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O centenário da Revolução Russa é sem dúvida um terreno propício para aprofundar uma série de debates estratégicos. Nesse texto abordaremos um ponto central do programa de Outubro e seu significado atual: o internacionalismo.

Por: Daniel Sugasti

Pouco antes de morrer, Moreno refletia sobre o significado concreto do internacionalismo:

O partido mundial é a prioridade número um do movimento operário porque existe uma economia e uma política mundial à qual estão subordinadas as realidades nacionais […] A existência de uma política mundial é característica do capitalismo e, já que se trata de derrubá-lo, é necessário um instrumento para essa realidade e essa tarefa […][1].

Essa ideia –que pode parecer curiosa em nossos dias, quando a maior parte da chamada “esquerda” abandonou a estratégia de construir partidos leninistas nacionais, que por sua vez são parte de uma Internacional baseada no centralismo democrático–, na verdade, não tinha e nem tem nada de “original”.

Ao enfatizar a centralidade do partido mundial, Moreno não estava dizendo nada de novo. Simplesmente reafirmava um princípio que durante décadas foi considerado elemental entre marxistas. Isso foi assim até que as flutuações da luta de classes fizessem com que os princípios, assim como toda a herança programática e organizativa que o marxismo acumulou, ficassem restritos –já na década de 1930– ao trotskismo ortodoxo.

É sabido que, após a falência da II Internacional, um punhado de internacionalistas colocou a necessidade da III Internacional. Isso se concretizou pouco depois do triunfo da Revolução Russa, por impulso direto da direção bolchevique. Após a degeneração stalinista, em 1933 Trotsky chamou a construção da IV Internacional: “Camaradas! Sem condução, sem direção internacional, o proletariado não poderá se libertar de sua opressão atual[2].

Seguindo essa tradição, a LIT-QI é fundada em 1982 com essas premissas:

A maior necessidade material, objetiva, da humanidade, a revolução socialista mundial, tem um correspondente subjetivo: uma direção revolucionária mundial. Sem essa, aquela é impossível. Assim, a crise da humanidade se aprofunda dia após dia sem solução […] A necessidade absoluta objetiva da revolução socialista mundial se concretiza, se personifica, na necessidade absoluta subjetiva de uma direção revolucionária –não burocrática– internacional[3].

Desde seu início, não concebemos que a construção da LIT-QI fosse um fim em si mesmo. Não. Todos nossos esforços militantes estiveram e estão à serviço de reconstruir a Quarta:

[Temos] como propósito fundamental a resolução da crise de direção da IV Internacional, como única forma de dar solução à crise de direção revolucionária do proletariado […] Essa luta está indissoluvelmente ligada à mobilização das massas contra os aparatos contrarrevolucionários stalinistas, socialdemocratas e das burocracias sindicais, e ao combate contra o revisionismo que se reivindica do movimento trotskista[4].

Assim, com a afirmação de que seu “propósito fundamental” era “dar solução à crise de direção revolucionária do proletariado”, os fundadores da LIT-QI não faziam nada além de dar continuidade à “longa marcha” que significou o processo de formação de uma direção revolucionária internacional. Um processo que abarca desde as batalhas de Marx e Engels até a luta dentro do chamado “movimento trotskista” no segundo pós-guerra.

O conteúdo profundo do internacionalismo é construir um partido mundial da revolução socialista. Essa é a concepção que herdamos dos mestres do marxismo, e que Moreno sintetizou assim:

Para nós, seguindo o que acreditamos ter sido a concepção e prática de Trotsky, o problema decisivo, fundamental e primeiro problema que devemos nos colocar é a construção, ao redor de um programa, da organização internacional e sua direção. Trotskismo é sinônimo de organização e direção internacionais, em oposição ao stalinismo em todas suas variantes (moscovita, maoísta, castrista), socialdemocracia e nacionalismo pequeno-burguês de tipo sandinista, que não querem nem constroem uma organização e direção operárias revolucionárias internacionais[5].

Nosso internacionalismo

O que foi dito anteriormente mostra abertamente qual é a convicção que guia a corrente morenista desde 1948, quando pouco anos depois de ter fundado o GOM (Grupo Operário Marxista), primeiro núcleo fundacional na Argentina, o partido participa do II Congresso da IV Internacional e se liga organicamente à ela:

[Antes de 1948] nos declarávamos trotskistas –dizia Moreno– mas não vivíamos ligados à luta e vida da Internacional. Tínhamos um desvio nacional-trotskista: o de acreditar que poderia haver solução dos problemas do movimento trotskista do país, com uma visão nacional. Não compreendíamos que só com uma visão internacionalista se poderia começar a solucionar os problemas do trotskismo argentino[6].

Anos mais tarde, Moreno dirá que esse foi o “passo teórico-político mais importante dado pela organização argentina”[7].

Acreditamos que a organização e direção internacionais são uma categoria distinta e superior a qualquer organização e direção nacional, sejam elas quão grandes ou capazes forem […] Toda direção nacional está destinada ao fracasso se não é parte ativa da construção de uma direção internacional […] Assim como sem oxigênio não há vida, sem direção e organização internacionais não há trotskismo verdadeiro[8].

Assim foram educadas distintas gerações de revolucionários, que batalharam para concretizar o objetivo estratégico de construir o “trotskismo verdadeiro”, ou seja, ligado à uma Internacional. Foram muitas tentativas. Sempre rechaçando a autoproclamação, a corrente morenista lutou por suas posições principistas dentro dos grandes agrupamentos trotskistas na escala internacional.

Na maioria das vezes, o combate programático e sobre concepção do partido revolucionário se deu sendo minoria dentro dessas organizações. Foi assim até 1953 –período no qual a Quarta esteve unificada–, ano no qual estourou o combate contra o setor revisionista de Michel Pablo e Ernest Mandel, cuja concepção e política terminaria com a primeira grande traição do trotskismo revisionista à uma revolução operária, a boliviana de 1952. Assim foi dentro do chamado Comitê Internacional, agrupamento formado com o Socialist Workers Party (SWP) até 1963. O mesmo ocorreu dentro do SU, desde esse mesmo ano até 1979. Foi nesse ano que se iniciou a construção de uma corrente internacional independente, com a Fração Bolchevique e, depois, com a LIT-QI.

Como dizemos, todas essas tentativas estiveram à serviço de um objetivo superior: a reconstrução da Quarta Internacional, como continuidade da III Internacional –até hoje o único Partido Mundial da Revolução Socialista, dissolvido em 1943 por Stalin–.

Esse é um dos pontos que nos diferenciou e nos diferencia da maioria da esquerda. Em momentos no qual a maioria do trotskismo transitou do revisionismo ao reformismo –processo no qual passou a defender um modelo de Internacional baseado em uma federação frouxa de partidos, ou tem aprofundado seu nacional-trotskismo–, a LIT-QI assume a reconstrução da Quarta como seu projeto estratégico.

No meio dessa batalha cotidiana, estamos conscientes de que nós que defendemos a construção de uma Internacional democraticamente centralizada e sustentamos que sem direção revolucionária internacional não existe nenhuma possibilidade de derrotas definitivamente o imperialismo, constituímos uma minoria. Porém, temos a mesma confiança que expressava Trotsky de que “uma organização cuja bússola é confiável mas que durante muito tempo foi uma minoria, em um novo giro histórico pode se elevar subitamente para um nível superior”[9].

Aonde deu o “federalismo” do antigo SU

Moreno impulsionou a fundação da LIT-QI como resposta à falência da corrente “revisionista e liquidadora”, organizada então no Secretariado Unificado (SU), a qual também caracterizou como “o centro do revisionismo”[10] no seio do trotskismo.

Na década seguinte, esse curso oportunista deu um salto, principalmente a partir das conclusões que o SU extraiu dos chamados processos do Leste. Em um trabalho recente, José Welmowicki resume esse processo:

Há muitos anos o ex-SU deu um “salto” de uma organização ‘revisionista’ para o reformismo puro e simples: eliminou explicitamente de seu programa a estratégia da ditadura do proletariado; abandonaram a concepção de centralidade da classe operária no processo revolucionário; foram uma das principais correntes ideológicas e impulsionadoras dos partidos ‘amplos’ e ‘anti-capitalistas’, principalmente na Europa; dissolveu sua seção mais importante, a Liga Comunista Revolucionária francesa, para fundar o NPA com um programa reformista; não só apoiou distintos governos burgueses ‘progressistas’ como os de Chávez, promovendo o “socialismo do século XXI”, mas que também participou diretamente de governos burgueses de colaboração de classes (como o de Lula no Brasil). Na nossa opinião, o SU, hoje CI, é a corrente internacional, com origem no trotskismo, que mais e melhor refletiu teórica e politicamente o que denominamos de ‘vendaval oportunista’, e que mantém certa influência […][11].

É evidente que existe uma mudança qualitativa entre o SU dos tempos de Mandel e o de Bensaïd, e sem falar dos dirigentes atuais. Ainda que capitulasse à todas direções não operários nem revolucionários que impressionavam a “vanguarda”, Mandel reconhecia, ainda que formalmente, a necessidade da ditadura do proletariado e da Internacional centralizada. Seria absurdo dizer o mesmo do SU atual. Porém, não se pode dizer que o salto final ao oportunismo era algo inesperado. O “internacionalismo” de Mandel, como Moreno advertia, na verdade não passava de discurso:

[Mandel, que] sempre defendeu –e é honesto reconhecer isso– a necessidade de uma Internacional centralizada, não à concebe na prática como centralizada ao redor de uma direção e um programa. ‘Constrói’, por sua vez, uma ‘Internacional’ que é uma federação frouxa de seções nacionais e tendências e frações internacionais, cada uma com seu próprio programa (às vezes opostas pelo vértice) e quase sem disciplina. Ou seja, que, depois de ter sido cúmplice do Pablo na dispersão do trotskismo mundial, Mandel trata de manter formalmente unidos seus fragmentos, sem reverter o revisionismo que havia provocado essa crise[12].

Essa concepção, que na prática era contrária à uma Internacional centralista democrática, somada a outros elementos foi aprofundando o curso oportunista e degeneração do SU. Ao abandonar a estratégia da ditadura do proletariado e abraçar a linha reformista de conciliação de classes, capitular ao discurso da “cidadania” e propiciar a participação direta nos gabinetes burgueses “progressistas”, na prática a necessidade de uma Internacional leninista perdeu todo sentido, inclusive retórico. Não é possível entender o curso oportunista do SU sem compreender as consequências de sua concepção de Internacional, principal contrapeso ideológico dos partidos nacionais.

A história confirmou fatalmente a afirmação de Moreno sobre o “federalismo”: “Federalismo é sinônimo de dissolução. Federalismo hoje é deixar só o SU revisionista como única direção trotskista internacional. Isso significa pura e simplesmente a liquidação”[13].

Os estragos causados pelo “nacional-trotskismo”

O chamado “nacional-trotskismo” é tão liquidador quanto o federalismo. Moreno definia assim essa corrente:

[…] suas distintas variantes sustentam que a questão da direção e organização internacional constitui uma espécie de ‘programa máximo’, para um futuro distante, que por enquanto tem que ser mantido no plano dos discursos, de expressão dos desejos, à espera que se deem ‘as condições’[14].

Essa definição abarcava, fundamentalmente, Healy, Lambert e o partido francês Lutte Ouvrière.

Moreno alertou claramente sobre o perigo de não pertencer nem construir uma Internacional leninista:

Afirmou categoricamente que todo partido nacional que não esteja em uma organização internacional bolchevique, com uma direção internacional, comete cada vez mais erros e um qualitativo: por ser trotskista nacional termina inevitavelmente renegando a IV Internacional e passando para posições oportunistas ou sectárias, para depois desaparecer. Se é trotskista, então ou está em uma Internacional ou desaparece[15].

E diante da degeneração política –e em alguns casos, como o de Healy e Lambert, também moral– dessas correntes, Moreno disse:

Hoje em dia não restam dúvidas de que a lei trotskista que condenava por definição ao fracasso o ‘nacional-trotskismo’ se cumpriu inquestionavelmente. Tanto sua variante mais sutil, o SWP norte-americano, quanto Lambert e Healy seguiram um caminho paralelo, de crescente isolamento internacional, de capitulação política às direções contrarrevolucionárias do movimento de massas e de degeneração metodológica e moral. No terreno político-programático, o nacional-trotskismo sofreu, como não poderia deixar de acontecer, um retrocesso absoluto[16].

O nacional-trotskismo do PO, PTS e do Novo MAS

Considerando o anterior, não podemos dissociar o atual curso oportunista e claramente parlamentarista do Partido Operário (PO), do Partido dos Trabalhadores Socialistas (PTS), da Esquerda Socialista (IS), e inclusive do Novo MAS, da construção de uma Internacional centralista democrática, apesar de que todos esses partidos se dizem “trotskistas” e defensores da “IV Internacional”.

O Partido Operário (PO) simplesmente não pertence à nenhuma Internacional. Em 1997 impulsionou a criação do Movimento pela Refundação da Quarta Internacional com uma série de grupos que orbitavam ao redor do partido argentino. Isso se converteu, em 2004, na Coordenação para a Refundação da Quarta Internacional (CRQI), que depois se dissolveu. A única ligação internacional que pode ser lida no website do PO é a realização de uma “conferência sobre a América Latina”, chamada por eles e pelo PT do Uruguai em 2016, que terminou contando com outros dois grupos, no Brasil e na Venezuela[17].

O PTS, por sua vez, rompeu com o velho MAS e a LIT-QI em 1988, entre outras coisas acusando a direção internacional de “nacional-trotskismo”. Impulsiona atualmente a chamada Fração Trotskista (FT), que atua como uma federação de onze grupos que se constroem ao redor do PTS como “partido mãe”. Isso significa que a “direção internacional”, na prática, recai na direção do PTS. Esporadicamente, a FT realiza uma “conferência internacional” ou “reuniões”, eventos sobre os quais não se sabe se passam previamente por um período pré-congressual e sua correspondente eleição de delegados. Mas a situação é pior. Se alguém entra no website do PTS, é muito difícil encontrar alguma menção à “Fração Trotskista”. O que sim encontramos é a difusão da iniciativa jornalística –encarada como um projeto “amplo” e “de esquerda” em geral– chamada “A Rede Internacional o Esquerda Diário”, apresentado como “o primeiro grupo internacional em nível mundial, em espanhol, inglês, português, francês e alemão”. O papel que o PTS dá à essa “rede” de meios digitais não é menor: “nós que fazemos essa rede de jornais a concebemos como um ‘organizador coletivo’ internacional”[18]. É evidente que, ainda que exista formalmente, o PTS vem diluindo a FT nessa “rede” digital. O recente congresso do MRT, grupo brasileiro ligado ao PTS, que atua quase de maneira mimetizada na forma do “Esquerda Diário”, celebrou que esse website chegou a “750 mil acessos mensais, a seção brasileira da rede internacional de diários digitais – impulsionada pela FT em 12 países e 5 idiomas – já se consolidou no Brasil como o periódico mais importante à esquerda do PT[19].

A linha do “partido mãe” é clara: manter a FT como a “saudação à bandeira”, que em alguns momentos chame um “movimento” por uma “internacional”[20] enquanto apostam todas as fichas nos dinâmicos “jornais digitais” para “setores mais amplos de massas”[21], que no caso brasileiro passa por entrar no PSOL. Sobre esse partido reformista, o MRT admite que: “Os acontecimentos políticos e econômicos recentes e os acertos dos posicionamentos partidários credenciaram o PSOL enquanto um importante polo para a necessária reorganização da esquerda brasileira no chamado pós-petismo no governo nacional[22].

Tudo isso é produto das pressões parlamentares brutais que recaem sobre o FIT argentino. Em relação ao tema que interesse nesse artigo, devemos concordar que uma “rede” jornalística não tem nada a ver com a concepção de Internacional que o leninismo e o trotskismo propagam.

Uma Internacional centralista democrática, que tente realmente construir uma direção internacional, que discuta coletivamente a realidade e a vida política dos distintos partidos, poderia ser um contrapeso e até corrigir, por exemplo, o claro desvio parlamentarista do PTS. É assim que funcionamos na LIT-QI, aonde realizamos Congressos sistematicamente, precedidos sempre por períodos de pré-congresso, garantindo completamente o direito de formar tendências, frações, escrever materiais de contribuição, e nos quais se opina sobre qualquer processo ou linha política de qualquer um dos partids, principalmente do maior deles, o PSTU brasileiro. É assim que, com a participação de todos os militantes da Internacional, podemos confirmar ou corrigir a linha política nacional das seções, atuando na contrapressão indispensável para não nos afastarmos de nossos princípios nem da classe operária.

Pode-se dizer isso também da IS, que promove a Unidade Internacional dos Trabalhadores-QI (UIT-QI). Nesse caso, a IS também assume o papel centralizador.

O Novo MAS, agora aliado eleitoral do MST[23], um partido que “é membro observador da Quarta Internacional (SU)”[24], promove a “corrente internacional” Socialismo ou Barbárie, atuando como eixo indiscutível de outros cinco grupos que giram ao redor da direção argentina.

Na crítica que Moreno realizou contra Healy e Lambert na década de 1980, já alertava sobre a atiuação como “partido mãe” dessas correntes, ao redor das quais “se constituíram pequenos agrupamentos internacionais com ‘filiais’ da OCI e da WRP respectivamente, absolutamente dominados por esses partidos nacionais[25].

Construir “filiais” de “partidos mães” é o oposto à construir um partido mundial centralista democrático, no qual, como ensinava Moreno, a direção internacional, por mais débil que seja, por sua localização é mais forte que a mais poderosa direção de um partido nacional.

No centenário da Revolução Russa –que nunca foi considerada por Lenin e Trotsky como um fim em si mesma mas sim como uma alavanca da revolução internacional– é fundamental resgatar a tradição marxista que concebe o partido revolucionário como uma ferramenta de combate internacional. Não por acaso, ainda no meio da Guerra Civil, todos os esforços dos bolcheviques se centraram em erguer a III Internacional.

Diante de uma situação mundial turbulenta, instável, polarizada, com vários processos de luta de nossa classe explodindo em distintas partes do mundo, é urgente retomar a tarefa de construir um partido mundial da revolução socialista, rumo à reconstrução da IV Internacional.

Na hora de encarar esse processo, repetimos com Moreno: “Afirmamos que, sem exceção alguma, todas as experiências de federalismo ou de trotskismo nacional terminaram na lixeira da história […][26].

Para nosso fundador, “até agora em nenhum lugar do mundo o trotskismo conheceu um partido federalista que não tenha degenerado. Para nós, os cursos de Lambert e Healy não são casualidades. Não é casual que o SWP, federalista de longa data, seja o partido do SU mais corrompido pelo Castro[27].

É necessário aprender com a história: “Toda direção nacional está destinada ao fracasso se não é parte ativa da construção de uma direção internacional […][28].

No centenário de Outubro, mais internacionalistas que nunca

De nossa parte, com todas nossas limitações e apesar de quão modestas ainda sejam nossas forças, seguiremos na luta cotidiana para construir partidos revolucionários, operários e de combate, em todos os países e que esses, por sua vez, sejam parte de uma organização internacional baseada nos princípios do centralismo democrático.

Lutamos pela construção de uma Internacional composta por partidos ligados “organicamente” à classe operária; partidos que se construam intervindo nas pequenas e grandes batalhas que os exploradores desatem contra o capital. Partidos formados por quadros e militantes sólidos ideologicamente, capazes de suportar todas as flutuações da luta revolucionária e com a disposição de realizar qualquer sacrifício e renúncia a favor da revolução.

A construção da LIT-QI, no centenário de Outubro, significa uma reafirmação da luta para reconstruir a IV Internacional. A situação mundial –marcada pela polarização que gera a crise econômica mundial; os ataques dos governos capitalistas; a resistência da classe operária e dos demais setores explorados, que se expressa em centenas de lutas e na volta das greves gerais na América Latina, pelas grandes mobilizações nos EUA e na Europa, na continuidade com altos e baixos das revoluções no Oriente Médio, etc.–, colocam de maneira concreta a necessidade de um Estado Maior revolucionário em nível mundial.

Isso implica em uma batalha constante para avançar em nossa bolchevização, no sentido programático, principista, ideológico, pela relação com a classe operária e suas lutas, pela relação com a teoria marxista, as finanças independentes, a moral revolucionária e o internacionalismo consequente.

Notas:

[1]    MORENO, Nahuel. Conversaciones con Nahuel Moreno [1986]. São Paulo: Lorca, 2017, p. 73.

[2]    TROTSKY, León. Declaración de la delegación bolchevique-leninista a la conferencia de las organizaciones comunistas y socialistas de izquierda [1933]. Revista Marxismo Vivo. São Paulo: Lorca, n. º 17, 2008, p. 58.

[3]    LIT (CI). Tesis de Fundación de la LIT (CI): Sobre la necesidad de construir una dirección y una organización internacionales. Revista Marxismo Vivo. São Paulo: Lorca, Edição Especial, 2007, p. 89.

[4]    LIT (CI). Estatutos de la LIT (CI). Revista Correo Internacional, n.° 3, 1982. p. 14.

[5]    MORENO, Nahuel. Nuestra experiencia con el lambertismo. Revista Marxismo Vivo. São Paulo: Edición Especial, 2007, p. 18.

[6]    MORENO, Nahuel. La historia de nuestra corriente hasta la fundación de la LIT. Revista Marxismo Vivo. São Paulo: Lorca, Edición Especial, 2007, p. 39.

[7]    Ídem.

[8]    Ibídem, p. 18.

[9]    TROTSKY, León. Declaración de la delegación bolchevique-leninista…op. cit., p. 58.

[10]  LIT-CI. Conferencia de fundación…op.cit., p. 150.

[11]  WELMOWICKI, José. La bancarrota del antiguo Secretariado Unificado a partir de su visión sobre los procesos del Este. Revista Marxismo Vivo. São Paulo: Lorca, n.º 8, 2016, pp. 11-12. Grifos do original.

[12]  MORENO, Nahuel. Nuestra experiencia con el lambertismo. Disponível em: < http://litci.org/es/teoria/historia/nahuel-moreno-nuestra-experiencia-con-el-lambertismo/>, consultado no dia 21/03/2017.

[13]  LIT-CI. Tesis de fundación de la LIT-CI. Necesidad de construir una dirección y una organización internacionales. Disponível em: < http://www.pstu.com.ar/wp-content/uploads/2014/09/1982-tesisdefundaciondelalitci.pdf>, consultado no dia 21/03/2017.

[14]  MORENO, Nahuel. Nuestra experiencia con el lambertismo

[15]  MORENO, Nahuel. La existencia de una tendencia trotskista ortodoxa es un hecho. Revista Marxismo Vivo: São Paulo: Lorca, Edición Especial, 2007, p. 107.

[16]  MORENO, Nahuel. Nuestra experiencia con el lambertismo...

[17]  PO. Tesis de la Conferencia sobre América Latina. Disponível em: <http://www.po.org.ar/pdf/tesis-conferencia-latinoamericana-2016.pdf>, consultado no dia 21/03/2017.

[18]  RED INTERNACIONAL. ¿Quiénes somos?. Disponível em: <http://laizquierdadiario.com/Red-Internacional/quienes.html>, consultado no dia 20/03/2017.

[19]  MRT. II Congresso MRT: enfrentar os ataques de Temer e construir uma esquerda anticapitalista na luta de classes. Disponível em: < http://www.esquerdadiario.com.br/II-Congresso-MRT-enfrentar-os-ataques-de-Temer-e-construir-uma-esquerda-anticapitalista-na-luta-de>, consultado no dia 24/03/2017.

[20]  FRACCIÓN TROTSKISTA. Construyamos un Movimiento por una Internacional de la Revolución Socialista. Disponível em: http://www.laizquierdadiario.com/Construyamos-un-Movimiento-por-una-Internacional-de-la-Revolucion-Socialista, consultado no dia 06/04/2017.

[21]  MRT. II Congresso MRT: enfrentar os ataques…

[22]  Ídem.

[23]  NUEVO MAS. Declaración política del nuevo frente entre el Nuevo MAS y el MST. Disponível em: <https://www.mas.org.ar/?p=10949>, consultado no dia 21/03/2017.

[24]  MST. ¿Quiénes somos?. Disponível em: <http://mst.org.ar/quienes-somos/>, consultado no dia 21/03/2017.

[25]  MORENO, Nahuel. Nuestra experiencia con el lambertismo...

[26]  LIT-CI. Tesis de fundación de la LIT-CI

[27]  Ídem.

[28]  MORENO, Nahuel. La historia de nuestra corriente…op. cit., p. 18.