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Trump quer dividir os trabalhadores para nos derrotar

A chegada de Trump à Casa Branca começou com uma acumulação de portarias do Executivo que atacavam brutalmente os setores mais vulneráveis da classe trabalhadora, começando pelos imigrantes muçulmanos. O novo presidente dos Estados Unidos está aplicando uma estratégia extremamente cruel e reacionária para dividir nossa classe e destruir nossos direitos: por um lado, está atacando as mulheres, imigrantes, muçulmanos e indígenas para criar caos, medo e um sentimento de desamparo nesses setores; por outro, está fingindo defender os interesses da “classe trabalhadora branca” com falsas promessas de mais empregos e segurança econômica.

Por: Florence Oppen

Para derrotar este assalto aos nossos direitos democráticos e condições de vida, precisamos unir nossa classe. Isto significa unidade e solidariedade na ação, defendendo os direitos daqueles que estão sob ataque e denunciando a farsa de que as políticas econômicas de Trump beneficiarão os trabalhadores. Devemos ser muito claros com o setor de trabalhadores que Trump está tentando enganar: não será obtida nenhuma vantagem para nenhum setor de trabalhadores apoiando esse governo, nem mesmo as “boas políticas” de Trump, que Sanders, Warren e outros do Partido Democrata e líderes sindicais estão defendendo. Não há apoio verdadeiro de longo prazo que possa vir deste governo, não há acordos possíveis com um empresário que alimenta a supremacia branca.

Depois desta primeira rodada de ataques divisionistas e o anúncio pelo Partido Republicano de uma nova legislação de “direito ao trabalho”, está claro que teremos que lutar contra o rosto mais brutal do poder empresarial e do terror imperialista. Devemos organizar ações e mobilizações que conduzam a uma verdadeira greve geral no 1º de Maio.

A verdade por trás das promessas de Trump de criar novos empregos

Durante a campanha, Trump prometeu criar 25 milhões de novos empregos. Ele está tentando vender sua rejeição ao Tratado Transpacífico (TPP), sua exigência de renegociar o Tratado Norte-americano de Livre Comércio (NAFTA) e a ameaça de imposição de tarifas aos produtos importados da China como um compromisso de “trazer de volta os postos de trabalho” aos Estados Unidos. O problema é que os empregos que voltam – se voltarem – não são os mesmos que as multinacionais levaram embora. São empregos de “baixo custo”, isto é, baixos salários, sem benefícios, empregos sem organização sindical, em que os trabalhadores estão “à disposição” e à mercê do patrão.

Trump diz que “forçará” as empresas a trazer seus postos de trabalho de volta aos Estados Unidos, ameaçando aplicar tarifas e impostos como represália. No entanto, Trump não está obrigando as corporações a fazer nada. Ele está trabalhando com elas. Esta é a razão pela qual um de seus primeiros movimentos no final de janeiro foi reunir uma força-tarefa de 28 membros para assessorar a Casa Branca, chamada de “Iniciativa de Fabricação de Empregos”, composto por líderes empresariais e sindicais, com o objetivo de trabalhar “a melhor forma de promover o crescimento de empregos e fazer os americanos voltarem ao trabalho1.Trump prometeu às empresas que reduziria seus impostos dos atuais 35% para 20%, além de “cortar 75% das regulamentações” – seja o que isso possa significar em sua mente. Além disso, nessa força-tarefa encontramos os executivos da Ford, Caterpillar, Intel, Dow Chemical, US Steel, Dell, General Electric, Boeing, Tesla, Lockheed Martin’s, entre outros, representando os patrões e, infelizmente, Richard Trumka e Thea Lee representando a [central sindical pelega] AFL-CIO2. Só para ser claro: 26 executivos das mais poderosas multinacionais norte-americanas e… 2 líderes sindicais. Esta piada de um “equilíbrio de forças” deixa a intenção clara. Trump criou um laboratório de ideias com as maiores indústrias para continuar aumentando seus lucros e atacar os trabalhadores.

Portanto, o fato de que os executivos estivessem unanimemente satisfeitos com a iniciativa não deve nos surpreender. O espantoso é escutar Trumka dizer em uma declaração ao The Detroit News que “está ansioso para trabalhar nesta questão bipartidária para assegurar que nosso país continue líder na inovação industrial, assim como na criação de bons empregos”. Em seguida, ele culpa as “políticas comerciais” pela destruição de empregos, uma posição escandalosa para um dirigente sindical, que não deveria aderir ao fervor nacional patriótico para jogar os trabalhadores norte-americanos contra os trabalhadores de outros países. Há muito tempo os operários norte-americanos veem suas indústrias e comunidades dizimadas por políticas comerciais equivocadas e investimentos inadequados em especialização e infraestrutura.

No entanto, a declaração mais perigosa de Trumka foi, mais uma vez, o reforço ritual e repugnante ao chauvinismo branco no movimento operário, ou a versão “América Primeiro” do sindicalismo: “Sei que os trabalhadores norte-americanos são os melhores, os mais brilhantes e os mais esforçados. Ao invés de promover a solidariedade da classe trabalhadora e a unidade através das fronteiras, Trumka rende-se à ridícula retórica nacionalista de que os “trabalhadores norte-americanos” são “os melhores” e, por isso, merecem trabalhos às custas dos outros trabalhadores. Será que ele está levando em conta os 26 milhões de imigrantes na força de trabalho?3 Será que ele considera que as nações indígenas sejam “americanas”? Para que precisamos de patrões que criam concorrência entre os trabalhadores em todo o mundo se já temos nossos líderes sindicais para fazê-lo? Sabemos que, para conseguir bons empregos para todos, precisamos nos unir, por meio de sindicatos renovados e combativos e através das fronteiras para derrotar as multinacionais dos Estados Unidos e obter o que precisamos e merecemos!4

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Trump está ajudando as empresas a aprofundar a divisão da classe operária

Trump e este setor empresarial pretendem aprofundar a divisão entre os setores operários pró-sindical e antissindical dos Estados Unidos, um projeto aplicado durante décadas, pelo qual podem aumentar seus lucros sem os riscos e custos de novas transferências de postos de trabalho. Seu circo no Twitter, ao criticar alguns patrões e de dar a mão a outros, não é mais do que um acobertamento político para que as principais indústrias nacionais e estrangeiras continuem destruindo empregos industriais bem pagos neste país e os substituam por mão de obra barata nos estados que aplicam a lei de “direito ao trabalho”5. Trump permitirá a realização do sonho mais obscuro das multinacionais norte-americanas: reduzir os salários, eliminar as conquistas e destruir os sindicatos. E o mais espantoso de tudo é que a direção sindical concorda em ajudar.

Para isso, a “América sindicalizada” deve ser destruída, isto é, os empregos garantidos pelos acordos coletivos, com plano de carreira, aumento por tempo de serviço, proteções e benefícios que foram adquiridos lentamente ao longo de décadas e, lamentavelmente, somente beneficiam a um número muito reduzido de trabalhadores. E, enquanto o governo faz isso, Trump se engrandece e glorifica o “Velho Oeste Americano”, onde os patrões podem demitir os trabalhadores sem motivo, onde não há direito à negociação coletiva, onde os salários de pobreza, o assédio sexual, o racismo e a perda de benefícios são a nova norma. É por isso que Trump está tirando fotos com o executivo-chefe da Intel e felicitando-o pela abertura de uma nova fábrica no Arizona, um estado que aplica o “direito ao trabalho”, com uma taxa de sindicalização de 6% e um salário mínimo de 8 dólares por hora – abaixo da linha de pobreza, que é de 10,10 dólares por hora6.

O melhor exemplo do tipo de emprego da América industrial de Trump é o que acaba de acontecer com a realocação dos 3.000 trabalhadores da fábrica do 787 Dreamliner da Boeing, do estado pró-sindical de Washington para o estado de “direito ao trabalho” da Carolina do Sul, em meados de fevereiro. A taxa de sindicalização da Carolina do Sul é uma das mais baixas do país; somente 2% dos trabalhadores são sindicalizados e recebem um salário médio de US$ 15 por hora, enquanto que o estado de Washington tem uma taxa de sindicalização de 18% (acima da média nacional, que é de 11%) e um salário médio de US$ 20 por hora7.

A Associação Industrial de Maquinistas e Trabalhadores Aeroespaciais (IAM), que representa 30.000 trabalhadores da Boeing no estado de Washington, perdeu a votação pelo direito de sindicalização na nova fábrica por 2.097 a 731, em grande parte devido às agressivas táticas antissindicais da administração. Os gerentes forçaram os trabalhadores a participar de reuniões onde, segundo a Bloomberg News, os supervisores alegaram que a produção poderia ser transferida para a China se a fábrica aceitasse a sindicalização. Inclusive instalaram na sala de descanso da fábrica uma enorme tela mostrando fraldas e roupas de bebês no valor de US$ 800, representando o quanto os trabalhadores pagariam em anuidade sindical8.

Trump não “trará os empregos de volta”. Degradará qualitativamente as condições de vida e de trabalho de toda a classe trabalhadora e acelerará a destruição do meio-ambiente com empregos ruins, perigosos e de baixo custo. Não veremos os EUA serem “grandes de novo” (apesar do fato de que nunca foram); no lugar disso, veremos que o trabalho norte-americano se tornará mais barato, mais desprotegido e mais oprimido.

O embuste da indústria automobilística

Uma forte prova do embuste em curso já está visível na manipulação de Trump da crise da indústria automobilística. A mídia empresarial ficou em êxtase com o tweet de 3 de janeiro de Trump, dirigido à GM: “A General Motors está enviando o Chevy Cruze fabricado no México a concessionárias de automóveis dos Estados Unidos, sem impostos de importação. Fabrique-os nos EUA ou pague impostos de importação mais altos”. Duas semanas depois, como se tivessem organizado este pequeno espetáculo, a GM anunciou planos grandiosos para investir 1 bilhão de dólares em fábricas dos Estados Unidos e criar ou “reter” ao redor de 7.000 empregos nos Estados Unidos, principalmente na área de finanças e tecnologia (5.000 deles), e trazer 450 empregos de fornecedores mexicanos de volta aos EUA9.  É revoltante, para dizer o mínimo, que as multinacionais norte-americanas ganhem um tapinha nas costas por não destruir (isto é, “reter”) postos de trabalho aqui, dada a enorme quantidade de isenções fiscais que recebem e os lucros que obtêm de nosso trabalho. Também é enganoso, porque o Wall Street Journal revelou que a decisão da GM de trazer de volta os 450 postos de trabalho da fábrica American Axle & Manufacturing Mexico aos Estados Unidos foi uma decisão anterior à eleição de Trump, em pelo menos 18 meses10. Então, de que maneira Trump “obrigou” a GM a fazer algo pelos trabalhadores norte-americanos? Esta foi uma propaganda midiática pré-planejada em que ambas as partes saem ganhando e os trabalhadores saem perdendo.

A Ford também foi chamada por Trump, já que tinha a intenção de abrir uma montadora em San Luis Potosi (México), empregando 2.600 operários para a fabricação do modelo Ford Focus. Depois da “advertência” de Trump, os fabricantes anunciaram que não abririam essa planta e em seu lugar adicionariam 700 postos de trabalho à planta de Michigan11. Mark Fields, executivo-chefe da Ford, disse: “Este é um voto de confiança ao presidente eleito Trump e a algumas das políticas que ele está impulsionando12. A chantagem das multinacionais aqui é muito clara: se o governo cortar nossos impostos e se livrar dos sindicatos, para que possamos baixar os salários e cortar os benefícios, então podemos ficar.

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Agora, vamos dar uma olhada no comportamento real da indústria automobilística neste país, que não é mostrado nos tweets espetaculares de Trump. Em 18 de janeiro, a GM anunciou que 2.000 trabalhadores perderam seus empregos nos Estados Unidos: 1.200 na planta de Lorstown, em Ohio, e 800 em Lansing, Michigan. A maioria dos operários recebia salários mais altos, de US$ 25 a hora, enquanto que as fábricas nas redondezas pagam entre US$ 9 e US$ 12 a hora13. O mais decepcionante é que os dois sindicatos locais da UAW, o 1112 e o 1714, que representam esses trabalhadores, não lutaram contra as demissões, nem pediram a intervenção do governo. Além disso, estão programadas outras 1.300 demissões na GM de Detroit para o mês de março. Mas será que Trump fez um tweet sobre esses empregos e impôs sanções à GM? Será que ele ficou indignado porque, poucos dias depois que a GM prometeu criar empregos, a companhia demitiu 2.000 operários? Claro que não, porque seu plano é o mesmo da GM: eliminar os trabalhadores sindicalizados que recebem US$ 25 a hora e substitui-los por trabalhadores não-sindicalizados que ganham US$ 9 a hora. E ele ainda quer que não façamos nada!

As mentiras e a hipocrisia da administração Trump vão ainda mais longe. Trump faz tweets populistas “dirigidos” à GM e à Ford. Mas, curiosamente, não menciona a Chrysler. Até o Wall Street Journal mostrou a inconsistência do presidente neste assunto de “trazer empregos de volta” e “jogar duramente com os patrões”: “95% dos carros vendidos nos EUA pela Ford são produzidos localmente, segundo os dados de WardsAuto para os primeiros 11 meses de 2016. A cifra para a GM é de 83%. De acordo com isso, a companhia que Trump deveria estar realmente pressionando é a Fiat Chrysler: O número de automóveis fabricados nos Estados Unidos equivale a apenas 69% de suas vendas14. Por que Trump ainda não puniu a Chrysler e impôs impostos mais altos por não estar produzindo nos Estados Unidos? Porque a intenção de Trump não é deter a produção de automóveis mexicanos. Na verdade, ela está aumentando: “A capacidade das linhas de produção de veículos leves mexicanos pode duplicar entre 2010 e 2020”, devido à desindustrialização no período neoliberal15. Nos seis anos que se seguiram ao resgate financeiro de 2011, as Três Grandes abriram 11 novas montadoras, 9 delas ao sul da fronteira dos Estados Unidos. Trump sabe que, sob o sistema capitalista que ele valoriza e do qual se beneficia, estas mudanças não podem ser feitas. Somente a classe operária pode forçar estas mudanças, unindo-se e lutando internacionalmente em uma greve para parar a produção da GM e das demais. O objetivo de Trump é aumentar a capacidade das indústrias norte-americanas de obter lucros no país, reduzindo as condições de trabalho nos Estados Unidos aos níveis das do México, Brasil e outros países que as empresas norte-americanas ocupam.

O petróleo e as indústrias automobilísticas agravarão a crise ambiental

Não importa às indústrias automobilísticas e petrolíferas que a crise ambiental mundial esteja se acelerando. Trump está aí para ajudá-las. Há uma divisão entre os setores industriais: de um lado, as empresas – em crescimento – de energia limpa e de emissão zero (que fingem defender o meio-ambiente, mas qualquer avanço ambiental é somente um truque de marketing na sua corrida por mais lucros). Do outro, as indústrias baseadas no petróleo e as de sua extração. Está claro que Trump representa os interesses da indústria petrolífera, levando-se em conta a nomeação de Rex Tillerson (executivo da Exxon-Mobile) e de Scott Pruitt, (que nega a mudança climática) para dirigir a Agência de Proteção Ambiental (EPA).

Em 24 de janeiro, Trump reuniu-se com as Três Grandes (Barra pela GM, Fields pela Ford e Marchionne pela Chrysler). Fez uma declaração pública de que o seu governo “fará o processo muito mais simples para as companhias petrolíferas e para todas as demais que quiserem fazer negócios nos Estados Unidos16. E continuou: “Tenho amigos que querem fabricar nos Estados Unidos”, referindo-se à três empresas líderes em exportar empregos, “elas levam anos e anos, e não conseguem permissões ambientais sobre algo que ninguém ouviu falar antes. É absolutamente insano17.

Está claro que Trump quer revogar as regras da EPA [Agência de Proteção Ambiental], que estipulam que“os automóveis vendidos nos EUA consumirão em média 54,5 milhas por galão (mpg), ou 40 mpg nas condições reais de tráfego até 2025”, já que realmente ameaçam os lucros das três grandes.18 Esta aliança também pretende acabar ou minimizar as normas californianas para energia limpa que estabelecem que os automóveis de emissão zero deverão representar 15% das vendas totais até 2025. Embora a Ford e a GM estejam investindo em veículos híbridos, a Toyota domina o mercado de veículos leves híbridos (com 73% das vendas, seguida pela Honda) e os carros elétricos Tesla nesta área em crescimento são uma grande ameaça à indústria automobilística tradicional.19

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Como trabalhadores, somos pegos nesta luta entre diferentes setores industriais, mas para nós é claro que somente uma economia planificada, por e para os trabalhadores, pode resolver a crise ambiental e tomar as decisões sobre o que e como produzir. Enquanto estas decisões estão nas mãos de corporações multinacionais, o tempo para a destruição de nosso planeta passa rápido. O que está claro é que, nesta luta, Trump está alinhado com as forças capitalistas que não se preocupam com o aceleramento do aquecimento global e a destruição do ecossistema do planeta. É também por isso, pelo bem do planeta, que o movimento operário deve lutar contra o acordo de Trump com a GM, Ford e Chrysler para revogar as normas de proteção.

Precisamos de um movimento sindical que lute pelos trabalhadores e pelo meio ambiente

Devido à situação atual, precisamos reconstruir nosso movimento pela base, com os milhares de ativistas sindicais comprometidos, com os líderes locais progressistas e os organizadores de base, para deter qualquer colaboração [da burocracia sindical] com Trump, para organizar a resistência contra todos esses ataques. A colaboração da direção da AFL-CIO com o presidente mais antissindical da história, Trump, passou dos limites.

Não podemos permitir que se percam mais postos de trabalho sem lutar e organizar a solidariedade entre os setores. Não podemos permitir mais privatização de escolas, serviços e sistemas de dois níveis salariais20 para a força de trabalho. Não podemos esperar que a legislação sobre o “direito ao trabalho” seja aprovada para depois reclamar do “estado lamentável da mão de obra norte-americana” e assistir o mínimo histórico de sindicalização de 10% se converter em zero. Precisamos nos mobilizar para uma greve nacional contra Trump, defender nossos sindicatos, defender nossos empregos e exigir mais empregos, lutar por um aumento substancial do salário mínimo vital21, implementar um salário de US$ 15/hora, exigir benefícios completos para todos e assistência médica universal, licença maternidade e férias pagas.

Também precisamos de um movimento sindical democrático, que envolva os trabalhadores e ouça suas preocupações, no lugar de ter organizadores profissionais que se submetem aos dirigentes burocratas e esmagam qualquer tentativa genuína de organização no local de trabalho. Precisamos de um movimento sindical independente, que não faça acordos com os patrões, nem apoie nenhum dos dois partidos das multinacionais [Democratas e Republicanos], que traem repetidamente os trabalhadores. Ao contrário, precisamos usar esse poder e dinheiro para pôr na ordem do dia iniciativas apoiadas pelos sindicatos e comunidades para cobrar impostos dos ricos, e organizar os membros da base e das comunidades para unir a classe operária e seus sindicatos com os movimentos sociais.

Finalmente, precisamos de um movimento sindical que se oponha ao banimento dos muçulmanos (como fez a New York Taxi Alliance) e ao muro na fronteira, que apoie o fim imediato das batidas policiais, das deportações e exija documentação para todos. Precisamos de um movimento sindical que se oponha aos assassinatos racistas da polícia, como fez o sindicato local UAW 2865, e que denuncie todos os projetos neocoloniais respaldados pelas multinacionais norte-americanas, seja o oleoduto Dakota Access ou o financiamento do Estado colonizador de Israel. Muitos membros das comunidades e sindicatos estão consternados com o silêncio da direção da AFL-CIO em relação ao papel da polícia na proteção e reforço da epidemia de assassinatos racistas contra os membros negros e latinos da classe trabalhadora, ou pelo fato de que se uniu às empresas construtoras do oleoduto em Dakota do Norte. É hora de construir algo diferente, e unir as iniciativas locais que têm surgido, como o Labor Rising Against Trump [Resistência dos Trabalhadores contra Trump] na Bay Area (Califórnia) e muitos outros.22

Notas:

1. TheWall Street Journal, 9 de fevereiro de 2017.

2. http://news.thestreet.com/philly/story/13969649/1/trump-announces-manufacturing-jobs-initiative-to-be-joined-by-musk-fields-immelt.html

3. https://www.bls.gov/news.release/pdf/forbrn.pdf

4. http://www.detroitnews.com/story/news/politics/2017/01/27/trump-taps-mich-business-leaders-jobs-initiative/97135262/

5. O “direito ao trabalho” (right-to-work) é uma lei antissindical que impede a sindicalização de trabalhadores. Nos Estados Unidos, apenas os sindicalizados têm os direitos do acordo coletivo de trabalho garantidos.

6. https://www.bls.gov/regions/west/news-release/unionmembership_arizona.htm

http://www.azleg.gov/Briefs/Senate/LABOR%20EMPLOYMENT%20LAWS.pdf

7. https://www.bls.gov/regions/west/news-release/unionmembership_washington.htm

8. http://labornotes.org/blogs/2017/02/viewpoint-boeing-vote-was-not-referendum-organizing-south

9. http://fox43.com/2017/01/17/gm-announces-7000-u-s-jobs-investing-additional-1-billion-in-u-s-manufacturing/

10. The Wall Street Journal, 20 de janeiro de 2016.

11. https://www.theguardian.com/business/2017/jan/03/donald-trump-general-motors-tax-chevrolet-cruz

12. The Wall Street Journal, 20 de janeiro de 2016.

13. http://money.cnn.com/2017/01/18/news/economy/donald-trump-gm-lordstown-job-cuts-ohio/

14. “U.S. Car Makers Unlikely Patriots”, The Wall Street Journal, 11 de janeiro de 2017.

15. “U.S. Car Makers Unlikely Patriots”, The Wall Street Journal, 11 de janeiro de 2017.

16. The Wall Street Journal, 24 de janeiro de 2017.

17. http://news.morningstar.com/all/dow-jones/durables/201701248057/trump-criticizes-environmental-regulations.aspx

18. The Wall Street Journal, 13 de fevereiro de 2017.

19. http://www.hybridcars.com/hybrid-sales-rising-globally-says-toyota/

20. Existente desde o início da crise econômica de 2008, em que os trabalhadores mais novos recebem cerca de metade do salário dos mais antigos.

21. O salário mínimo vital é calculado de acordo com o custo de vida local, de forma que uma pessoa viva acima da linha de pobreza.

22. https://laborrisingagainsttrump.wordpress.com/

Tradução: Lilian Enck