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A ampla maioria dos trabalhadores e setores populares querem que Macri se vá. Mas dirigentes políticos e sindicais, ainda que nos seus discursos nos digam que “a fome não pode esperar”, na realidade bancam Macri para que este chegue até outubro. Por ele, a luta eleitoral vai tomando importancia. De maneira distorcida, será um momento quando debateremos que país devemos construir.

Por PSTU-Argentina

Assim vemos como Cambiemos não pára de desmoronar eleição após eleição mas insiste com a reeleição de Macri. O setor do peronismo mais reacionário, Alternativa Federal, não consegue fechar com Lavagna nem nenhuma candidatura que gere entusiasmo. Neste marco, muitos companheiros veem com expectativas que a “unidade de uma grande frente opositora patriótica” lançada por Cristina possa terminar com estes 4 anos de terror que estamos vivendo os trabalhadores e o povo pobre.

Não compartilhamos essas opiniões. E a respeito, queremos convidá-los a refletirmos juntos. Para sair da crise: devemos confiar mais uma vez nos mesmos dirigentes que já fracassaram e nos trouxeram até aqui? Os trabalhadores podemos ganhar algo com um acordo com os empresários e o FMI? Ou devemos lutar para levantar nossa própria alternativa eleitoral e aproveitar a campanha para organizar a grande rebelião que precisamos para romper com o FMI e usar esse dinheiro para dar trabalho, moradia, saúde, e educação?

A dívida ou a vida

A imensa maioria dos trabalhadores quer tirar este governo de cima. Muitos dizem que não haverá nada pior que isto. Qualquer um que venha será melhor. Dizem-nos que “com Cristina estávamos melhor”. “Pelo menos tínhamos trabalho” “O dinheiro dava”, dizem as companheiras e companheiros aposentados. E comparando tem razão quando asseguram que “não havia nada pior que isto”.

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Poderíamos argumentar que com os bilhões que foram pagos de Dívida Externa sob os governos kirchneristas, os bilhões que as multinacionais e grandes empresários levaram, que “levaram de baciada”, segundo Cristina, seguramente  hoje não estaríamos assim.

Seguramente muitos companheiros coincidirão conosco, mas nos dirão que como estamos tão mal, qualquer coisa, por menor que seja será melhor que isto. Que seguramente conseguiremos renegociar e com isso se colocarão em marcha as fábricas paradas e o desemprego diminuirá.

Entretanto, os próprios candidatos, nos dizem o contrario. Somente repetem que a dívida há que ser paga sim ou sim e que respeitarão os acordos com o FMI. O que ocultam é o que isso significa: que para pagar os credores continuarão castigando o povo trabalhador, que somente pode haver acordo se se aprofunda o ajuste.

Os candidatos do FMI

Macri assegura que não se abaixa e que vai fazer o mesmo que fez com maior intensidade, apesar das pressões de seus aliados radicais e do próprio PRO para abaixá-lo, será o candidato.

A “grande jogada” de Cristina Kirchner colocando como candidato a Presidente Alberto Fernández pareceria ter conseguido um grande consenso entre governadores, dirigentes políticos e gremiais que se distanciaram do kirchnerismo. E se ontem era “Ela ganha dele”, hoje “é com todos”.

Isto para muitos foi uma surpresa. Os que antes criticaram duramente Cristina, hoje estão à cabeça das listas como o próprio Alberto Fernández. Os governadores do PJ que vem aplicando severos ajustes contra funcionários estatais e professores, hoje se abraçam. Economistas conservadores e liberais, críticos do “populismo” de Cristina e do PJ, são os “conselheiros” do candidato presidencial. Os que votaram para Macri as leis de orçamento, contra os aposentados, hoje empurram o mesmo “carro”.

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Por acaso, Alberto Fernández foi bem claro: “Teremos que assumir o desastre que eles vão nos deixar. Pagar teremos que pagar como sempre o fizemos”.

Lavagna que parecia ter consenso como “cavalo do comissário”, parece hoje muito desvalorizado e com pouca margem ante o anúncio de Fernández. Não fecha com Schiaretti e Urtubey da Alternativa Federal ainda que tenham o mesmo discurso: pagar, pagar e pagar as dívidas, modernizar as relações de trabalho, ou seja reforma trabalhista. “Competitividade” (maior superexploração), etc.

Massa continua desfolhando a margarida. Sua Frente Renovadora o empurra a um acordo com Cristina e o PJ. Mas ele, todavia diz que não se abaixa e naufraga entre o que fica do “peronismo não kirchnerista”, e até se fala de alguma negociação pela possibilidade de ser “coletora” de Vidal e do kirchnerismo.

Os dirigentes da CGT e da Frente Sindical de Moyano-Palazzo-Yasky vem fazendo “boa letra” freando qualquer transbordamento que possa levar à queda do governo. É que apostam agarrar algumas candidaturas e pequenos postos no estado. Mas sua grande jogada é lutar a “cadeira das negociações” em um futuro “acordo Nacional” ou “Pacto” que lhes permita arranhar uma porção maior.

Operações e discursos há por todos os lados. Mas sobre propostas conhece-se muito ou nada. Parece uma verdadeira farsa, que quem esteve “do outro lado do mostrador” até faz muito pouco, hoje nos digam que “Macri fracassou” como se não tivessem tido nada que ver com o assunto.

No que todos concordam é em que há que se pagar sim ou sim os banqueiros.

A rosca da provincia de Buenos Aires

Na província de Buenos Aires, principal distrito eleitoral do país, Vidal que é quem tinha a melhor imagem, hoje sofre as consequências do desastre macrista e do mau governo próprio: Gatilho fácil, marginalidade, pobreza, desemprego, feminicídios e violência contra as mulheres e as opressões, etc colocaram para baixo aquela imagem para mostrar o pior das governantes patronais.

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Pelo lado do kirchnerismo, Kiciloff e Magario, fazem sombra a Vidal escondendo os acordos com as igrejas evangélicas, e setores reacionários. Salvo que fechem com Massa, essa será a fórmula K para a província.

Alternativa Federal, que não tem candidatos de peso, inclusive negocia um acordo com Vidal. Rosca sem nenhuma coerência. Como diz o tango: “estamos no mesmo lodo, todos ‘manuseados’”.

Tradução: Lilian Enck