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Este ano, o Encontro Nacional de Mulheres (ENM) se realizou em Chubut. A escolha foi sustentada na necessidade de tornar visíveis as lutas de resistência que os povos originários vêm travando contra grandes latifundiários estrangeiros. E para denunciar a repressão em que desapareceram com Santiago Maldonado e depois o mataram, onde mataram Rafael Nahuel, onde prenderam e extraditaram Jones Huala, onde perseguem e processam Moira Millán.

Por: PSTU-Argentina

O ENM estava cheio de mulheres, com lenços verdes por todos os lados, e muitos debates. Nós do Lucha Mujer e do PSTU participamos das oficinas e espaços do encontro dizendo que para as mulheres estarem melhores devemos expulsar Macri, o FMI e o G20. Levantamos a bandeira da liberdade de nosso companheiro Daniel Ruiz e o fim da perseguição de todos os lutadores e lutadoras, como nosso companheiro Sebastián Romero.

Na província onde, este ano, as professoras e trabalhadoras públicas levaram uma luta impressionante, com acampamentos e vigílias sob a neve, com greves e manifestações de muitos quilômetros. Onde a Patagônia é Rebelde fomos para discutir a necessidade de que a liberdade das presas e presos por lutar deve ser uma das reivindicações de todas nós que nos reunimos em Trelew neste final de semana.

Para lutar contra o orçamento da fome e que reduz as verbas para combater a violência machista, para lutar para manter os postos de trabalho que tanto nos custa para conseguir, para enfrentar a fome e a destruição da saúde pública e educação pública que afeta nossas famílias, para isso, temos que enfrentar a repressão desse governo e o primeiro passo é tirar da prisão todas as companheiras e companheiros de luta.

No ato que realizamos pela liberdade de Daniel Ruiz e todos as presas e presos por lutar, Moira Millan nos contava como a justiça continua perseguindo por resistir ao despejo de suas terras ancestrais e dizia muito acertadamente: “Os presos não vão sair por artifícios legais ou bons advogados, mas pela vontade inquebrantável dos povos. Temos que superar o medo e ter confiança para lutar pelos nossos sonhos”.

Ataques à luta das mulheres

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A tentativa de ganhar terreno dos setores “antidireitos” que está ocorrendo na Argentina também se sentiu neste encontro. A administração, os setores ligados à Igreja e ao governo assustaram os moradores, colocaram medo nos comerciantes locais e conseguiram uma cidade com muitos comércios fechados para nos receber. E dada a terrível crise econômica que estamos passando, esses comércios poderiam ter aproveitado a afluência de tanta gente para obter um pouco de renda extra.

Esses mesmos setores intimidaram e atacaram companheiras durante os três dias. Atiraram pedras e agrediram as escolas onde as participantes estavam dormindo, espancaram moças que vendiam seus artesanatos nas praças. A polícia liberou áreas onde os pertences de várias participantes foram roubados.

A política repressiva já se percebia no caminho, onde a polícia em uma operação sem igual parou os ônibus e revistou milhares de mulheres nas rodovias argentinas. Os cães cheiravam as sacolas e a polícia detinha e paralisava os ônibus com desculpas burocráticas.

Como toque final, a alegria da luta compartilhada, em que as mais jovens cantaram orgulhosamente pelas ruas de Trelew, foi brutalmente reprimida. Com episódios de violência policial sobre algumas meninas, infiltrados e homens violentos que bateram em companheiras e com várias detidas que foram liberadas de madrugada após a reivindicação na rua por sua liberdade.

O plano de Macri, o FMI e o G20 trará mais sofrimento para nós, por isso eles têm que aplicá-lo com repressão. Para lutar por nossos direitos, pelo aborto legal, pela liberdade das e dos lutadores é necessário derrotar a repressão, lutando de forma comum junto com todo o povo trabalhador, organizando a autodefesa e derrubando Macri e todos os abutres internacionais.