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O curtume Zenda (de propriedade da multinacional brasileira JBS) anunciou na quinta-feira o fechamento de duas de suas fábricas e a demissão de 370 trabalhadores. Desta forma, Zenda se soma à Petrobras, que também vai demitir mais de 80 operários e que, além disso, aplicará sanções aos trabalhadores por terem realizado a medida de controle operário. Ambas as empresas anunciaram que em pouco tempo vão se retirar do país. 

Por IST-Uruguai

A JBS e seus magnatas, Wesley e Joesley Batista, foram presos por escândalos de corrupção e suborno no Brasil, o que levou à prisão do ex-presidente Michel Temer. Essas empresas (Oas, Odebretch, JBS) e outras, foram favorecidas durante anos, tanto agora com Bolsonaro, quanto antes com o PT. Como diz um artigo no semanário Brecha: “O PT, de Dilma e Lula- inclusive, governava com eles e os favorecia (…) Jbs, Odebrecht, Oas, deveriam ser gratos.” (1) Com os subornos e corrupção da Petrobras, aconteceu o mesmo.

Como é possível que o governo da Frente Ampla, que se diz “de esquerda”, que há muitos anos sabe sobre essa corrupção, permita esse abuso contra os trabalhadores e as demissões. Já em 2017, Jorge Rocco, do comitê de base da JBS Zenda, denunciou que a empresa “recebe benefícios fiscais nos termos da Lei de Investimentos“, enquanto a empresa não faz nenhuma compensação e, pelo contrário, vai resgatar. (2)

A FA vive nos dizendo que, se os governos repressores e corruptos de Blancos ou Colorados, ou qualquer partido de direita, voltarem, eles atacarão nossas conquistas. Nós sabemos disso. Nós sempre denunciamos o papel nefasto da direita seja “nova” ou tradicional.

Mas também vemos que o próprio governo da FA não modificou no fundamental a política econômica neoliberal historicamente defendida pela direita. A FA entregou o país para as multinacionais que fazem o que querem, como por exemplo, a entrega vergonhosa para a UPM2. É também este governo da FA que mantém salários submersos, permite demissões e corta orçamentos em educação e saúde pública. Argumentamos que todos eles, Colorados, Blancos e agora a FA, governaram e governarão para os patrões, as multinacionais e o imperialismo.

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Preparar a greve geral do dia 25 pela base, contra as demissões e em apoio à greve na Petrobras

A greve geral foi arrancada com relutância do setor principal da Central e sabemos que eles estão apenas querendo descomprimir a bronca com uma medida isolada. É por isso que é muito importante que a partir da base de todos os sindicatos se prepare uma grande greve geral e que os sindicatos hoje atingidos pelas demissões e em conflito convoquem uma mobilização ou concentração para fazer uma greve ativa.

Em 25 de junho, temos a oportunidade de unificar todas as lutas. E esse caminho é o que devemos manter. Todos os sindicatos em conflito unidos em uma única luta com uma plataforma única de reclamações. Precisamos da unidade do movimento dos trabalhadores para lutar contra esses ataques dos patrões, que têm a aprovação do governo.

É necessário continuar unificados como única maneira de obter sucesso e impor nossas reivindicações. Vamos sair com força para preparar agora a greve geral, para afirmar que precisamos de um plano de luta que seja decidido a partir da base, em grandes assembleias e que vá se aprofundando nas medidas. Devemos dar continuidade e unidade às nossas lutas.

Também convocamos todos a cercar de apoio e solidariedade à greve dos  trabalhadores do Gás que começa no dia 10. Acreditamos que a única saída para que não haja um único operário fora da empresa é a nacionalização sob o controle dos trabalhadores da Petrobras. O mesmo deveria ser feito com o JBS Zenda. Esta é a medida necessária que temos de impor agora, se não quisermos continuar a sofrer o atropelo do desemprego e a ficarmos sem emprego.

  • Todos à paralisação neste 25 de junho, preparemos a mesma a partir das bases!
  • Basta de demissões, nenhum trabalhador/a sem emprego!
  • Estatização sob controle operário da Montevideo Gas, Zenda e qualquer empresa que feche ou demita!
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Notas:

1) https://brecha.com.uy/estamos-jodidos/

2) https://ladiaria.com.uy/articulo/2017/10/obreros-curtidores-denuncian-que-empresas-subsidiadas-por-exportar-envian-gente-al-seguro-de-paro/

O problema da direção sindical

Em plena greve de fome dos trabalhadores da Petrobras, abrindo expectativas no governo e suas negociações, a máxima direção da Central desmobilizou uma greve geral que já havia sido anunciada, embora haja dezenas de conflitos. Isso foi feito sem qualquer consulta aos trabalhadores, sem assembleias de base nos sindicatos. Como costumam fazer, decidem tudo na cúpula.

Agora, decretaram a greve geral de 24 horas para o dia 25 de junho, mas até agora não estão convocando a nenhuma mobilização e não propõem medidas concretas para aprofundar a luta e levá-las à votação e debater em grandes assembleias. É por isso que dizemos que devemos levar a organização desta greve a partir das bases, para torná-la massiva.

Isso acontece porque a maioria da direção do PIT-CNT está atada e defende o governo e só o que lhe importa é que a FA vença as eleições. Querem nos convencer de que com a votação manteremos as conquistas, quando a única coisa que garantirá nossos direitos é nossa própria luta e não as eleições.

Este enorme problema que temos os trabalhadores e a necessidade de substituir os dirigentes que não querem lutar de forma consequente, teremos que enfrentar a partir dessas mesmas lutas. Há dirigentes oportunistas, que não trabalham há décadas e que se burocratizaram, só procuram não perder seus privilégios. Por isso precisamos recuperar os sindicatos para os trabalhadores, construindo uma direção combativa, surgida das lutas, com independência de classe e com democracia operária.

Tradução: Nea Vieira