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Após o brutal ataque químico realizado por Bashar al-Assad em Duma, Donald Trump fez uma série de declarações beligerantes em nome do humanitarismo. Desde então, ele ganhou apoio de seus aliados imperialistas e, em 13 de abril, ordenou um ataque à Síria. Forças militares dos EUA enviaram 100 mísseis para atingir três alvos, um na área da Grande Damasco e dois perto de Homs.

Por: La Voz de los Trabajadores – EUA

Tanto o Workers’ Voice (La Voz de los Trabajadores) quanto a Liga Internacional dos Trabalhadores opõem-se a qualquer tipo de intervenção militar das forças imperialistas na Síria. Apoiamos os rebeldes independentes que lutam pela democracia e para derrubar Assad e acreditamos no direito de autodeterminação do povo sírio. Deve ser o povo sírio e seus aliados que devem expulsar Assad do poder, e não governos estrangeiros apoiados por corporações multinacionais. Nós sempre denunciamos a interferência e o apoio russo a Assad, bem como as várias rodadas de bombardeios e o envio de tropas de ocupação pelos Estados Unidos.

A intervenção dos EUA na Síria não é contra as “armas químicas”

Os EUA e seus aliados imperialistas iniciaram a sua intervenção militar na Síria em 2014, tentando de qualquer maneira impedir ou cooptar a insurreição democrática, utilizando “forças de segurança treinadas” no local. Eles ganharam o controle de áreas-chave do país sob a bandeira da luta pela “democracia” e contra o “terrorismo” e o “islamismo radical”. Os EUA argumentam que querem ajudar o povo sírio a se livrar de Assad – que havia sido no passado um ótimo aliado do imperialismo norte-americano. O que ele procura é ter influência no novo governo que os sírios devem formar quando, ou se, conseguirem se livrar de Assad.

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Os EUA possuem atualmente cerca de 5.000 soldados na Síria e três bases militares. A coalizão (EUA, Inglaterra e França) imperialista afirma ter realizado um total de 29.070 ataques entre agosto de 2014 e janeiro de 2018. Também admitiu ter matado entre 6.137 e 9.444 pessoas até meados de fevereiro, além de 5.000 pessoas que não estão na contagem oficial. Ataques aéreos dos EUA visaram civis e o chamado Estado Islâmico, não o regime sírio. Este último ataque não é diferente.

Intervenção militar dos EUA na Síria é injustificada

Somos muito claros quanto a isto: o fato de Assad ser um ditador sanguinário, que usa armas químicas e bombas contra a sua própria população civil e sistematicamente tortura e assassina a oposição política, não justifica qualquer tipo de intervenção estrangeira por parte de governos imperialistas que repetidamente deixaram de aplicar seus declarados valores de democracia, paz e direitos humanos.

Os Estados Unidos, assim como a França ou o Reino Unido, não podem ser os policiais do mundo. Seus próprios crimes de guerra e registros de tortura negam qualquer autoridade moral. Depois de atacar os manifestantes indígenas americanos e seus aliados em Standing Rock e permitir que a água em Flint e outros lugares seja envenenada, além de apoiar, entre outros, os regimes assassinos da Arábia Saudita e de Israel, não achamos que o governo dos EUA tenha lições para dar a ninguém em termos de “direitos humanos” e “democracia”.

Sua reivindicação de ter o direito de ditar os assuntos nacionais de outros países em nome da democracia é politicamente insustentável. A elite política americana está revoltada com a “interferência da Rússia” nas eleições dos EUA e, portanto, não tem o direito de interferir em quem governa a Síria ou qualquer outro país.

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Em apoio ao povo sírio, nós nos opomos à intervenção militar estrangeira

O povo sírio estava certo em se levantar contra Assad e suas políticas neoliberais apoiadas pelo FMI em 2011, e ele merece nosso apoio. No entanto, a interferência dos EUA na vida política síria e ainda pior, a agressão militar contra o povo sírio só enfraquecerão a luta pela autodeterminação liderada pelas forças rebeldes sírias independentes. Devemos nos opor, por qualquer meio, a qualquer interferência adicional dos EUA e de outras nações estrangeiras, e exigir o fim imediato da agressão militar e o retorno de todas as tropas e agentes da CIA da região.

Não ao bombardeio norte-americano à Síria!

Retirada imediata das tropas dos EUA e dos agentes da CIA!

Fora as tropas apoiadas pela Rússia e pelo Irã já!

Pelo direito de autodeterminação do povo sírio!

Defendemos e apoiamos o direito do povo sírio de derrubar o regime assassino de Assad!