O evento acontece neste sábado, dia 25, a partir das 17h, com a participação de Karamelo Santo, Las Manos de Filippi e Cuyoman, entre outros artistas. Romero está preso e processado por ter participado da mobilização contra a reforma previdenciária, em dezembro de 2017.

Por: Randy Stagnaro, de Tiempo Argentino

No próximo sábado, 25, a partir das 17:00, haverá um festival de música virtual pela liberdade de Sebastián Romero, militante do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) extraditado do Uruguai e agora preso em uma dependência da Polícia Federal.

O advogado de Romero, Martín Alderete, já apresentou um pedido de libertação, que foi rejeitado. Ele também exigiu prisão domiciliar para o réu e, em última instância, seu desprocessamento.

“Basicamente, o que há neste caso é uma pessoa – Romero – acusada de disparar um elemento pirotécnico no ar. O grosseiro nível de estigmatização e perseguição que Sebastián Romero sofreu deve ser justificado de alguma forma, e por isso a acusação e a detenção preventiva que ditaram”, explicou o advogado.

“Claramente, Romero está preso por motivações extralegais e irracionais do factual”, acrescentou. “Acredito que ele esteja preso por razões políticas e que não esteja preso por motivos de fato nem jurídicas”, acusou.

Os fatos

Romero, cuja imagem na massiva mobilização de 18 de dezembro de 2017 foi amplamente divulgada e intitulada pela mídia hegemônica como “o gordo do morteiro”, é acusado pela justiça penal por crimes de intimidação pública e atentado à autoridade agravado. A acusação é genérica e semelhante à recebida pelos outros réus no mesmo caso, César Arakaki, Dimas Ponce, Daniel Ruiz e Mariano Stansiola, de terem participado de uma série de ataques à operação policial de contenção. Segundo a justiça, todos eles atiraram pedras, derrubaram cercas, quebraram a praça, causaram danos e lesões. É assim que aparece no expediente.

No caso específico de Romero, a acusação judicial acrescenta que sua contribuição para essa ação coletiva foi ter disparado pelo menos duas vezes com uma arma de fabricação caseira.

O advogado Alderete desarmou as acusações uma a uma. “É nomeado um grupo de pessoas que teriam agido juntas; no entanto, os eventos em que Sebastián Romero interveio são às 14h30, enquanto aqueles em que Arakaki, Ponce e Stansiola intervieram ocorreram às 16h, tornando altamente improvável que eles operassem juntos devido à distância temporal”, explicou. .

Por outro lado, também não foi possível comprovar que eles tinham algum relacionamento anterior; de fato, fazem parte de diferentes organizações políticas, todas presentes no quadro de uma mobilização da qual participaram dezenas de organizações. Foi o mais heterogêneo que uma mobilização pode ser lembrada”, acrescentou.

Em 18 de dezembro de 2017, meio milhão de pessoas se mobilizou até o Congresso para protestar contra a reforma previdenciária promovida pelo governo nacional. O governo Cambiemos preparou um forte aparato repressivo, aperfeiçoado em relação ao que quatro dias antes, no dia 14, reprimira uma mobilização pela mesma questão. Embora a nova legislação que modificou a mobilidade das aposentadorias tenha sido aprovada, o poder da resposta social foi tal que o governo arquivou grande parte de seu plano de governo (reforma trabalhista no estilo brasileiro, privatização parcial do sistema de aposentadoria e maior redução de impostos) ) Muitos analistas consideram que esses dias marcaram o início da perda de iniciativa política do Macrismo e o início de seu declínio político, o que foi acentuado pelo desastre econômico alguns meses depois, desde abril de 2018.

Nesse quadro de massas mobilizadas, a justiça aponta Romero com argumentos que o advogado Alderete refuta. “Quando é acusado pela conduta específica que Romero teria realizado, se diz que teria atirado com uma arma caseira. A verdade é que existe uma perícia apresentada por nós, do especialista em criminalística Enrique Prueger, onde é verificado através de fotos e uma análise de áudio dos vídeos, entre outros aspectos, que o que ele usou é um elemento pirotécnico, uma morteiro de venda livre amarrado à ponta de um galho e que a única coisa que gera é ruído. Portanto, também não está provado que ele atirou com uma arma de fabricação caseira”.

Segundo Alderete, o juiz reconheceu que se trata de um elemento pirotécnico de venda livre, apesar de ter sido acusado pelos crimes de intimidação pública e ataque à autoridade. O magistrado se apoia na declaração de policiais que dizem ter sido afetados pelo barulho. Alderete, porém, garante que não é assim: «A única imagem que tem de Sebastián Romero naquele dia é a de conhecimento público, aquela que saiu em todo lugar. Esta imagem foi tomada na Plaza de los Dos Congresos, quase ao lado da esquina das ruas Solís e Hipólito Yrigoyen. Mas os policiais que dizem ter sido afetados pelas ações de Romero faziam parte de um grupo de contenção localizado em Hipólito Yrigoyen e Luis Sáenz Peña, a dois quarteirões de distância.

O caso de Daniel Ruiz

Outro dos processados ​​pela justiça no mesmo caso que Romero é Daniel Ruiz, que foi detido 13 meses até recuperar sua liberdade depois que um tribunal de apelação aceitou os argumentos de sua defesa – também defendido por Alderete – no sentido que o morteiro pirotécnico de venda livre não era uma arma de guerra, como argumentou o promotor, a polícia, o governo e alguns meios de comunicação.

Diante desse cenário, Alderete alertou sobre a possibilidade de o sistema judiciário também decida submeter Romero ao mesmo tratamento.

Ruiz foi libertado no final do ano passado e enfrenta o processo pelo qual Arakaki, Ponce, Romero e Stansiola também estão sendo processados.

O festival

Neste sábado, 25, a partir das 17:00, Karamelo Santo, Las Manos de Filippi e Cuyoman, entre outros artistas, darão sua contribuição solidária pela liberdade de Sebastián Romero. Pode ser visto em https://www.facebook.com/libertadasebastianromero

Publicado originalmente em: https://www.tiempoar.com.ar/nota/festival-por-la-liberty-de-sebastian-romero

Tradução: Lena Souza