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A chamada “ajuda humanitária” de Guaidó-Trump fracassou completamente. Houve uma clara derrota do imperialismo, o que é muito positivo. Mas não houve uma vitória do povo venezuelano. Maduro, o ditador burguês e corrupto segue no poder mantendo os trabalhadores e o povo na mais aguda miséria.

Guaidó prometeu mobilizar um milhão de pessoas e forçar a entrada da “ajuda” enviada por Trump. Teve o apoio direto de Duque, Bolsonaro e Piñera, a ultradireita latino-americana. Esperava forçar uma ruptura nas Forças Armadas venezuelanas que lhe permitisse entrar com seu comboio na fronteira e depois derrubar Maduro. Não conseguiu nada disso.

A mobilização até a fronteira foi pequena. Na realidade, se resumiu aos próprios habitantes das cidades da região, desesperados pela fome. Também não existiu em todo o país a “maré humana” que deveria se dirigir aos quartéis militares.

A “ajuda humanitária” se resumiu a alguns poucos caminhões na fronteira colombiana que foram queimados. Na fronteira brasileira, dois caminhões, uma “ajuda” minúscula. Um deles ainda se atrasou com o pneu furado. Guaidó garantiu que o comboio entraria. Fracassou completamente.

Caminhão com ajuda humanitária

Caso não tivessem sido impedidos de entrar na Venezuela, a “ajuda” não teria sido eficaz nem mesmo para os habitantes das fronteiras. Era apenas uma manobra imperialista de propaganda e pressão, explorando cinicamente as reais necessidades de alimentos e remédios do povo venezuelano.

Houve deserções de militares venezuelanos, mas poucas e sem expressão real de importância. Não existiu a fratura das Forças Armadas esperada pelo imperialismo. Maduro manteve o controle da situação. Teve sua imagem internacional ainda mais desgastada, por ter reprimido mais uma vez seu povo e impedido a entrada de alimentos e remédios. Mas segue no poder.

A manobra imperialista terminou em um fiasco completo. Guaidó sai enfraquecido de todo o episódio.

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Na reunião do grupo de Lima na Colômbia, com a presença do vice-presidente dos EUA, Mourão (general vice-presidente do Brasil), Duque e representantes da direita latino-americana, Guaidó afirmou que “não descarta” uma invasão estrangeira sobre a Venezuela. A conclusão da reunião foi de aumentar a pressão econômica sobre a Venezuela, sem uma invasão militar ao menos de imediato.

Nós, corretamente, denunciamos desde o primeiro momento a manobra imperialista que fracassou sobre a Venezuela. Estaremos contra qualquer outra ingerência imperialista sobre o país. E se houver invasão estrangeira na Venezuela, nos situaremos no campo militar enfrentado ao imperialismo, sem prestar nenhum tipo de apoio político a Maduro.

Nem Maduro, nem Guaidó!

Grande parte da esquerda reformista latino-americana apoiou Maduro nesse enfrentamento com Guaidó-Trump sem nenhuma crítica. Nenhuma surpresa. São os mesmos que sustentaram o chavismo desde sempre.

Nós recusamos esse papel. Nós estamos contra a manobra imperialista porque a Venezuela é um país semicolonial e rejeitamos a ingerência imperialista. Nós queremos que sejam as massas venezuelanas que derrubem Maduro, e não o imperialismo. Uma vitória de Guaidó-Trump não significaria acabar com a miséria das massas venezuelanas, e tampouco com a repressão.

Essa esquerda latino-americana, reformista pró Maduro, deve explicar porque depois de vinte anos de chavismo no poder, a Venezuela chegou à brutal crise atual. Como explicar que a exploração capitalista e imperialista segue existindo até hoje no país? Como explicar a existência da boliburguesia, cujo centro é o alto comando das Forças Armadas, com Diosdado Cabello à frente? Essa burguesia vive com altíssimo luxo, em contradição evidente com a fome do povo.

Maduro diz que a Venezuela não necessita ajuda humanitária. Mente descaradamente, com apoio dessa esquerda reformista cúmplice. Existe desespero das massas venezuelanas, pela hiperinflação e o desabastecimento.

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Porque a situação atual é diferente de 2002, quando as massas venezuelanas derrotaram o golpe imperialista? Porque o povo venezuelano rompeu com Maduro, e o governo tem de reprimir também os bairros tradicionalmente chavistas de Caracas, como 23 Enero e Petare.

Essa esquerda reformista diz que na Venezuela só existem dois campos, o do imperialismo e o de Maduro, e que eles são parte do campo de Maduro. Nós sempre lutamos contra o chavismo e contra a direita pró-imperialista na Venezuela para construir um campo político dos trabalhadores, contra esses dois campos burgueses.

Nós apoiamos e estivemos nas grandes mobilizações Fora Maduro na Venezuela, lutando contra sua direção burguesa. Nós queremos que sejam as massas venezuelanas a derrubar Maduro. Nem Guaidó nem Trump querem isso porque podem perder o controle da situação. Por isso Guaidó tentou essa operação que agora fracassou. A via correta para derrubar Maduro não é uma aliança com o imperialismo, mas a mobilização das massas.

Se houver uma invasão militar da Venezuela, estaremos no campo militar diretamente enfrentado com o imperialismo. Mas sem prestar nenhum tipo de apoio a esse ditador burguês e corrupto.

É necessário nesse momento que as massas venezuelanas retomem suas mobilizações contra Maduro, sem nenhuma confiança em Guaidó. Essa alternativa pró-imperialista não vai levar a nenhuma vitória real dos trabalhadores venezuelanos.

Abaixo as manobras imperialistas contra a Venezuela!

Nem Maduro, nem Guaidó!

Fora Maduro!

Por um Governo dos trabalhadores na Venezuela, que rompa com o imperialismo!

Não pagar a dívida externa para garantir comida e alimentos para o povo!

Pela expropriação das empresas imperialistas e da boliburguesia!