Em agosto de 1959, tombavam no Cais de Pindjuguiti mais de 50 trabalhadores às mãos da polícia portuguesa, isto por reivindicarem melhores salários.

Por: UPRG – União do Proletariado Revolucionário da Guiné

Desde a segunda metade da década de 50, que classe trabalhadora Bissau-Guineense vinha enfrentando o regime colonialista de Portugal naquela província ultramarina, o que levou à proibição de aglomeração de pessoas (nativas) e ditou o fecho das tabernas a partir das 19 horas, afim de evitar encontros de caris político.

Na verdade, a intolerância do regime de Salazar e a brutalidade da PIDE (Polícia Internacional e de Defesa do Estado) não permitia qualquer tipo de organização, mesmo assim, a classe trabalhadora guineense desafiou tudo e todos, em nome dos interesses superiores, ou seja, em nome de uma Guiné-Bissau livre de exploração, da opressão e do colonialismo, em suma, em nome de uma Guiné-Bissau independente.

Em 1956, no dia 6 de março, os trabalhadores da Casa Gouveia, filial do Grupo CUF (Companhia União Fabril) convocaram uma greve no sentido de exigir melhores salários e o fim de maltratos que a maioria era alvo, nessa manifestação, que ocorreu enfrente as instalações da Casa Gouveia, mais de meia dúzia de trabalhadores foram presos e torturados pelas forças coloniais.

Volvidos 3 anos, isto é, no dia 3 de agosto de 1959, sob a batuta dos empregados da Casa Gouveia, os trabalhadores do porto de Bissau (Pindjiguiti), Estivadores, Marinheiros e Trabalhadores das Docas, avançaram para greve, parando toda a atividade no porto. O que enfureceu (António Carreira) o então administrador do referido porto, pelo que, não demorou em acionar os meios de repressão. Naquela tarde, a tropa portuguesa fascista e racista, não hesitou em disparar sobre centenas de trabalhadores indefesos que se encontravam em greve, foi um autêntico banho de sangue.

Devido ao facto de terem esgotado todas a formas de lutar e de resistir, a classe trabalhadora da Guiné-Bissau decidiu organizar-se em torno do PAIGC para uma luta armada contra colonialismo na Guiné e em Cabo-Verde. Portanto, o pegar nas armas por parte da classe trabalhadora guineense em conjunto com os camponeses, não é fruto de um espírito guerrilheiro, mas sim, fruto das condições objetivas que aquele contexto impunha.

Nós da UPRG Cassacá-64, revindicamos esse legado histórico da classe trabalhadora Bissau-Guineense e, exortamos a classe trabalhadora da Guiné-Bissau a necessidade de se erguer de novo, isto porque, os objetivos dos mártires de Pindjiguiti não foram cumpridos em plenitude, pois, para tal, é preciso liquidar o capitalismo na Guiné, em África e no mundo.

Viva aos heróis de Pindjiguiti.
Viva o 3 de agosto revolucionário.
Viva a classe trabalhadora da Guiné-Bissau.
Abaixo ao neocolonialismo e ao capitalismo na Guiné, em África e no mundo!