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Trabalhadores ocupam o centro de Johannesburgo

Várias cidades na África do Sul entraram no clima da Greve Geral convocada pela Federação Sul-Africana de Sindicatos (SAFTU) e o Sindicato Nacional dos Metalúrgicos (NUMSA), que são independentes do governo do CNA. A greve foi fortemente apoiada por organizações populares como Abahlali baseMjondolo[1].

Por: Américo Gomes

Houveram marchas em várias cidades com milhares de trabalhadores participando, exigindo um salário mínimo mais alto e contra as propostas de mudança na lei sobre greves. Uma das mudanças propostas é a de que, antes da realização de uma greve, os sindicatos tenham de promover votações secretas para defini-la. A SAFTU afirma que a aprovação das emendas às leis trabalhistas representariam uma grande derrota para a classe trabalhadora.

Em Johannesburgo os trabalhadores marcharam do distrito de Newtown até o escritório do Premier Ciryl Ramaphosa, e o Departamento do Trabalho e Desenvolvimento Social de Gauteng. Alem do NUMSA participaram da greve  a União Geral dos Trabalhadores Industriais da África do Sul (GIWUSA), a União Nacional de Serviço Público e Trabalhadores Afins (NUPSAW), o Sindicato dos Trabalhadores do Setor Público Liberado da África do Sul (SALIPSWU), a União de Comunicação e Tecnologia da Informação (ICTU) e o Fórum de Trabalhadores Simunye.

Os Sindicatos da Federação dos Sindicatos da África do Sul (FEDUSA), do Conselho Nacional de Sindicatos (NACTU) e do Congresso dos Sindicatos da África do Sul (COSATU) não aderiram à greve. Para a COSATU “O salário mínimo será uma grande conquista, que fará com que os salários aumentem para os 47% dos trabalhadores (6 milhões), que ganham menos de R20 por hora atualmente”.

Na Cidade do Cabo, os trabalhadores marcharam da Keizersgracht Street até o Parlamento, cantando e dançando pelas ruas, com camisas vermelhas enquanto os lojistas fechavam as suas portas. Em Port Elizabeth, marcharam do salão Nangoza Jebe, em New Brighton, até a prefeitura, cantando.

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O governo do CNA de Ramaphosa pretende desencadear mais ataques contra os trabalhadores para beneficiar os grandes burgueses e o imperialismo. Mas os trabalhadores que derrubaram Zuma com sua mobilizações estão fortes e organizados e prometem resistir, e esta greve geral foi mais uma demonstração disso. Além disso, está claro que a greve também foi uma demonstração categórica que o CNA e a COSATU estão perdendo o controle sobre a classe trabalhadora organizada e a vanguarda dos movimentos sociais.

[1] Abahlali baseMjondolo: significa “moradores de barracos” na língua zulu, conhecidos também como camisas vermelhas, são o maior movimento de moradores de favelas na Africa do Sul e de luta pela melhoria das condições de vida da população pobre. É ativo em varias cidades entre elas a Cidade do Cabo. Muitas vezes boicota as eleições e tem um histórico de conflitos com o Congresso Nacional Africano e a Aliança Democrática. Por isso tem sofrido repressão considerável, pois o governo os acusa de ser composto por criminosos manipulados por grupos de extrema direita e/ou inteligência estrangeira. Nos últimos três anos tiveram mais de 200 prisões. Em várias ocasiões, a polícia usou de munição letal contra suas manifestações. E são proibidos de aparecer em debates na televisão e rádio.