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Contra a sentença e a repressão. Pela anistia e o direito à autodeterminação. 

O povo da Catalunha se levantou em massa, com os jovens na primeira linha, contra a sentença do Tribunal Supremo contra os dirigentes independentistas e contra a brutal repressão desatada pela Polícia Nacional e pela polícia catalã (os Mossos de Esquadra) a seu serviço.

Por: Liga Internacional dos Trabalhadores (LIT-QI)

A repressão foi incapaz de fazer retroceder o movimento, mas o preço é enorme: em uma semana houve 600 feridos, 19 hospitalizados, uma menina debatendo-se entre a vida e a morte, quatro manifestantes perderam o olho e dois um testículo, 179 foram detidos, 18 estão na prisão sem fiança. E isto é só o começo, porque buscam vingança e continuam as detenções, com acusações fabricadas que determinam longas penas de prisão. Tudo em meio a uma infame campanha de manipulação dos meios de comunicação por todo o Estado Espanhol para criminalizar o movimento independentista.

A LIT-QI apoia incondicionalmente a luta do povo catalão:

  • Contra a sentença e pela anistia aos dirigentes independentistas. As condenações impostas são uma vingança para advertir os 2,3 milhões de catalães que foram votar em 1 de outubro de 2017, enfrentando uma selvagem repressão. A sentença significa a criminalização do protesto social, pois rotula de rebelião qualquer ato de desobediência, como tentar deter um despejo. Exigimos o retorno dos exilados/as, a liberdade sem acusação de todos os detidos/as e presos/as por lutar e a revogação de todas os processos judiciais abertos.
  • Contra a repressão contra o movimento independentista que agora querem associar ao terrorismo, como no caso dos ativistas dos CDRs presos, com uma montagem similar ao aplicado aos jovens de Altsasu. Exigimos a retirada da Polícia Nacional e a Guarda Civil da Catalunha, a demissão do Conseller do Interior da Generalitat, Buch, a dissolução da BRIMO (Brigada antidistúrbios autônoma), a depuração geral dos chefes dos Mossos de Esquadra e das responsabilidades pelas brutalidades policiais cometidas.
  • Pelo direito à autodeterminação da Catalunha, que tem todo o direito à realização de um referendo sem submeter à autorização do Estado. Sem direito a decidir não há democracia!
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O governo PSOE e os partidos do regime contra o povo catalão

O governo do PSOE, um dos pilares do regime monárquico se alinhou totalmente com o Juiz, o Ministério Público, a Guarda Civil e a direita neofranquista, com a qual compete em espanholismo. Respaldam a sentença e dizem que deve ser cumprida integralmente, sendo que, anteriormente, o PSOE não teve nenhum inconveniente em absolver terroristas do GAL, torturadores e banqueiros. O governo Sánchez é o campeão da repressão e ameaça suprimir a autonomia catalã mediante o artigo 155 da Constituição, como fez Rajoy.

A direita do PP e Ciudadanos, raivosa, exige mais repressão e a aplicação do 155 já, enquanto a extrema direita do Vox defende o Estado de Exceção.

Porém o mais vergonhoso talvez seja a atitude de Pablo Iglesias e do Podemos, pois até há pouco tempo eram vistos como a esperança da esquerda internacional. O Podemos demonstrou sua completa submissão ao PSOE, com quem continua almejando formar governo. Acatou a sentença, ainda que a considere “desproporcional”, assume a repressão, mas pedindo “proporcionalidade” e condena a “violência” dos manifestantes, que não é mais que autodefesa frente à repressão. Proporcionam um espetáculo patético aparentando uma “equidistância” que não é verdadeira. A mesma postura que a burocracia sindical da CCOO-UGT defende.

A hipocrisia do governo da Generalitat

Nestes dias vimos um movimento que superava o pacifismo intransigente da direção independentista oficial, que condenava a autodefesa como se fosse um crime. O movimento de protesto ultrapassou amplamente o governo da Generalitat que, ao mesmo tempo em que chamava para a mobilização, colocava os Mossos de Esquadra à disposição da Polícia espanhola e condenava os jovens que enfrentavam a repressão. A política dos partidos do Governo catalão é continuar gerenciando as migalhas de autonomia limitada sujeita às ordens de Madri. Isto é o que rechaçam crescentes setores independentistas, cada dia com mais força.

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A LIT-QI CHAMA A SOLIDARIEDADE INTERNACIONAL

Chamamos a solidariedade internacional com o povo catalão em sua justa luta contra a repressão e pelo direito à autodeterminação frente à Monarquia espanhola.

A vitória do povo da Catalunha será a derrota de um regime reacionário, herdeiro do franquismo e a serviço dos banqueiros, dos grandes empresários e dos mais ricos. Um regime que só admite a união à força e cuja queda é necessária para construir uma união livre de povos livres.

Será também a derrota da UE, a Europa do Capital, que apoia a repressão da Monarquia espanhola e nega os direitos da Catalunha. Por uma Europa socialista dos trabalhadores e dos povos.

A luta do povo catalão é a da classe trabalhadora e dos povos do mundo.

Tradução: Lilian Enck