O governo do AKP utilizou a tentativa fracassada de golpe de 15 de julho em sua própria vantagem, ampliando a repressão sobre a oposição. Os recentes ataques do governo ao movimento curdo e aos grupos de esquerda, assim como a figuras públicas proeminentes, demonstram que sua intenção é claramente calar toda oposição.

Declaração do Movimento RED – Turquia

A opressão aos trabalhadores, estudantes, intelectuais e outros grupos de oposição, intensificada desde a derrota do levante de Gezi[1], ficou ainda mais forte, desde que o governo passou a explorar a derrota da tentativa de golpe militar como uma oportunidade. Auto avalizando-se com poderes excepcionais pelo Estado de Emergência, o governo fechou recentemente dezenas de estações de TV, jornais e sites de internet, todos pertencentes à oposição de esquerda e ao movimento curdo.

Também intensificou os ataques à classe trabalhadora. Mais de 10.000 professores foram demitidos por serem filiados ao Egitim-Sen, único sindicato de esquerda no setor. Muitos grupos de trabalhadores e organizações em greve estão sendo atualmente ameaçados pela polícia, apoiada nas normativas do Estado de Emergência. Outros tantos intelectuais e jornalistas foram detidos e mais ainda estão sendo enviados à prisão. Mais de 1.000 acadêmicos que haviam assinado uma petição contra a luta do governo aos rebeldes curdos – conhecidos como Acadêmicos pela Paz – foram presos.

A Turquia simplesmente deixou de ser um país democrático. O regime evolui para uma espécie de ditadura fascista-islâmica, sob a qual o presidente Erdogan fortalece sua posição pessoal no poder contra os opositores internos e estrangeiros, assim como instiga ao nacionalismo e ao islamismo para solidificar sua base civil. A diferença entre o Estado e o governo está desaparecendo, com as forças militares e a polícia convertendo-se em uma milícia do governo (combinada, por sua vez, com as forças civis do partido, à espera).

O Movimento RED, grupo simpatizante da LIT-QI, também está sendo alvo destes ataques e da opressão, já que confronta as políticas de governo, levantando valores revolucionários e chamando a ações unificadas dos trabalhadores contra os ataques chauvinistas e reacionários dos patrões. Hakan Gülseven, jornalista e reconhecida figura pública, está sob ataque das forças do governo, acusado de ter contato direto e colaborar com o grupo hacker de esquerda, RedHack, sendo acusado de crime terrorista.

Além de Gülseven, muitas outras figuras de esquerda estão sendo acusadas de colaborar com RedHack. Hakan Gülseven, por sua vez, é membro do Comitê Executivo do Movimento Junho Unido, organização de luta apoiada nas reivindicações do Levante de Gazi, um dos motivos centrais pelo qual está sendo perseguido.

Gülseven é um militante revolucionário que sempre lutou lado a lado com os trabalhadores e as massas exploradas. Sua vida fala por si mesma. Nós, como Movimento RED, declaramos que estamos a seu lado contra estes ataques. Com esse fim, levantamos as seguintes reivindicações:

  • Imediata suspensão do Estado de Emergência e suas práticas
  • Prestação de contas de todos os responsáveis por calúnias, conspirações e males contra os trabalhadores, estudantes e intelectuais, incluindo Hakan Gülseven
  • Remoção imediata de todas as barreiras à liberdade de pensamento e expressão e ao direito de organização
  • Liberdade a Hakan Gülseven!
  • Longa vida à solidariedade internacional!
  • Longa vida à unidade internacional dos trabalhadores, e sua organização de luta, a Liga Internacional dos Trabalhadores – Quarta Internacional!

Notas:

[1] Protestos no Parque Taksim Gezi, em Istambul, no dia 28 de maio de 2013, que deram origem ao processo revolucionário no país. O detonador do processo foi a mobilização de 50 ecologistas contra a transformação do parque em um centro comercial, que foram brutalmente reprimidos pelas forças policiais, ganhando repercussão e solidariedade em nível nacional e convertendo-se em um processo de mobilização por uma série de exigências sociais e contra o governo.