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Não estamos dispostas a dar nem um passo atrás nos direitos conquistados e para seguir lutando pelos que ainda não temos.

➔ Estamos cansadas de seus laços roxos, seus minutos de silêncio, suas Leis sem orçamento, seus pactos de pose e suas migalhas.
➔ Nos roubam no salário e as aposentadorias.

➔ Nos estupram, agridem e assassinam, com a cumplicidade de governos e instituições.

➔ Nos negamos a ser incubadoras para o Estado e exigimos decidir sobre nossa maternidade e nossa sexualidade.

➔ Não queremos fazer de graça os trabalhos domésticos e de cuidados, dos quais o Estado deve responsabilizar-se.

➔ Nativa ou estrangeira, a mesma classe operária.

➔ Trabalhadoras desempregadas ou precarizadas, imigrantes ou não, aposentadas ou estudantes, voltaremos a sair às ruas.

Como organizamos a greve?

Pensamos que as greves não podem ser decretadas, mas para que sejam bem-sucedidas devem ser construídas a partir da base, chamando assembleias em todos os bairros, locais de trabalho e estudo para explicar os motivos da mesma e que quem participar de tais assembleias, possa decidir de forma democrática como se somar a ela.

Não compartilhamos a ideia de uma Greve feminista, e sim que como defendem sindicatos como Cobas, acreditamos que na Greve devem participar o conjunto da classe operária. Se a opressão machista é usada pela burguesia para dividir a classe trabalhadora, outorgando privilégios aos homens, não há forma de unir a esta se as reivindicações das mulheres não são defendidas pelo conjunto da classe. Não bastam paralisações simbólicas, precisamos deter a produção.

Para que uma Greve?

– Revogar as reformas trabalhistas de 2010 e 2012, que substituíram emprego estável com direitos, por emprego precário. As mulheres somos as mais prejudicadas.

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–Lei pela obrigatoriedade de igualdade salarial entre homens e mulheres, e planos de igualdade obrigatórios em todas as empresas, não somente naquelas com mais de 250 trabalhadores, que além de tudo não são fiscalizadas.

–Licenças maternidade e paternidade iguais e intransferíveis e 100% pagas.

– Basta de discriminação trabalhista com as empregadas domésticas, quem em 90% são imigrantes e a maioria não tem contrato.

–Defesa de um sistema público que garanta pensões dignas para todas e iguais entre mulheres e homens.

–Aposentadoria aos 60 anos, pensão mínima de 1.080 euros e garantida pelos Orçamentos Gerais do Estado.

–Gasto público repondo o emprego destruído nestes anos, onde a maioria dos demitidos foram as mulheres, já que somos 70% das pessoas empregadas no setor público e nos postos mais precários.

–Residências e centros de referência públicos para a atenção de pessoas idosas e/ou dependentes que continuam falecendo sem receber os serviços aos quais tem direito. Uma situação que afeta sobretudo as mulheres por ser a maioria das pessoas em situação de dependência e 90% das pessoas cuidadoras.

–Gasto em educação pública de 0 a 3 anos, já que atualmente 70% dos menores de três anos não estão escolarizados e 85% da oferta é privada ou privada-subsidiada. Educação sexual e em valores de igualdade. Fora a igreja católica da educação pública!

–Gasto em saúde para assegurar acesso universal ao aborto legal nas primeiras 14 semanas nos hospitais públicos, anticonceptivos seguros e gratuitos e tratamentos de fertilidade para todas sem discriminação de nenhum tipo.

–Políticas de igualdade em todos os âmbitos.

–Aumento drástico do orçamento destinado à rede de prevenção, atenção e proteção contra toda violência machista.

–Depuração de um sistema judicial cheio de estereótipos e preconceitos machistas que revitimiza as mulheres que sofrem esta violência, que questiona sua credibilidade e persegue aquelas mulheres que se atrevem a denunciar.

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–Modificação imediata do Código Penal qualificando como estupro toda relação sexual não consentida: NÃO é NÃO!
–Formação em violência machista de todo o pessoal que atende quem a sofre.

Há recursos para por em marcha todas estas medidas?

Este ano pagaremos só em juros da dívida mais de 31 bilhões de euros. Se há dinheiro para isto, tem que haver dinheiro para criar emprego, para saúde, educação, dependência ou luta contra a violência machista…

– Exigimos a revogação do artigo 135 e a suspensão do pagamento da dívida até que as necessidades sociais básicas e nossos direitos sejam garantidos.

Corriente Roja

Tradução: Lilian Enck