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1- A direção do MAIS nos enviou uma resolução na qual declara que “existe uma ruptura de fato entre o MAIS e a LIT-QI”. E que decidiu “suspender formalmente a condição do MAIS enquanto seção simpatizante da LIT-QI” e encaminhar a decisão formal para o congresso do MAIS, a ser realizado dentro de alguns meses.

Por: Secretariado Internacional

Constatamos, portanto, que a direção do MAIS, por unanimidade, decidiu romper com a LIT. Apesar da decisão formal ter sido encaminhada para o congresso, a constatação da “ruptura de fato entre o MAIS e a LIT” e a suspensão imediata das relações pela direção do MAIS são a concretização, desde já, dessa ruptura.

Diante dessa decisão, temos o dever de dar nossa opinião sobre os motivos e as perspectivas que se colocam para o MAIS. Afinal, o MAIS agrupou, em sua organização, algumas centenas de companheiros, dentre eles uma camada de dirigentes e quadros que tiveram uma trajetória de anos no PSTU e na LIT.

2- É importante recordar que, durante seu combate no interior do PSTU, os companheiros levantavam, como argumento central, questões do regime interno, alegavam uma suposta falta de democracia e acusavam a direção do PSTU e da LIT por “exagerar as diferenças”. Agora, os companheiros afirmam, em sua carta, que o “pano de fundo que explica essa situação são as diferenças políticas, programáticas e teóricas que vinham se acumulando (tanto no terreno internacional quanto nacional) desde o último congresso Mundial da LIT” (destaque nosso), e agregam que, diante dos fatos da luta de classes, teria havido “uma consolidação de uma revisão programática esquerdista, sectária e autoproclamatória da LIT”.

Mas não era isso que a direção do MAIS dizia durante todo o Pré-Congresso do PSTU e da LIT, nem quando saiu do PSTU. Portanto, os companheiros devem uma explicação a toda a LIT e a seus militantes, porque antes diziam que a direção do PSTU e da LIT exagerava as diferenças, e agora justificam sua ruptura com a LIT pelo grau de “diferenças politicas, programáticas e teóricas”. Na verdade, o Pré-Congresso do PSTU e da LIT demonstrou que os camaradas tiveram todo o espaço democrático e todas as garantias para o debate interno. Mas, quando perceberam que estavam em minoria no PSTU, decidiram romper o partido brasileiro antes do Congresso do PSTU e da LIT. E ainda assim, mesmo após haver rompido com o PSTU às vésperas do Congresso Mundial, foram aceitos como convidados no nosso último Congresso da LIT, em junho do ano passado. Naquele momento, os camaradas ainda reivindicavam manter-se como organização simpatizante da LIT e, apesar de terem dividido o principal partido trotskista do Brasil e a principal seção da LIT, seu pedido de ser organização simpatizante foi aceito no referido Congresso.

3- Embora tenham sido aceitos como organização simpatizante da LIT neste mesmo Congresso, o MAIS nunca atuou como tal. Nunca venderam nem distribuíram as publicações da LIT, nunca enviaram seus documentos internos para a Internacional, nunca contribuíram nem fizeram nenhum compromisso financeiro, como fazem todas as seções e grupos que fazem parte da LIT. Agora, estão em pleno processo de unificação – como fazem público em seu site – com uma organização chamada NOS, sem que a Internacional tivesse qualquer informação sobre quais são os acordos e as discussões travadas, nem qual a definição – se é que há alguma – sobre a relação que essa futura nova organização teria com a LIT.

4- A nosso modo de ver, são impressionantes a profundidade e a velocidade do retrocesso programático, político e de concepção de partido dos companheiros desde a sua ruptura com o PSTU até hoje, em menos de um ano. A razão de ser dos marxistas revolucionários –dos trotskistas – é a necessidade imperiosa da construção da Internacional revolucionária. Como nossos mestres, Lenin, Trotsky e Moreno, nos ensinaram, sem uma internacional centralizada democraticamente, uma direção nacional está condenada ao oportunismo e/ou ao sectarismo e a cair inexoravelmente no nacional-trotskismo. Essa concepção era compartilhada pelos dirigentes do MAIS durante os anos em que estiveram na LIT e no PSTU. Agora, a direção do MAIS decide romper com a LIT sem apontar, na resolução, nenhum projeto internacional. E rompem com a LIT justificando sua saída pelas diferenças políticas, programáticas e teóricas, que sem dúvida existem, mas nem sequer cogitaram enfrentar sua discussão no marco da Internacional. Vão embora da LIT.

Ao romper com a LIT, somam-se a centenas de grupos que se dizem “trotskistas”, porém são contrários a construir uma Internacional revolucionária centralizada democraticamente. Essas correntes se dizem internacionalistas, mas esse internacionalismo não vai além de estabelecer relações com outros grupos ou chamar, de vez em quando, uma Conferência Internacional, mas nunca construir um Partido Mundial. Ou seja, os companheiros abandonam a LIT para ir a esse tipo de projeto, típico do nacional-trotskismo.

5- Neste momento, os companheiros estão tentando viabilizar sua entrada como corrente interna do PSOL, um partido reformista que tem uma característica específica: é um partido-frente, ou seja, um partido conformado por uma frente de organizações que têm em comum apenas a participação eleitoral. Trata-se de um partido eleitoral, de modo que a atividade militante do PSOL se organiza ao redor das eleições burguesas. O PSOL não tem nada a ver com os antigos partidos socialistas reformistas nos quais Trotsky orientou fazer entrismo nos anos 1930, para intervir em um processo vivo de crescimento e afluxo de militantes operários e jovens que buscavam uma alternativa.

O PSOL elegeu alguns deputados e vereadores e pode até mesmo crescer eleitoralmente. Esse é o verdadeiro motivo que atrai as organizações que nele participam. Quando o MAIS decide se tornar uma corrente interna do PSOL, o único objetivo que justifica essa decisão é buscar uma participação eleitoral.  Estão entrando para ser uma corrente interna a mais na frente que conforma o PSOL, como hoje são o MES, a US, Insurgencia, a LSR, etc.

Não há preocupação em buscar setores do movimento ou ativistas revolucionários para fortalecer sua organização, mas aumentar centralmente as possibilidades eleitorais, assim como fazem as correntes internas do PSOL. Este partido se assemelha ao Syriza e a Podemos, que têm essa mesma característica de partidos sem vida política fora dos períodos eleitorais.

Os critérios clássicos da Terceira Internacional, de que as atividades de um partido revolucionário devem estar centradas nas lutas diretas das massas e as eleições são um ponto de apoio secundário, foram deixados de lado pelos companheiros. Vem daí essa oposição cada vez mais profunda aos critérios leninistas. Por isso consideram que a LIT, por defender os critérios da Terceira Internacional de Lenin, teria dado um giro “esquerdista, sectário, autoproclamatório”, etc.

Em nossa opinião, toda essa crescente involução os leva a considerar a sua permanência na LIT como um obstáculo a esse projeto. Ficar na LIT, que propõe a disputa dura pela direção do movimento de massas e a construção na classe operária e no enfrentamento às direções reformistas, quando seu projeto concreto vai em direção a fazer parte dessas organizações, buscar eleger parlamentares e ganhar posições, trazia ao MAIS uma grande contradição. Esse é o motivo de fundo da decisão desta organização.

Queremos terminar com um alerta:

Desde a ruptura do MAIS com o PSTU, viemos debatendo com os camaradas. Discutimos francamente com os companheiros que sua posição os levava a adaptar-se cada vez mais ao neorreformismo, impactados pelos processos eleitorais. Agora constatamos que os companheiros não somente ignoraram totalmente nossas críticas e alertas, como aprofundaram a tal ponto seu retrocesso que agora rompem com a LIT sem buscar construir uma Internacional revolucionaria democraticamente centralizada. Estão abandonando uma definição básica para uma corrente trotskista. Um partido nacional que não faça parte de uma Internacional, por mais débil que seja, está condenado a um retrocesso programático, a abandonar o trotskismo e à sua degeneração.

Buscaremos ter relações claras com os camaradas, como pedem em sua resolução. Neste sentido, devem estar presentes na próxima reunião do Comitê Executivo Internacional, para formalizar esse ponto. Contudo, a nosso modo de ver, o primeiro compromisso é dar uma explicação clara a toda a militância da Internacional, bem como aos ativistas que nos acompanham, sobre quais as razões políticas e as conclusões sobre o processo que levou a essa separação orgânica entre nós.