Nesta quarta-feira, 3 de novembro, trabalhadores e setores populares realizaram uma significativa mobilização na cidade de Caracas, exigindo um Natal sem presos políticos e contra o pacote governamental antitrabalhador e antipopular.

Por: Unidade Socialista dos Trabalhadores (UST – imprensa)

Começou com uma concentração no Parque Carabobo, partindo da Av. México, continuando pela Av. Universidad, até chegar à famosa Esquina El Chorro, local onde os piquetes da polícia não permitiam que os manifestantes continuassem avançando.

Trabalhadores ativos do setor público e privado, demitidos, aposentados, dirigentes e organizações sindicais, familiares de trabalhadores presos e familiares de jovens assassinados em setores populares pelos diferentes órgãos repressivos do governo, principalmente as FAES; junto com organizações políticas de esquerda, movimentos sociais, dirigentes e ativistas, estiveram presentes nesta ação de protesto, para, por ocasião da proximidade das datas de dezembro, exigir um Natal SemTrabalhadorxsPresxs, mas também exigir a revogação do memorando 2.792, salários e aposentadorias dignas, iguais à cesta básica e indexados à inflação (escala móvel de salários), bem como justiça para os jovens mortos pelas polícias nos bairros populares, muitos deles em forma de verdadeiras execuções extrajudiciais, nos operativos da infame OLP (Operação de Libertação do Povo).

A mobilização também serviu para protestar contra as demissões, exigir sua cessação, bem como o cumprimento das ordens de reintegração.

A este respeito, é necessário destacar a presença na mobilização dos trabalhadores da empresa Salva Foods (uma das principais embaladoras das caixas CLAP) do empresário colombiano e protegido de Maduro, Alex Saab. Esses trabalhadores denunciaram suas demissões bem como a custódia desta empresa privada por funcionários do serviço de inteligência estadual da DGCIM, bem como as intimidações de que são vítimas por esses funcionários em conjunto com as autoridades da empresa, que em caso de qualquer reclamação ameaçam com demissão e prisão contra os trabalhadores.

Assim, durante o desenvolvimento da concentração e da marcha, foram feitas denúncias das medidas de ajuste antioperárias e antipopulares do governo de Maduro, que descarregam o peso da crise sobre os ombros dos trabalhadores e do povo humilde e que se traduzem na destruição total dos salários, na contenção dos mais elementares direitos trabalhistas e sindicais dos trabalhadores e na maior deterioração, conhecida na história recente do país, das condições de vida da classe trabalhadora e dos habitantes dos setores populares.

Também é importante destacar o caráter de classe, amplo, democrático e unitário da mobilização, é necessário desenvolver plenamente essas características para defender nossos direitos democráticos, trabalhistas e sociais, pois é evidente que para melhor aplicar seu pacote de ajuste e cortar ainda mais os direitos dos trabalhadores, o governo burguês de Maduro precisa intimidar e amedrontar a classe trabalhadora e para isso não hesita em lançar mão da mais brutal repressão e criminalizar os protestos trabalhistas e sociais. Mais de 150 dirigentes sindicais e trabalhadores presos, bem como outro grande número ameaçados, processados, despedidos ou reformados à força pelo simples fato de defenderem os seus direitos, são prova disso.

E é que, como resultado de anos de pagamentos exorbitantes de dívida externa, priorização de lucros de transnacionais e banqueiros, desinvestimentos e consequente destruição da produção nacional, principalmente do petróleo e alimentos, a maior fuga de capitais já conhecida (principalmente por meio de pagamentos de dívida externa e a armadilha das importações com dólares baratos atribuídos pelo Estado) e a corrupção mais flagrante; o chavismo, primeiro com Chávez na Presidência e depois com Maduro, levou o país à situação catastrófica em que se encontra atualmente.

No entanto, nem todos sofrem com a situação da mesma forma. Enquanto os trabalhadores e os humildes sofrem com a fome e as adversidades, as consequências da hiperinflação, a quebra de salários, a perda de conquistas e direitos trabalhistas e sociais, a destruição dos sistemas públicos de educação e saúde, a escassez de combustível e dinheiro, a deterioração dos serviços públicos e ruína geral do país. Burgueses tradicionais e boliburgueses, empresários nacionais e estrangeiros, banqueiros e grandes mercadores especulativos, junto com burocratas do governo civil e militar, enriqueceram graças às políticas, medidas e favores do governo, e continuam se enriquecendo em meio à crise e favorecidos pelo ajuste.

Por isso devemos ampliar e aprofundaras  ações como as do passado 03/11/2021, indo às bases operárias e populares, discutindo de forma unitária e democrática as ações e medidas a serem tomadas, levantando a necessidade de se discutir um programa resolver a crise na perspectiva e em favor dos interesses dos trabalhadores e demais setores explorados da população. Para fazer frente às reivindicações e evitar que a crise continue a nos fazer pagar aos trabalhadores com fome e repressão.

Por fim, consideramos necessário fortalecer esta luta cercando de solidariedade internacional e ao mesmo tempo expressando reciprocamente nossa solidariedade com a luta pela liberdade dos trabalhadores e lutadores presos no resto do continente e no mundo.

Tradução: Tae Amaru