Quem é a favor de que a Dil­ma fique?”. Essa foi a per­gunta feita pelo presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região, em São Paulo, Antônio de Bar­ros, o Macapá, aos trabalhadores da General Motors du­rante a assembleia realizada na fábrica no dia 14 de abril. Nenhum trabalhador ergueu a mão. Em seguida, Macapá colocou em votação a campa­nha “Fora todos eles, eleições gerais já”, que foi aprovada por unanimidade.

Por: PSTU

Nas últimas semanas, o sin­dicato realizou assembleias e manifestações em 16 fábricas da categoria, em que se discu­tiu a crise política no país e se colocou em votação a adesão à campanha. Além da GM, houve protestos nas unidades da Em­braer na Faria Lima e em Eugê­nio de Melo, na montadora chi­nesa Chery, na Latecoere, na Avi­brás, na Gerdau, na Friulli, na TI Automotive, entre outras.

Em outra categoria, na cerve­jaria Heineken, em Jacareí (SP), o Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Alimentação, em assembleia com os operários da fábrica, também aprovou a cam­panha “Fora todos”.

É assim que, em meio a um forte processo de ruptura da classe trabalhadora com o go­verno e com o PT, a aprovação do processo de impeachment contra a presidente Dilma Rous­seff seguiu na Câmara dos De­putados, no dia 17, sem que os trabalhadores, que um dia ele­geram esse governo, tenham sa­ído às ruas coletivamente para defendê-lo.

O que os operários pensam sobre o impeachment?

Um dia depois da apro­vação do impeach­ment na Câmara, o clima não era diferente. Fo­mos à GM conversar com os trabalhadores. Há acordo ge­ral com a saída definitiva de Dilma, mas a opinião é de que Temer, Cunha e muitos outros também devem sair. “Foi só o começo”, disseram vários entrevistados.

Dilma tem de sair. Acho que ela tem responsabilidade por tudo que está acontecen­do, mas para melhorar tem de sair muito mais gente com ela, a começar pelo Temer e pelo Cunha”, disse João, operário da montadora.

Estou a favor do impea­chment, mas aqueles deputa­dos são uma vergonha. Tem de sair com todos eles”, opinou Edivaldo, funcionário da Powertrain. Ele acredita que com Temer a situação vai piorar. Sobre uma greve ge­ral, ele acredita que poderia “ajudar a chamar a atenção”. “Uma paralisação que envol­vesse os caminhoneiros. A luta tem de continuar, senão os ataques virão”, disse.

O metalúrgico Wesley tra­balha no setor de funilaria da GM. Conta que acompa­nhou a votação e estava a favor do impeachment. “Foi um primeiro passo para uma mudança. Mas não acabou ali. Tem de tirar muita gente ainda. A começar por aquele Cunha e o vice Michel Temer, pois se a Dilma teve dinheiro sujo na sua campanha, eles também”, falou.

Wesley disse que sempre votou no PT, mas que o par­tido o decepcionou. “Eles se acovardaram e, ao invés de agir em prol do trabalhador, entraram no esquema”, opi­nou. Ele concorda com a cam­panha “Fora todos” chamada pelo Sindicato e também con­corda com uma greve geral. “A saída está nas mãos dos traba­lhadores. Se nos unirmos, po­demos tirar desde o presidente de uma empresa e também to­dos eles lá de cima”, afirmou.

Trabalhador no setor de es­tamparia da GM, o metalúrgi­co Marquinhos disse que assis­tiu à votação dos deputados e que estava a favor do impeach­ment. “Estive no ato realizado pelo Sindicato no sábado, na praça Afonso Pena, pelo ‘Fora todos’. Acho que está certo. É preciso tirar todos eles”, disse.

Belém: Colocar os trabalhadores em luta

Nas fábricas, o repúdio ao governo é grande. Isso ficou demonstrado com as vaias de operários da Volkswagen do ABC, quando o presidente do sindicato, ligado à CUT, quis defender o governo Dilma. Também se mostrou pela ade­são dos metalúrgicos de São José dos Campos (SP) e região ao “Fora todos”. Os trabalha­dores não foram às ruas para defender Dilma e o PT porque o governo não resolveu os pro­blemas da classe.

Agora, vamos preparar o “Fora Temer” e exigir a saída de todos os deputa­dos, senadores e governadores. É hora de exigirmos eleições gerais já e fazer­mos avançar a construção de uma greve geral para por todos eles para fora. Será na luta que construi­remos uma nova ferramen­ta da nossa classe para ga­rantir um governo dos tra­balhadores, um governo socialista.

Publicado no Opinião Socialista n.° 515.