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Apresentação

 Com muito orgulho, apresentamos este novo número da Correio Internacional dedicado à África negra. Na página da internet da LIT-CI (www.litci.org), temos publicado artigos sobre varios países desse continente. Mas podemos dizer que, há muitos anos (inclusive décadas) nossa organização e a corrente morenista não publica um material como este sobre a África negra em seu conjunto.

Esta revista se fez necessária por inúmeros processos da realidade: as renúncias de Jacob Zuma na África do Sul, de Robert Mugabe no Zimbábue e de José Eduardo dos Santos em Angola, lutas e mobilizações no Congo e Sudão, greves na Costa do Marfim e Senegal, etc.

Se faz necessária também porque nossa Internacional está começando seu trabalho nesta região, um trabalho que se iniciou com a adesão da LPS (Liga Popular do Senegal) como organização simpatizante. Que prossegue com o diálogo com outros agrupamentos e militantes políticos e com a aproximação com comunidades africanas no exílio, e que se aprofunda com a relação com dirigentes e sindicatos a partir da participação na Rede Sindical Internacional de Solidariedade e Lutas.

Devido a isso (e ao estudo da história e da realidade africanas) foi possível incluir artigos sobre Angola, Congo, Senegal, África do Sul, Sudão e Zimbábue, além de incorporar em outros materiais elementos de Burkina Faso, Nigéria, Ruanda e Uganda. Incluímos também entrevistas com dirigentes sindicais de Botsuana e Costa do Marfim (ainda que não compartilhemos de todas as posições expressas nas mesmas), por seu grande valor como informação a partir de “terreno próprio”.

Outra parte importante desta edição são os artigos que abordam questões de conjunto: a história da colonização e o saque por parte das potencias imperialistas, a negação da história e da cultura africanas que estas potências fizeram, as lutas pela independencia, o papel da China como “novo ator” de peso e a questão teórica e programática da aplicação da teoria da revolução permanente nesta região.

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Somos conscientes de que se trata de uma “primeira edição”, que muitos artigos vão ter algumas imprecisões. Que também ficam lacunas importantes: uma análise da Nigéria (o país mais povoado da região) e uma análise mais globalizante do subcontinente em seu conjunto. Mesmo assim, é um passo muito importante das publicações da LIT-CI.

Esperamos, em primeiro lugar, que esta revista seja útil para ajudar as seções militantes e simpatizantes para o estudo e a discussão. Em segundo lugar, que contribua com o trabalho que estamos começando na África negra e nas comunidades africanas em outros países. Em terceiro lugar, que sirva também para aqueles países com uma importante população negra própria (como Brasil e EUA), onde muitos ativistas olham para a África em busca de suas raízes. Este é o momento para que possamos realizar esses objetivos ou que, ao menos, possamos avançar em direção a eles.

O EDITOR

Tradução: Mandi Coelho