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Em entrevista à Folha de S. Paulo, a presidente da UNE, Marianna Dias (UJS), ao tratar sobre as mobilizações contra os cortes de 30% da educação federal, negou a possibilidade de uma greve nacional por tempo indeterminado ao dizer que “a nossa convocação é universidade aberta funcionando a todo vapor, porque o sonho de Bolsonaro é que a universidade pare”.

Por: Rebeldia – Juventude da Revolução Socialista

Esse argumento é um desserviço à luta dos estudantes e dos trabalhadores da educação. Primeiro por que o que incomoda as noites de sono de Bolsonaro e seu governo não é a universidade ou os institutos federais funcionando, mas sim a mobilização permanente e radicalizada dos estudantes em unidade com os trabalhadores para derrotar todos os ataques.

Segundo, que a greve nas universidades pode sim ser um instrumento de luta contra o governo. Cid Benjamin [1] escreveu um longo artigo onde argumenta contra a greve nas universidades. Diz que seria um favor ao governo, pois o movimento se desgastaria e não incomodaria Bolsonaro e sua trupe. E que invariavelmente a greve seria derrotada. Este debate sempre acontece diante da iminência de uma greve nas universidades.

Dizer que greve na universidade não funciona, pois não para a produção é esquecer que o papel da greve entre os trabalhadores vai bem para além disso. Óbvio que uma greve estudantil e do funcionalismo público não para a produção. Mas cumpre outro papel fundamental de mostrar ao governo quem é que manda nas universidades. Coloca em questão o poder nas universidades e escolas. Assim como uma greve operária coloca em questão quem detém de fato o controle da produção.

Diante do corte de 30% do seu orçamento de custeio, sem condições de funcionar, o que fazer nas universidades? Continuar trabalhando e estudando como se nada tivesse acontecido? Levar adiante a universidade capengando com falta de verbas? Isso é o que quer o governo.

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Negar qualquer forma de luta de antemão é errado. Afinal, estas respondem a necessidade da própria luta. Como e de que jeito ela pode se desenvolver, ampliar a mobilização, etc. Depois do dia 15 de maio e do dia 14 de junho, qual o próximo passo da luta nas universidades e escolas? Ficar realizando aulas públicas? Esta é a maneira de ampliar a luta depois da maior greve da educação da história e depois de uma greve geral? Não pode ser sério.

Defendemos a ampliação das mobilizações até os ataques do governo acabarem. Se preciso for tomar as universidades, greve por tempo indeterminado, e qualquer forma de luta que cumpre o objetivo de ampliar e aprofundar a mobilização contra o governo é válida.

A UNE sendo a UNE

Em nenhum momento da “Nota Oficial da UNE sobre os ataques à educação feito por Bolsonaro e Weintraub” está a necessidade que as ações do dia 15 de maio estejam vinculadas em fortalecer a construção da Greve Geral de 14 de junho – momento decisivo da luta da classe trabalhadora contra esse governo nojento. Isso sim é o sonho de Bolsonaro: estudantes de um lado e trabalhadores do outro. E frente as chantagens que o governo faz de liberar os 30% se a Reforma da Previdência passar, é uma obrigação da UNE construir ativamente a Greve Geral.

Reforçamos a necessidade da unidade do movimento estudantil e da sua aliança com os trabalhadores para derrotar os ataques do governo. Mas estas posições da UNE são apenas um sintoma do projeto político que defendem. Defendem a volta do antigo projeto de administrar o capitalismo através da conciliação de classes que já foi tentado na época dos governos do PT e deu no que deu. Não à toa hoje os governadores do PT em alguns estados do Nordeste seguem reprimindo a luta dos trabalhadores e estudantes contra seus cortes de verbas, como na Bahia. E além disso os governadores petistas seguem tentando negociar a reforma da Previdência.

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Vai se desenhando um movimento forte contra Bolsonaro, o inimigo número 1 da Educação Pública e dos trabalhadores. Se queremos construir um movimento que derrote definitivamente o governo e com ele esse sistema podre, a luta vai exigir dos estudantes e dos trabalhadores cada vez mais tempo e mais energia. Com as verbas diminutas que as instituições federais terão após esses cortes, vai se inviabilizando cada vez mais a produção e o ensino acadêmico. Da mesma maneira que, caso os estudantes façam uma greve por tempo indeterminado, poderá ser utilizado pelo governo como propaganda contra o movimento, do outro lado, continuar a funcionar sem condições mínimas poderá legitimar que é possível viver sem os 30% do orçamento.

O caminho é a luta contra governos e patrões

O que deve medir nossa ação é a unidade com a classe trabalhadora e a mobilização permanente. Como horizonte deve estar a derrota do governo. E que não apenas se desfaça os cortes da educação e a reforma da Previdência. Mas que se garanta 10% para a educação pública e acabe com o desemprego. Isso só será possível fazendo os responsáveis por essa crise pagar por ela: a burguesia! Por isso é preciso não pagar a dívida pública e expropriar sob controle dos trabalhadores as 100 maiores empresas. O que só poderá ser feito por um verdadeiro governo dos trabalhadores formado por conselhos populares, socialista, sem patrões e corruptos.

Temos que apostar na luta, na capacidade de mobilização dos trabalhadores e estudantes, e defender uma verdadeira transformação no país. Destruir esse sistema capitalista que nos condena a não ter aposentadoria e nem educação. A saída é o socialismo.