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O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que não descarta a “opção militar” na Venezuela para resolver a crise no país. Trata-se de uma ameaça da maior potência imperialista contra um país semicolonial.

Por SI de la LIT-CI

A justificativa de Trump, baseada na repressão do governo Maduro, não passa de uma farsa. O governo dos EUA não tem nenhum compromisso com a democracia, muito pelo contrário, apoia o Estado nazifascista de Israel e lhe dá todo apoio militar para reprimir os palestinos. Trump acaba de visitar a monarquia da Arábia Saudita, sem nenhuma crítica a essa ditadura.

Nós repudiamos essa ameaça imperialista. Estaremos na linha de frente do enfrentamento contra qualquer ataque militar do imperialismo à Venezuela. Atuaremos da mesma forma como em 2002, quando participamos da luta contra o golpe militar apoiado pelo governo dos EUA contra Chávez.

Nosso repúdio a qualquer intento militar imperialista não significa nenhuma gota de apoio político a Maduro. A “Constituinte” de Maduro é uma manobra ditatorial para fechar ainda mais o regime autoritário e bonapartista na Venezuela. O governo Maduro é amplamente repudiado pelo povo venezuelano. Por isso deu um golpe apoiado diretamente nas Forças Armadas venezuelanas contra seu próprio povo.

A “Constituinte” de Maduro é uma manobra para transformar uma minoria em maioria. E agora essa “Constituinte” definiu que, nas “eleições” regionais de outubro, os candidatos terão de ter um “atestado de boa conduta” da Constituinte. Ou seja, só serão aceitos os candidatos que Maduro quiser. Além disso, quem se manifestar contra o governo pode ser condenado de 15 a 25 anos por “expressar ódio”.

Maduro trata de utilizar a ameaça de Trump para se fortalecer e justificar seu golpe em nome do combate ao imperialismo. Na verdade, ele não quer qualquer enfrentamento com o imperialismo com essa “Constituinte”. Não é por acaso que está sendo implementado o decreto governamental de 2016 que entrega o Arco Mineiro do Orinoco, cedendo 12% do país rico em diamantes e ouro às multinacionais.

Se Maduro quisesse realmente enfrentar o imperialismo, deveria expropriar as multinacionais que controlam metade da produção de petróleo do país, e deixaria de pagar a enorme dívida externa venezuelana. Se Maduro quisesse realmente enfrentar o imperialismo, entregaria armas aos trabalhadores dos bairros pobres de Caracas. Esses bairros populares – como Petare e 23 de enero – eram no passado bastiões do chavismo e foram a base da reação vitoriosa ao golpe de 2002. Hoje seus habitantes se enfrentam com o governo e são reprimidos pelos militares a mando de Maduro.

Mas são as massas venezuelanas que devem derrubar Maduro, e não o imperialismo. Caso o governo Trump ataque militarmente a Venezuela, estaremos na linha de frente de luta contra o imperialismo, junto com os trabalhadores e o povo pobre.