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Diz-se que existem cerca de 200 “cidades santuário” em todo o país e que o termo “santuário” tem origem na década de 1980, quando algumas igrejas deram proteção a refugiados procedentes das guerras na América Central, a quem o governo dos EUA perseguia e deportava.

Por: José López – Corriente Obrera, EUA

Hoje, os democratas estão usando o termo “cidade santuário” para supostamente limitar a cooperação policial com autoridades federais de imigração (Immigration and Customs Enforcement, ICE), entre outras coisas. Mas não é um termo legal, nem uma lei, e sua forma de ser implementado pode variar; não há uma definição oficial e suas políticas podem ser estabelecidas nas legislações locais a critério das cidades ou condados, havendo simplesmente recomendações para a polícia e o xerife não denunciarem os que estão em situação irregular para o departamento de imigração. O mais estranho desta política é que, apesar de Los Angeles, Nova York e Chicago serem “cidades santuário”, as batidas policiais são realizadas de qualquer maneira. Então, na realidade, o que está acontecendo?

Continuam as batidas, uma após o outra

Não são vistas diferenças importantes entre o que acontece em uma “cidade santuário” e nas que não o são, porque as batidas policiais, de qualquer maneira, têm sido executadas. E, após apenas duas semanas de tomar posse como presidente, em 20 de janeiro de 2017, Donald Trump ordenou batidas em diferentes partes do país, de modo que um total de aproximadamente 800 pessoas foram detidas, inclusive nas “cidades santuário”, em estados como Texas, Arizona, Flórida, Nova York e Califórnia. Nessa última, na cidade de Los Angeles, foram detidas várias dezenas, de um total de 160 pessoas em todo o estado.

Atualmente, dizem que estão detendo apenas as pessoas que cometeram delitos, mas os dados nos jornais revelam que um grande número de pessoas que não são criminosas foram presas e deportadas. Vale notar que, há anos, nas ações policiais ordenadas por Obama, 65% dos deportados não eram criminosos. Num relatório da [rede de televisão] Univision, de julho de 2017, um representante do ICE, disse que são notificados após serem tomadas as impressões digitais de um detido, seja pela polícia ou pelo xerife.

Independentemente da declaração, por parte de governadores, prefeitos ou políticos democratas de várias ocupações, de uma “cidade santuário”, para supostamente proteger os imigrantes, e embora pareça bom e se veja como algo humanitário, é, na realmente, apenas uma política vazia, projetada para enganar os trabalhadores imigrantes, fazendo-os acreditar que estão protegidos. E, assim, iludidos, tornam-se presas fáceis das batidas.

Santuário”, apenas para a aparência democrata

Não seria a primeira nem a última vez que os democratas se envolvem em falsas promessas e atraiçoam o povo. Já o demostraram, muitas vezes, com as eleições durante os seus governos e a hipocrisia nociva levada a cabo no que se refere à crise sofrida pelos trabalhadores imigrantes. Seu último movimento foi com todas as ilusões levantadas pelo deportador em chefe Obama, que, sendo democrata, deportou mais de 3 milhões de imigrantes e nunca aprovou uma reforma migratória.

Hoje o governo de plantão é de outros, estando à sua frente um dos predadores mais perturbado, Donald Trump, seu gabinete de governo, o Partido Republicano, e, por mais difícil que pareça, com a colaboração e cumplicidade do Partido Democrata. Para explicar melhor que este último ponto, é necessário detalhar a política de uma “cidade santuário”, que é apresentada como supostamente de proteção para os imigrantes e na qual não é permitido que a polícia coopere com os agentes federais do ICE, sendo supostamente “limitadas” as batidas policiais em escolas, locais de trabalho, igrejas, e mesmo na rua, ou seja, batidas de forma indiscriminada. Contudo, existem vários elementos que demonstram que dita proclamação não é bem isso, o que ocorre de propósito>

  1. Não explicam que não podem impedir as batidas;

  2. Deixa a decisão de capturar e deportar para os juízes de imigração escolhidos por Trump.

  3. Também deixa nas mãos da polícia o poder de decidir sobre a denúncia, para o ICE, dos imigrantes em situação ilegal;

  4. Estão criminalizando a maioria, para que sejam deportados;

  5. Enganam os imigrantes, para que assim sejam presas fáceis.

1 e 2: uma “cidade santuário” só permite as batidas com a permissão de um juiz de imigração, mas não dizem que os juízes são nomeados pelo Trump, e estes só devem informar sobre os seus trabalhos ao presidente. Além disso, para se obter uma ordem de um juiz para ICE, nunca foi complicado, ou seja, de todo modo as batidas ocorrerão.

3: deixa a critério da polícia a decisão sobre quem é ou não denunciado ao ICE. Como é possível deixar paraa instituições como as forças policiais e o xerife, que são racistas, abusadores e opressores, o poder de controle para decidir o destino de imigrantes sem documentos? É como dizer a alguém que será protegida dos ladrões, mas com criminosos violentos.

4: possuir apenas uma infração de trânsito é suficiente para ser considerado criminoso. E muitos policiais, pelo simples fato de estar sem documentos no país, veem um imigrante como um criminoso. Sob esta nova modalidade, a grande maioria dos imigrantes está sendo deportada.

5: o pior de tudo é que os democratas, com a política das “cidades santuário”, enganam e fazem com que os imigrantes dirijam suas esperanças para os políticos democratas que estão no governo; os fazem acreditar que serão protegidos por estes, desarmando-os politicamente para que não vejam a necessidade de se organizar, lutar mais e criar um movimento operário e popular forte, que seja independente de todo esse lixo democrata/republicano, que lhes torna vítimas fáceis das batidas.

Corriente Obrera insiste em organizar comitês de luta, no trabalho, nos locais de moradia, na escola, em todos os lugares possíveis, para assim, em comissões, organizar a defesa e a luta dos trabalhadores imigrantes contra os ataques do governo, e criar um movimento amplo e firme que, com os métodos da classe trabalhadora, possa dar passos para a conquista dos direitos plenos para todos os imigrantes, incluindo um mecanismo para reunificar as famílias e para não deixar-se enganar pela propaganda que tanto é feita sobre as “cidades santuário”. Somente com organização e luta conquistaremos os plenos direitos.

Tradução: Nea Vieira