COMPARTILHAR

Os trabalhadores voltaram a ser protagonistas de uma nova grande greve Nacional. As principais fábricas do país não funcionaram, os trens ficaram parados, assim como os ônibus e aviões. As escolas estavam vazias e os bancos fechados.  A grande maioria dos trabalhadores parou o país, mostrando a força e vontade de ir para a luta.

Por: PSTU Argentina

Macri nos EUA

Enquanto isso, o presidente lançou sua reeleição nos EUA, depois de fechar um empréstimo com o FMI.

Para descansar, ele foi passear com sua esposa pelo Central Park em Nova York, foi cumprimentar o presidente Donald Trump e jantou com Christine Lagarde, presidente do FMI.

Em um discurso que ele fez a empresários que o recompensaram por ser submisso, o presidente disse que ele teve “uma queda por Christine Lagarde” e espera “que a Argentina se apaixone” por ela.

Macri foi para os EUA buscar apoio político e econômico, porque na Argentina somos milhões que querem que ele saia.

A renúncia de Caputo

Macri queria ser forte nos EUA, mas, em plena viagem e no mesmo dia da greve, Caputo apresentou sua renúncia ao Banco Central. Alguns dizem que ele renunciou para não afundar com o navio, outros que ele deixou antes que eles o expulsassem. Nós acreditamos que são as duas coisas.

Em três meses, durante a administração de Caputo, o dólar superou 40 pesos, e a bicicleta financeira consumiu os 15 bilhões de dólares emprestados pelo FMI.

A última questão é o que preocupa o FMI, porque se a fuga de capitais continuar, não haverá dólares para pagá-los.

Então Lagarde pediu uma mudança, e Macri sacrificou seu amigo Caputo, para colocar Sandleris, um tecnocrata que trabalhou como investigador do FMI, foi Subsecretário de Orçamento da Nação entre 1999 e 2001 e nos últimos anos atuou como Secretário de Política Econômica no Ministério das Finanças.

Leia também:  Argentina: precisamos de uma nova direção

Seu primeiro anúncio foi que ele deixará o preço do dólar e juros livres para o mercado. Isso significa que eles continuarão a subir e que a recessão se aprofundará.

Ajuste para pagar o FMI

A dívida externa chegou a 360 bilhões de dólares. Isso significa 70% da produção total de bens e serviços em todo o país [1].

O FMI empresta dinheiro e, em troca, exige a capacidade de poder pagá-lo. Como?

Reduzindo ainda mais o orçamento para educação, saúde e obras públicas. Demitindo funcionários do Estado. Reduzindo os salários e tornar as condições de trabalho ainda mais flexíveis. Eliminando as aposentadorias por invalidez e matando nossos idosos com aposentadorias por fome que nem sequer têm condições de comprar os remédios.

Por isso, Macri está negociando com o peronismo um corte de 300 bilhões no orçamento para o próximo ano.

Daniel Ruiz é um prisioneiro político do governo, do FMI e do G20

O ajuste não passa sem a repressão, por isso nosso companheiro Daniel Ruiz está preso em Marcos Paz, por ter feito parte dos milhares que saíram às ruas para repudiar o roubo de aposentados em 18 de dezembro.

Não podemos permitir que tenham presos políticos por lutar.

Exigimos a libertação imediata de Daniel Ruiz, Milagros Sala, Jones Huala e o fim da perseguição de Sebastián Romero.

A crise do governo

Macri precisa nos derrotar para impor seus planos, mas ele não pode. Essa é a sua principal crise. A “desconfiança dos mercados” que os jornalistas mencionam tanto não é outra coisa que a desconfiança dos empresários em que Macri possa nos derrotar para impor seu plano.

A greve foi imposta pela raiva

O triunvirato da CGT foi forçado a chamar a greve nacional. A raiva dos trabalhadores contra o governo, mas também contra os líderes sindicais vendidos que nos entregaram por paritárias (negociações) miseráveis, que deixaram passar as demissões, e garantem que Macri continue no governo.

Leia também:  7 meses de prisão: ativista argentino Daniel Ruiz fala sobre a mobilização por sua liberdade

Durante a greve, Carlos Schmidt disse que, se não houver plano B, não haverá trégua. Nós deveríamos perguntar a ele quanto tempo ele planeja dar a Macri para ver se eles mudam o Plano, porque eles já lhe deram três anos, e a cada minuto que passa há mais pessoas pobres, mais fome e mais miséria.

O ato na Plaza de Mayo

As duas CTA`s convocaram uma greve de 36 horas e um ato na Plaza de Mayo, junto com o movimento sindical pelo Modelo Nacional, de Moyano, Pignanelli e Palazzo. Também estavam o CTEP, Barrios de Pie e o CCC.

Nesse ato, Daniel Catalano, Secretário Geral da ATE Capital, subiu ao palco e leu uma carta de Milagro Sala, segurando um cartaz exigindo a libertação imediata do nosso companheiro Daniel Ruiz. Foi um gesto de unidade contra a perseguição política, e redobramos nosso compromisso de impulsionar, com todas as organizações políticas, sindicais e de direitos humanos, uma campanha pela liberdade de Daniel Ruiz, Milagro Sala, Jones Huala e todos os presos por lutar.

Mas, enquanto buscamos a unidade para mobilizar, lutaremos pela única maneira de derrotar o plano econômico, que é derrubando o governo de Macri agora. É por isso que somos contra a espera até as próximas eleições, como defenderam na Plaza de Mayo os dirigentes kirchneristas. Cada dia que Macri fica no governo é mais miséria. Ele já deixou claro que não há Plano B e ratificou o rumo econômica a partir dos EUA, o mesmo dia da greve. É por isso que é ridículo pedir a ele para mudar. A única solução é derrubá-lo. Mas não para que Cristina retorne, e sim para organizar um governo operário e popular, sem patrões, construído a partir das fábricas e de cada local de trabalho.

Abaixo o orçamento de 2019! Assembleias e Plano de Luta

Leia também:  Dia 24 de Março: Todos às ruas!

A contundência da Greve Nacional, as mobilizações, concentrações e piquetes que aconteceram em todo o país mostraram que os trabalhadores querem lutar. O único obstáculo são os dirigentes vendidos.

Precisamos de salários que seja suficiente para viver, precisamos de saúde, educação, moradia e trabalho. Temos que parar de pagar a dívida a fraudulenta dívida pública e acabar com a repressão do governo.

Para isso, precisamos de um Plano de Luta que vá crescendo, com paralisações, mobilizações e assembleias. Temos que exigir a data da próxima parada e tem que ser 48 horas

A próxima grande batalha é contra o orçamento de 2019, que Macri quer votar junto com um setor do peronismo.

A CGT tem que chamar, agora mesmo, uma Greve Nacional com mobilização no dia em que esse orçamento de fome e miséria para os trabalhadores for votado.

Os dirigentes da CTA, Moyano, Pignanelli, e todos os líderes que dizem que querem enfrentar Macri têm que convocar agora assembleias em todos os locais de trabalho, para discutir o que fazermos. Nós não podemos continuar a ser informados por WhatsApp ou televisão o que eles decidem na cúpula.

Mais democracia nos sindicatos é mais força para sair e lutar. Vamos continuar mobilizados até derrotarmos o plano do governo e expulsar Macri. Nós não podemos esperar até as eleições do próximo ano. Precisamos endurecer a luta e derrotá-la agora, nas ruas.

[1] https://www.infobae.com/economia/2018/08/04/la-deuda-publica-se-aproxima-al-70-del-pbi-el-nivel-mas-alto-en-12 -anos

Tradução: Lena Souza