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O que antes o departamento de imigração, supostamente, só fazia contra criminosos de guerra nazistas e pessoas que haviam violado os direitos humanos, hoje se aplica aos imigrantes, sem ter nenhuma dessas características especificadas, isto é, revogar a cidadania já obtida anos atrás, processar ou deportar. Tudo isso começou a fazer parte da repressão desencadeada contra as comunidades de imigrantes e, apesar de não conhecermos as estatísticas de quantas pessoas já foram atingidas, este já é mais um elemento repressivo adicionado aos métodos abusivos da administração Trump.

Por: José López – Corrente Operária – Los Angeles/ Califórnia (EUA)

Efetivamente, uma equipe de Serviços de Cidadania e Imigração em Los Angeles esteve revisando mais de 2.500 arquivos de naturalização para retirar a cidadania de pessoas que, sob essa nova forma de repressão, e com várias novas sinalizações para criminalizar imigrantes, já opera como um departamento exclusivamente para isso.

O jornal “HOY” em Los Angeles estampou na primeira página de uma de suas publicações (17/08/2018): “NINGUÉM ESTÁ A SALVO, agentes federais investigam arquivos de naturalização para possivelmente lhes retirar a cidadania”.

O artigo relata que várias agências do governo dos Estados Unidos estão criando um departamento que investiga minuciosamente os cidadãos que segundo eles, ou seja, o governo de Trump, suspeitam de terem cometido irregularidades em seus processos para que sejam investigados e considerados culpados, custando-lhes a cidadania e a respectiva deportação.

Com isso, o Estado é quem aponta os suspeitos, investiga, determina os crimes e, estabelece a culpabilidade. Política repressiva que atenta contra qualquer pessoa que o governo qualifique como indesejável, ou considerada perigosa ou simplesmente não a queira no país.

E que, sem dúvida, será vítima de racismo, supremacia branca e ódio nazista que tem particular destaque na atual administração, mas que foi característica em maior ou menor grau presente em todas as administrações existentes até hoje nos Estados Unidos, mas não através de medidas estabelecidas por lei como agora.

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De fato, estão construindo uma máquina bem mais repressiva que a existente, e será utilizada para reprimir não apenas os imigrantes sem documentos, mas qualquer cidadão pertencente a uma das minorias existentes no país, ou contra qualquer pessoa que lute em defesa dos direitos democráticos do povo, que se organize contra a discriminação às minorias ou que de forma geral se oponha às políticas dos democratas e republicanos.

Embora os democratas tenham ensaiado fazer alguma coisa contra Trump – mas como serventes fiéis da classe corporativa e seu sistema de dominação, que os republicanos também defendem – uma vez mais eles reagiram de forma inócua e covarde. Ou seja, submetem ao processo eleitoral[1] um possível confronto contra Trump, colocando como condição que votemos neles primeiro, e depois supostamente enfrentarão os ataques da atual administração.

Suponhamos como hipótese que o movimento pró-imigrantes e o movimento na luta pelas diferentes causas populares estivessem unidos, fossem completamente independentes, não fossem uma força de tipo burguês e controlasse toda essa variedades de recursos que os democratas possuem, e, portanto, tivesse uma grande afiliação de membros. Quais seriam as prioridades para enfrentar Trump? As eleições seriam o caminho correto e a maneira de investir tais recursos?

Nós, junto com todo um setor do povo, pensamos que seria melhor alocar os recursos para organizar, criar consciência política da classe operária na maioria da população, mobilizar e criar uma resposta contundente, como preparar uma greve geral nacional que exija a saída imediata de toda a administração Trump. E como uma força organizada, retirar imediatamente o poder que tem os dois partidos, reverter todas as leis racistas e todas as medidas políticas e econômicas estabelecidas contra o povo pobre e os trabalhadores.

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E enfatizamos, principalmente, fazer tudo o que estiver ao nosso alcance, para que os melhores lutadores de classe operária, toda a classe operária e o povo pobre em luta construam e deem continuidade a essa organização que seja capaz de assumir pra si essa tarefa, e dirigi-la não apenas para eliminar todo o mal estabelecido, mas para tomar as rédeas da direção do país, consolidar e defender um governo operário-popular, verdadeiramente socialista, revolucionário e internacionalista.

De modo que tudo mude para valer e não seja apenas uma ilusão, como foi até hoje produto desse jogo eleitoral sujo e corrupto, que não muda mais que os personagens do governo, mas deixa intacto o sistema político social de desigualdade, de corrupção, superexploração e repressão.

Imaginemos, então, não apenas na amplitude de recursos econômicos e de aparato, mas também a capacidade política com a qual se contaria com tantos membros em ambas as câmaras, com os governadores dos estados e os prefeitos, etc., que os democratas tiveram todos esses anos.

Isto é, se reconsideramos por algum momento essa hipótese, veríamos que os democratas não fizeram nada significativo com todo o poder que possuem, e não o fazem não porque não podem, e sim porque não querem, porque sua luta, sua existência é a favor dos ricos, dos grandes capitalistas, das corporações multinacionais. E suas diferenças com Trump não são pelo que ele faz, mas pela maneira como as coisas são feitas.

Por sua falta de ética política corporativa, já que o que mais lhes preocupa não é o ataque aos imigrantes, às mulheres, os muçulmanos, a comunidade afro-americana, os trabalhadores e o povo pobre, mas seu desacordo reside nessa má representação do presidente dos Estados Unidos da América, uma personalidade narcisista, incoerente e mentalmente doente.

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Não devemos esquecer que o governo imperialista gringo é um só, com dois componentes políticos dentro dele, um é democrata e o outro republicano e os dois se complementam para garantir a continuidade do poder capitalista e com os quais, nós insistimos, temos que romper completamente. E hoje, segui-los seria cair na armadilha eleitoral que eles apontam como forma para lutar contra Trump.

Nós de Corrente Operária propomos um caminho diferente no qual deveríamos nos organizar para lutar e lutar muito, de mãos dadas com os imigrantes, as mulheres, as minorias e a classe trabalhadora, sem qualquer esperança nessa força corporativa imperialista.

[1] As eleições legislativas de novembro, chamadas de meio mandato (“midterm”) acontecem no biênio posterior à eleição do presidente. Neste ano, serão renovadas todas as vagas na Câmara e um terço do Senado, ndt;

Tradução: Rosangela Botelho