Com sede em Londres a partir de 27 de julho, o evento já não pode ser descrito pelo mote mais alto, mais rápido, mais forte. O lema é apenas um: mais dinheiro.
 

Em 2004, um documentário da BBC com o sugestivo nome “Buying the Games” (Comprando os Jogos) mostrava como a conquista dos Jogos Olímpicos para uma cidade deixou de ser uma festa, mas sim uma luta sem tréguas por um negócio de milhões pagos pelos contribuintes e dos quais beneficiam as elites. O documentário mostrava como os membros do Comitê Olímpico Internacional eram subornáveis e exibia o presidente da Câmara de Paris, Bertrand Delanoë, a acusar Tony Blair de quebrar as regras propostas.
 
Por que brigam tanto as elites pelos Jogos?
 
Segurança tem medalha
 
Para se ter ideia da super operação de segurança preparada para Londres em 2012 basta fixar o seguinte facto: vai ser a maior mobilização de segurança e de militares no Reino Unido… desde a II Guerra Mundial! Estarão mais militares em Londres de 27 de Julho a 12 de Agosto do que neste momento no Afeganistão!
 
Durante os Jogos que, supostamente, celebrariam a paz e a união entre os povos, Londres terá um sistema de mísseis a “patrulhar” os céus e vários caças sobrevoarão o Tamisa. Além disso, milhares de agentes do FBI e dezenas de cães patrulharão a Aldeia Olímpica, onde os ídolos estarão protegidos do povo, numa cidade só para si, pelo módico custo de 80 milhões de libras, e isolada por um muro que dá choques de 5000 volts.
 
Os Jogos serão ainda um grande teste para afinar a repressão a manifestações do estilo “occupy”. Ou seja, durante os Jogos, está legitimado pela lei (o London Olympic Games Act 2006) o uso da força repressiva não só para quem tente manifestar-se, mas também para quem tente vender merchandising que não esteja ligado aos patrocinadores principais. Londres estará ainda mais carregada de câmaras, sistemas de identificação e todo o tipo de tecnologia de segurança. O Grande Irmão estará de olho em nós.
 
O custo de tudo isto será obsceno. Apesar da maré de despedimentos, privatizações e ataques à escola pública por parte do governo britânico, estima-se o custo com segurança dos Jogos em cerca de 553 milhões de libras.
 
{module Propaganda 30 anos}E a quem serve isto? À indústria de armamento e segurança, que espalha uma mensagem de terror e medo, de forma a poder vender os seus "brinquedos". Como exemplo, Leo Gleser, presidente da ISDS, companhia fundada por ex-agentes da Mossad [serviço secreto israelense]e que ganhou cerca de 200 milhões de libras em contratos de segurança nos Jogos de Atenas, fala-nos de “tsunamis de violência” que ameaçam a sociedade ocidental desde o 11 de Setembro. É a “war on terror” de Bush outra vez.
 
Maratona de roubo
 
A organização dos Jogos é uma oportunidade enorme para negócios, mas com consequências quase sempre nefastas para a população. Nos Jogos de Pequim, em 2008, foram despejadas das suas casas cerca de um milhão e meio de pessoas. É a tentativa de criar zonas de e para as elites, marginalizando todo o resto da população. Em Londres, serão criadas estradas exclusivas para as comitivas olímpicas e a segurança. Turistas ricos também poderão usufruir das mesmas a troco da módica quantia de 20.000 libras.
Já aos ingleses, que pagam tudo isso com os seus impostos, com o dinheiro roubado aos seus salários e às suas pensões, essas estradas serão vedadas e terão que se contentar em passar mais horas no trânsito.
 
Mas a especulação na construção não para por aqui. As 1400 casas construídas na Aldeia Olímpica já têm dono: a família real do Qatar comprou-as por 557 milhões de libras. Num contexto de ataques aos direitos dos povos na Europa, os Jogos Olímpicos de Londres acabam por ser mais um insulto dos governos burgueses às suas populações.
 
Fonte: Jornal Ruptura no. 123, maio/2012