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Na madrugada de ontem (25/10), o Governo conseguiu aprovar o Orçamento de 2019. Eram 05h46min da manhã quando a aliança Cambiemos, com o apoio de um setor do peronismo, conseguiu os votos para que os deputados dessem meia sanção ao orçamento do FMI.

Por: PSTU-Argentina

Nunca a frase “entre gallos y medianoche” (furtivamente, sem ninguém saber ndt.) foi tão bem aplicada para este Congresso. Que novamente deu as costas a milhões de trabalhadores. Da mesma forma que a Reforma da Previdência e a lei pelo direito ao aborto, mais uma vez se desrespeita a reivindicação dos milhares que se mobilizaram para rechaçar esta entrega.

Este orçamento reduz as verbas em quase todos os setores, na saúde e educação principalmente, para destinar esses fundos exclusivamente ao pagamento da Dívida Externa e ao FMI.

Ajuste e pancadas contra o povo

Tudo estava planejado. Um Congresso militarizado, o conluio com os governadores e a “oposição” no recinto, os meios de comunicação e jornalistas comprados preparando o terreno nas telas, e uma repressão brutal sobre os milhares que se mobilizaram na Plaza Congreso.

Novamente sofremos a repressão desatada, houve quase 30 detidos, com uma campanha mediática estritamente coordenada nos meios de comunicação para “vitimizar” a polícia e impedir que continuasse multiplicando-se os manifestantes que não paravam de chegar aos arredores do Congresso.

De maneira vergonhosa e descarada, a imensa maioria dos meios de comunicação pagos pelo Governo tentam estabelecer que todos os que se mobilizaram ante estes atropelos não tem o direito a defender-se da repressão, das balas e pancadas, com a desculpa de serem respeitosos ao “debate democrático dos representantes eleitos pelo povo”.

Que respeito podemos ter se o que está em jogo são nossos empregos e o prato de comida em nossos lares? De que democracia nos falam se estes deputados mentiram descaradamente em suas campanhas e juraram que nunca iriam ajustar?

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Se realmente ele nos representassem em alguma coisa, não haveria milhares de trabalhadores mobilizados nas ruas cada vez que esta corja de bandidos faz uma sessão e trata de uma lei importante. E se realmente votassem leis favoráveis aos trabalhadores não deveriam ser defendidos pelos meios de comunicação comprados e pela polícia.

Cinicamente quiseram novamente demonizar a imagem de Sebastián Romero enquanto ocultavam a infiltração policial traiçoeira e a fraude que se perpetrava portas adentro. E ainda mantém nosso companheiro Daniel Ruiz preso pelo simples fato de mobilizar-se enquanto todos os corruptos deste Congresso e os empresários “arrependidos” estão livres em suas casas.

Agora, a Direção de Migrações quer expulsar do país os quatro imigrantes detidos durante a mobilização (dois venezuelanos, um paraguaio e um turco). Uma barbaridade! Os estrangeiros que tem que expulsar são os Benetton e Morgan, todos os terratenentes e as multinacionais, que se enriquecem à custa de nossas vidas e nosso trabalho.

Sem a ajuda do PJ não há orçamento para 2019

Macri, junto com os radicais, são serventes do FMI e do G20. Por isso querem entregar o país ao imperialismo. Mas sem a ajuda dos governadores, dos que se sentaram para dar quórum e depois se abstiveram, e dos 33 deputados peronistas que votaram a favor, não poderiam ter aprovado esta atrocidade.

Para além do discurso de oposição, todos concordam com o ajuste e somente se posicionam pensando nas eleições de 2019. Se realmente estivessem contra, se negariam a aplicar o ajuste nas províncias que governam, como Alicia Kirchner em Santa Cruz.

O mesmo acontece com as direções sindicais. A CGT, ao invés de aprofundar as medidas após a paralisação nacional de setembro, limitou-se a dizer que possivelmente chamem para uma paralisação em novembro. Não fizeram absolutamente nada além de alguma declaração de rechaço. São uma vergonha. Para derrubar o Orçamento na quarta-feira dia 24, tinham que ter parado o país e chamado a mobilização para impedi-lo.

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Os dirigentes do 21F e a Frente Sindical para o Modelo Nacional, encabeçado pelo moyanismo, a Corriente Federal e o SMATA (Sindicato de Mecânicos e Afins do Transporte Automotor) também não estiveram à altura. Ao invés de colocar tudo nesta queda de braço, juntaram-se à direção Kirchnerista em uma marcha à Basílica de Luján 4 dias antes, onde a única coisa que fizeram foi “chamar para rezar para que o governo gere trabalho”.

É claro que não querem lutar a sério para derrotar já o Governo e tirar o FMI, somente ameaçam e realizam algumas ações para brigar nas previas do PJ (Partido Justicialista), inclusive com a Igreja que acaba de travar uma feroz batalha contra o direito de eleger o momento da maternidade das trabalhadoras e das mulheres pobres.

Também não se salvou dessa vergonha a Unidad Ciudadana de Cristina, como demonstraram os deputados de San Luis que aprovaram o projeto. De maneira confusa e pouco confiável, Alberto Rodríguez Saá quis descolar-se, mas ficou manchado justo depois de compartilhar um ato de lançamento junto a figuras kirchneristas como Andrés “Cuervo” Larroque, Axel Kicillof, Diana Conti e Mario Secco.

Dinheiro para trabalho, saúde e educação, NÃO para o FMI!

A única solução para sair da crise é não pagar nem um centavo aos bancos e especuladores que geraram esta crise. Precisamos deste dinheiro para dar trabalho, salários, saúde, moradia e educação. São eles ou nós. Por isso esta medida, junto com outras, deve fazer parte de um plano de emergência operária e popular.

Está evidente que para enfrentar Macri e este orçamento de fome, não servem as especulações eleitorais, os acordos com personagens nefastos e o lobby parlamentar.

É preciso impulsionar a organização dos trabalhadores para colocar em pé um plano de luta para enfrentar nas ruas os ataques do governo, o FMI e o G 20.

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A luta é agora, não podemos esperar 2019. Temos que obrigar os dirigentes sindicais a convocar já uma paralisação de 48 horas. E precisamos que seja com mobilização, construída a partir de cada local de trabalho com assembleias, para obrigar os sindicatos a garantir que todo mundo possa participar.

Tradução: Lilian Enck