Declaração do Conselho Nacional do PdAC (Itália) sobre a revolução líbia. O organismo dirigente do partido italiano era reunido no fim de semana passado, enquanto se desenvolvia a guerra civil na Líbia.
 
Nas horas seguintes a situação conheceu novos desenvolvimentos. E ainda nestas horas é em curso uma luta até o último sangue entre as massas rebeladas e o que resta do governo amigo de Berlusconi.
 
Em um vídeo divulgado domingo à noite, um dos filhos do líder líbio tentava persuadir os manifestantes (“faremos as reformas” anunciou) ao mesmo tempo, que mostrava o punho, ameaçando de esmagar no sangue os protestos.
Mas a revolução não para. A população não crê nas promessas de reformas de um sistema que em quarenta anos governa com o terror, nem escuta os apelos que vem da Europa, e especialmente da Itália, para encontrar uma "solução pacífica". Na Itália, este apelo criminoso que na prática é a tentativa extrema de salvar um líder que permitiu as empresas italianas ter negócios lucrativos, com Berlusconi e D’Alema, demonstrando mais uma vez como a centro-direita e a centro-esquerda são as duas faces da mesma moeda: aquela da exploração e da opressão capitalista.
 
Não podendo mais contar com as forças regulares, o governo líbio emprega mercenários. Chegando a utilizar a aviação militar e armas pesadas para golpear as manifestações das praças. Mas as massas não retrocedem e respondem golpe a golpe, apoiadas por setores do exército que (como acontece em toda revolução) passaram para o outro lado da barricada.
 
Na capital ocorreram ataques e colocou-se fogo no palácio do governo, no parlamento e na sede da televisão estatal. Também personalidades de primeiro plano do regime estão abandonando o líder. São todos sinais de um poder que chegou no final da linha, mas são também tentativas por parte dos velhos instrumentos do regime para evitar que o sistema social do País seja realmente derrubado. De fato, não são estas personagens, que por anos foram sustentáculos do regime, que podem responder positivamente as expectativas das massas populares. É necessário que, entre o fogo e as chamas da revolta, nasça uma direção política revolucionária, comunista, em condições de evitar que o tzar Gheddafi seja substituído por um Kerensky (laico ou religioso).
 
A história nos demonstra que nenhuma revolução pode interromper-se na metade do caminho. Depois de haver derrubado Gheddafi não precisa parar. Da Líbia pode chegar um novo alento para as lutas na Tunísia e no Egito, permitindo assim derrubar também quem está procurando trair as revoluções que derrubaram Bel Ali e Mubarak. Somente o desenvolvimento destas revoluções em revoluções socialistas pode abrir a estrada a um mundo novo. E a revolução vencerá somente se estender-se aos outros países africanos e a todo o Oriente Médio. Encontrando depois um eco nas lutas da classe operária e dos jovens da Europa.
 
(Alberto Madoglio)

SOBRE REVOLUÇÃO LÍBIA
 
declaração do Conselho Nacional do PdAC

O Conselho Nacional do PdAC, reunido nas horas em que explode a guerra civil na Líbia, exprime plena solidariedade com a luta revolucionária das massas populares.
 
Depois da Tunísia, do Egito, a onda revolucionária, iniciada pela Europa, está golpeando grande parte dos Países da área. Iêmen, Argélia, Bahrein (amanhã a Arábia Saudita?) são nestes dias sacudidos por imponentes manifestações populares que assumem sempre mais um caráter revolucionário. Os jornais nos informam que blindados e balas não param as revoltas nem na Argélia, nem em Manama (capital do Estado fantoche do Bahrein). Mas é a Líbia que nestas horas representa a ponta mais avançada da insurreição que está sacudindo todo o mundo árabe. Como aqueles de Ben Ali e Mubarak, também o regime de Gheddafi, que até poucos dias parecia poder durar eternamente, vê a sua existência em risco.
 
A maioria da população vive num estado de indigência econômica, e sob o talão de um regime opressivo e criminoso. As bilionárias receitas advindas da venda de gás e petróleo, não melhoraram em nada o nível de vida dos líbios, mas apenas enriqueceram a fraca burguesia local, a camarilha do poder e, sobre tudo, as multinacionais estrangeiras (a ENI italiana a frente), que aumentaram o seu interesse na área, em particular quando o ex- "Estado canalha" tornou-se aliado do imperialismo ocidental.
 
A revolta das massas explodiu velozmente e de maneira violenta: logo ocorreram choques com o aparato estatal, ataques aos símbolos do poder (prédios estatais, delegacias de polícia etc.). Não obstante a repressão do exército, polícia e mercenários, não se freou a raiva revolucionária da população. Inteiras cidades, depois de serem tomadas a ferro e fogo pelos insurgentes, parece que estão agora sob o controle das massas revoltosas. Falamos de Bengasi e Al Beida, que estão entre as maiores cidades do País.
 
Como em Tunês e no Cairo, a força das massas é superior a qualquer batalhão do exército ou polícia. E também na Líbia vemos que os aparatos do Estado podem ser despedaçados: a imprensa independente informa que setores das forças de repressão se colocam junto dos insurgentes.
 
Mas para vencer definitivamente, e evitar que um regime opressor se substitua por outro (no Egito, por exemplo, o governo provisório é ligado ao imperialismo e aos interesses da burguesia nacional), ou que as históricas tensões entre as populações da Tripolitania e da Cirenaica degenerem em uma sanguinária guerra “tribal”, é necessário que na Líbia se constitua uma direção consequentemente revolucionária, que coloque na ordem do dia a criação de organismos de defesa da luta e avance a palavra de ordem da formação de um governo operário e camponês, que tenha como objetivo a expropriação sem indenização, sob controle operário, das empresas em mãos dos capitalistas locais e estrangeiros, primeiro passo para fazer que a luta se transforme em uma revolução socialista, única solução.
 
Hoje é mais que nunca urgente a necessidade de desenvolver uma direção mundial, a Quarta Internacional, que sobre a base de um programa da revolução permanente possa levar as diversas revoluções em curso à vitória. A luta dos jovens líbios, egípcios, tunisianos que desafiam sem medo a repressão mais brutal abre hoje um novo cenário mundial. As massas populares rebeladas colocaram na ordem do dia a revolução não somente nos seus respectivos países, mas em todo o mundo. A sua luta é a nossa luta. É a luta de todo o proletariado mundial contra o capitalismo e a divisão em classes, contra a opressão imperialista.
 
Viva a revolução socialista mundial!
 
Viva a Liga Internacional dos Trabalhadores! Viva a Quarta internacional!