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Acompanhe a transmissão ao vivo pelo site da LIT-QI a partir das 16h (horário de Brasília)

Neste domingo, as comunidades de trabalhadores e negros marcharão, em Berkeley, para protestar contra a marcha fascista convocada sob o slogan “Não ao Marxismo na América”.

Por: A Voz dos Trabalhadores – EUA

Será uma importante marcha, por diversas razões. A primeira é que está organizada por uma impressionante coalizão de grupos sociais, sindicatos, comunidades e grupos religiosos que creem que as manifestações de supremacia branca e ideologias antitrabalhadores não podem ficar sem resposta. Os fascistas e seus aliados têm que ser derrotados politicamente, com participação massiva e uma mensagem retumbante: aqueles que acreditam que o racismo, o machismo, o sexismo e a homofobia encontrarão lugar em nossas cidades, locais de trabalho, campos e comunidades estão destinados ao fracasso. Então, no domingo, mostraremos não apenas quantidade, mas também determinação política para enfrentar essas ideias e aqueles que querem nos oprimir ou atacar.

A coalizão Unite for Freedom from Right Wing Violence in the Bay Area [Unidos pela Liberdade contra a Violência da Direita na Área da Baía, em tradução livre], que começou com grupos socialistas comprometidos em construir uma ampla frente de unidade, mantendo nossa independência em relação aos partidos corporativos e políticos eleitos, conquistou o apoio real de trabalhadores, em especial de alguns sindicatos chave, muitos deles ativos no Labor Rising [Labor Rising Against Trump, Levante dos Trabalhadores Contra Trump, em tradução livre]. Vamos mencioná-los porque são corajosos em levar isto à frente: UAW 2865 (assistentes de professor da Universidade de Berkeley), UC-AFT (livreiros e professores/oradores), AFSCME 3299 (trabalhadores de custódia na universidade), UPTE-CWA 9119 (trabalhadores técnicos na universidade), BFT (K-12 professores na cidade) e SEIU 1021 (trabalhadores públicos da cidade). Outros sindicatos se somaram depois, como a Liga de Professores Universitários (PFT, AFT 1603), os Pós-Doutorados (UAW 5810), a Coalizão de Trabalhadores Técnicos, o Sindicato de Trabalhadores Estudantes e os Conselhos do Trabalho de São Francisco e Alameda. Além disso, ILWU Sede 10 também convocou uma paralisação e marcha pelos protestos em São Francisco. É por isso que deveria ser uma alternativa à direção atual da AFL-CIO, e é por este motivo que precisamos apoiar e pressionar sobre estes passos centrais que alguns sindicatos dão, mostrando direção e colocando-se no lado correto em um tema determinante, que divide a classe trabalhadora: racismo e supremacia branca.

É também central termos em nossa coalizão, desde o início, algumas organizações muçulmanas (CAIR), negras (BSU) e judias (Vozes Judias pela Paz), bem como outras importantes organizações que se somaram durante o planejamento do pós-Charlottesville, como o Projeto Polícia Anti-Terror, em Oakland, que tem uma base importante na comunidade negra desta cidade. Hoje, mais de cem sindicatos, comunidades e organizações de esquerda da Área da Baía de São Francisco apoiam nossa marcha. Este é um fato sem precedentes, uma frente unitária.

A coalizão discutiu, desde o início, que a prioridade seria alcançar a mobilização de massas e mudar o marco político da marcha: nós, os socialistas, marxistas, sindicatos e comunidades, somos os defensores dos direitos civis e democráticos. Fomos isto historicamente e assim seguiremos. A “Alt-Right” [Alternativa de Direita], que junta neonazistas e muitas outras forças reacionárias e fascistas, são o contrário: oprimem, torturam, matam, deportam pessoas, apoiam os genocídios, etc. Todo o mundo deve saber quem são eles, como são perigosos e violentos, e o quanto estamos determinados em derrotá-los. É por isso que sempre convocamos manifestações pacíficas e construímos democraticamente nossa própria força de segurança, independente da polícia, que protegeu os fascistas no passado, para reforças o caráter pacífico da mobilização. Mas também sabemos, e a história mostrou, que palavras e argumentos, lamentavelmente, não são suficientes para derrotar o fanatismo fascista. Eles insistem e continuam com seus ataques, mesmo após terem sido derrotados politicamente, como ocorreu em Boston. Nós, socialistas, estamos determinados a derrotá-los militarmente. No domingo, organizaremos uma marcha pacífica saindo do ponto de encontro até onde os fascistas estarão, para mostrar-lhes que não temos medo e acreditamos em nosso direito de nos autodefender contra seus ataques, em qualquer lugar e momento.

Finalmente, a marcha deste domingo é muito importante porque demonstrou até que ponto vai o governador da cidade, Jesse Arreguin, um suposto “democrata progressivo”. Nossa coalizão não pediu permissão para realizar uma contra-mobilização pacífica. Fizemos o que nos parecia correto. O governador, inicialmente, se opôs fortemente e nos alertou que nossa ação era ilegal, chamando as pessoas a ficarem em suas casas para “estarem a salvo”; a melhor resposta que deu àqueles que querem proteger nossa comunidade foi não nos envolver. Fazer isso evita que aqueles que estão prestes a conseguir a atenção para a sua causa tenham sucesso. E esse é, de fato, seu principal objetivo. No entanto, os sindicatos consideraram inaceitável essa atitude de neutralidade em relação à violência da supremacia branca, e se reuniram com o governador, que foi derrotado e teve que autorizar a marcha. Agora, está impulsionando-a e, embora comemoremos que finalmente reconheça nosso direito constitucional de realizar assembleias livres, queremos demonstrar a todo o mundo que, na luta contra o racismo, a supremacia branca, o fascismo e os ataques à organização sindical, os trabalhadores somente podem se apoiar em si mesmos. Não podemos confiar nos Partidos Democrata e Republicano, temos que construir pacientemente e desde as bases, e mostrar nossa unidade na ação. Porque sim, podemos e vamos derrotá-los.

Tradução: Isa Pérez

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