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Há 50 anos do Cordobazo: poder operário e popular contra o ajuste patronal

Por: Daniel Ruiz

Um novo aniversário de um feito heroico dos trabalhadores em Córdoba, no qual a insurreição operária foi acompanhada por estudantes e outros setores populares.

Apesar da passagem do tempo, a classe trabalhadora não perdeu a memória do que aconteceu naquele dia e justamente porque os motivos de tal ação operária foi em resposta às medidas econômicas a favor de empresas e multinacionais, do FMI e dos ianques, um plano econômico da ditadura militar com grande prejuízo às famílias trabalhadoras.

Mas entender o Cordobazo não o suficiente só ver o que estava acontecendo na Argentina, por esses anos os estudantes da UNAM do México realizaram uma greve, o maio francês colocou a classe operária em cena com a juventude, Che Guevara simbolizava a rebeldia.

Apesar da ditadura, o levante que significou o Cordobazo marcou o começo do fim de Onganía. Mas o fato foi tão profundo para o povo que a partir dele houveram muitos levantes como o rosariazo de 89, o argentinazo 2001 e, lógico, o 18 D contra a reforma da previdência de 2017 porque esses fatos põem a prova os lutadores, dirigentes e organizações, porque o Cordobazo nos deixou dirigentes como Tosco, Salamanca, Páez e outros.

Como em 1969, estes anos também tiveram vários acontecimentos ao redor do mundo, a França tem os coletes amarelos, os catalães querem sua independência, imigrantes latinos desafiam o xenófobo terrorista Trump, as mulheres do mundo lutam pelos seus direitos e dignidade, o povo brasileiro resiste contra Bolsonaro, e, assim como o Cordobazo, nos últimos anos a luta mundial acompanha o ritmo argentino e da classe operária novamente em cena fizeram uma greve geral das centrais operárias.

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Mas não posso deixar de comparar situações, sabendo que elas não são idênticos, mesmo assim, sei que o 18D foi o começo do fim de Macri, porque nada permaneceu igual depois daquele dia, como nada foi o mesmo para a ditadura quando em Córdoba foram enfrentados. As medidas econômicas também têm semelhanças e as respostas operárias e populares também, como 50 anos atrás, em cada luta, como operários, temos a semente do Cordobazo.

Para terminar, a rebeldia também têm os seus nomes, nos dias de hoje, são Sebastián Romero, Dimas Ponce, Arakaki, Rafael Nahuel, Santiago Maldonado, os feridos do 18D e nossas companheiras mulheres com seus lenços verdes.

De minha parte, minha homenagem será continuar resistindo na cadeia, continuar construindo o PSTU e a LIT e lutar por uma sociedade justa, solidaria sem opressores, sem exploração, sem o FMI nem submissão ianque.

Por uma nova revolução operária.

Para uma Argentina Socialista.

50 anos do Cordobazo! Continuamos de pé!

Liberdade para os presos políticos!

Daniel Ruiz

Marcos Paz 28/05/2019, cela 5506

Tradução: Lena Souza