As demissões não podem parar a luta!
 
Quase  um mês depois do referendo-farsa de Pomigliano, organizado pelos patrões em associação com os sindicatos pelegos (CISL, UIL, FSIMIC e UGL), e apesar das pressões e da chantagem da perda do emprego os operários não se dobraram e, de mãos dadas, rejeitaram os planos patronais de destruir os seus direitos e suas conquistas de séculos de lutas com a concordância deles próprios. Cabe lembrar que de fato os operários votaram em grande maioria contra o acordo da vergonha.
 
Somente a SLAI-COBAS e FIOM se opuseram ao plano patronal. Embora a direção da FIOM tenha procurado imediatamente voltar à mesa de negociação. No dia seguinte ao referendo, ao contrário de convocar a mobilização em larga escala, fortalecida pela disponibilidade de luta demonstrada pelos operários por meio do voto, se disse disponível para reabrir as negociações.
 
Infelizmente para certos burocratas sindicais, existem momentos na história (que é a história da luta de classes) nos quais a negociação não é possível, porque a outra parte, para salvar os próprios lucros, não deseja ceder nada. No mundo se trava uma guerra até o fim entre o capital e o trabalho. O problema é que os proletários não têm um comando para as próprias tropas. Esta guerra está sendo combatida, dia após dia, da Fiat até a menor das oficinas em todo mundo, com o mesmo objetivo patronal (diminuir e precarizar o pessoal, aumentar a produtividade, aumentar os ritmos, eliminar todos os direitos e todas as conquista).
 
Diplomacia em tempo de guerra
 
E assim, enquanto ocorre uma guerra mundial desta escala, a burocracia sindical (este grupo de parasitas que tira do sistema capitalista seu próprio sustento e que portando trabalha ativamente para salvaguardar o sistema) finge ignorar até que se está combatendo numa guerra.
 
A burocracia da FIOM, ao contrário de reagrupar as tropas para prepará-las para a batalha (e teria a possibilidade de fazer isso), se limita à diplomacia: uma greve de vez em quando (que não atrapalha muito os negociadores), uma ameaça de recorrer à justiça, uma abertura ao “diálogo”.
 
Esta política para os trabalhadores é absolutamente falida. E, de fato, enquanto certos burocratas jogam com a diplomacia em tempo de guerra, os patrões tentam o golpe final. De Mirafiori a Terni (fábricas da Fiat, ndt) membros e delegados da FIOM são demitidos com vários pretextos. A mensagem é clara: não se admite nenhum tipo de contestação, fortalecidos também com o apoio aberto do governo.
 
Se uma coisa nos assusta, tendemos a remover-la. Assim fazem os burocratas, que temem mais do que qualquer outra coisa a explosão das lutas. Diante de um ataque patronal sem precedentes, diante da clara represália contra os trabalhadores sindicalizados, Guglielmo Epifani (Dirigente sindical pelego, ndt) não encontra nada melhor do que declarar: “A Fiat está errando o caminho e quanto antes ela perceber melhor. Existe o risco de uma radicalização; uma situação que não será boa nem para os trabalhadores, nem para a empresa, nem para o país”.
 
Pomigliano: novo modelo para todos
 
Imediatamente assinalamos como o acordo da vergonha assinado em Pomigliano foi, nas intenções dos signatários, um cavalo de Tróia. O ministro do trabalho Sacconi declarou abertamente, intervindo na apresentação do relatório sobre a liberalização de 2010: “O acordo de Pomigliano fará escola. […] I referendos não devem ser feitos, mesmo se este tenha ocorrido muito bem. […] Não tivemos nunca uma democracia de assembléias, é somente a FIOM que a pede”.
 
Com a entrada em vigor do acordo sobre o novo modelo contratual, firmado pelo governo e Confindustria, juntos com as direções colaboracionistas da CISL e UIL, de fato se demoliu o Contrato Coletivo nacional de trabalho, liberando as impressas do vínculo de contratar coletivamente direitos e salários dos trabalhadores. E obviamente os trabalhadores, isoladamente ou empresa por empresa, têm muito menos força para lutar.
 
As demissões destes dias que tem mais a ver com Pomigliano do que com outra coisa (no caso de Mirafiori explicitamente, nos outros casos aparentemente menos). O ministro Sacconi, que não perde nunca a ocasião para ficar calado, falando no intervalo das negociações no Palácio Madama (Sede do senado italiano, ndt), chegou a colocar em questão o próprio direito dos trabalhadores a lutar: "ocorreram episódios que, se verdadeiros, são graves. Não se pode impedir aos demais de trabalhar e impedir aos demais de circular. Espero que sejam os últimos focos de um mundo que se exaure e que o panfleto da FIOM signifique que depois da tempestade possa tornar a calma”, fazendo referência ao panfleto distribuído por alguns trabalhadores de Mirafiori durante a passeata do dia 14 no qual se chamava Marchionne (máximo dirigente da Fiat, ndt) a um confronto “sem filtros e ficções mediáticas”.
 
Mas a luta de classes não se pode parar!
 
Não obstante os desejos dos patrões e dos burocratas, a luta de classes não pode se interrompida! Certo que os operários são desanimados e empurrados para trás a cada passo pelas direções reformistas (sindicatos e partidos governistas), prontos a vender a cada curva os direitos e as conquistas. Mas enquanto a sociedade continuar dividida em classes, contrapostas pela sua própria natureza, a luta de classe não se para.
 
Ainda uma vez, diante dos gravíssimos fatos destes dias, a resposta da burocracia é insuficiente (a greve habitual). Mas os trabalhadores de Pomigliano, que apesar de vivem em uma zona pobre, na qual o abandono da Fiat pode significar anos de desemprego e depressão, tem demonstrado não aceitar chantagens e de estarem prontos a lutar.
 
É hora de desenvolver esta luta. Precisamos lançar a palavra de ordem de ocupação de todas as fábricas do grupo Fiat, começando por Pomilgiano! Os trabalhadores da Fiat poderiam assim não apenas derrotar o ataque de Marchionne, mas também tornarem-se, como em outras vezes na história, referência para todas as lutas operárias em curso.
 
Os trabalhadores estão sofrendo um ataque sem precedentes das classes dominantes em ruína, que lutam com todos os golpes para salvarem-se da catástrofe. Hoje o que falta para reagir e inverter o rumo não é certamente a coragem ou a disponibilidade ao sacrifício. O que falta é uma direção revolucionária, capaz de transformar cada ataque patronal, cada injustiça no local de trabalho e em toda a sociedade, em muitas faíscas da revolta. Uma direção em nível internacional capaz, partindo das necessidades elementares das massas, de sublevar os bilhões de oprimidos do mundo e derrubar de uma vez por todas este sistema de exploração universal chamado capitalismo.
 
(*) operário metal-mecânico, responsável nacional do trabalho sindical do PdAC
 
 
Tradução: Rodrigo Ricupero