria compensada o ano que vem (1).

Se é isto o que os sindicatos com maior peso conseguem e que geralmente fecham as negociações salariais mais altas, é claro que para o resto o aumento será menor. Mas se cada sindicato negociar por sua conta.

Que não nos dividam. Paralisação geral para lutarmos todos juntos

Por isso continua sendo necessário que o anúncio da paralisação geral para novembro se concretize, que coloquem uma data para começar a prepará-la a partir de cada local de trabalho.

Não podemos lutar separados. Temos que exigir e impor a paralisação geral para lutarmos todos juntos por um aumento geral de salários de 40% para todos os trabalhadores, de uma só vez. E só a partir daí qualquer acordo extra por sindicato ou por empresa.

Temos que exigir de nossos dirigentes a paralisação geral, para lutarmos todos unidos por um aumento geral de 40% para todos os trabalhadores, pressionando desde abaixo, realizando assembleias, para exigir a paralisação geral e plano de luta, enquanto colocamos de pé uma nova direção para o movimento operário.

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Fora Trump, Macri, o G20 e o FMI.

Porém, além desta luta pela defesa de nosso salário, em 14 de novembro o Senado deverá discutir o orçamento para 2019 no fim do mês vai se reunir a cúpula do G20 em Buenos Aires. Nosso salário está atado a esse orçamento e aos planos que os amos do mundo têm para nós. Isto é, a luta pelo nosso salário é a mesma que a luta contra o orçamento 2019 e o G20.

Por isso a paralisação tem que ser no dia 14 para impedir que se vote o orçamento 2019 e com continuidade em um plano de luta para que em 30 de novembro, quando Trump vier se reunir com o G20 em nosso país, os trabalhadores parem o país e estejam de pé contra os planos de saque, fome e miséria que Macri, como bom capacho que é, vem tratando de implementar a reforma previdenciária, trabalhista, fiscal e com o orçamento 2019 que tira os fundos para a saúde, educação e trabalho e os destina para pagar os usurários do FMI.

(1)https://www.lanacion.com.ar/2188458-en-2019-grandes-empresas-daran-aumentos-equivalentes

Tradução: Lilian Enck