Mais de 20 mil postos de trabalho em ferrovias do Reino Unido poderão desaparecer como resultado das reformas que o governo pretende realizar no setor ferroviário. Esta é a avaliação feitas pelos sindicatos do setor, na segunda 28 de maio, ao lançarem a campanha “Ação pelas Ferrovias”.

Como parte dos seus planos para o futuro da indústria ferroviária, o governo está pedindo às companhias operadoras de ferrovias (TOCs, na sigla em inglês) e à Rede Ferroviária (Network Rail) para descrever como eles vão fazer as reduções de custos alinhadas com as recomendações presentes no relatório “Rail Value for Money” (“valor das ferrovias”), apresentado por Sir Roy McNulty. Mais de um quarto das reduções de custos previstas – 260 milhões de libras por ano – viria dos cortes de pessoal.

De acordo com o Relatório McNulty isso poderia levar à perda de cerca de 20.800 postos de trabalho, incluindo guardas ferroviários, os trabalhadores das bilheteiras e das estações, o pessoal de reparo e os trabalhadores da manutenção e sinalização.

Consistentes pesquisas sugerem que a falta de pessoal é uma das principais preocupações dos passageiros ferroviários. Até o momento, mais de 10 mil transeuntes e usuários de trens já registraram (em campanhas realizadas pelos sindicatos) sua oposição aos cortes de pessoal.

                        
O Relatório McNulty pede o fechamento de 750 postos de venda e reservas da “Categoria E” (ou seja, com um pequeno número de empregados), em todo Reino Unido. Mensagens (e-mails) que vazaram do Departamento de Transporte indicam que um acordo já foi assinado com uma das operadoras do transporte ferroviário, a “London Midland”, para fechar completamente ou reduzir drasticamente o horário de atendimento nos postos de venda em 86 de suas 90 estações, deixando muitos delas desertas durante o dia inteiro e levando à perda de cerca de 100 funcionários.

Estes cortes estão sendo impostos apesar da oposição de 18 mil passageiros da “London Midland” que se pronunciaram, em uma petição pública, contra o fechamento e também contra a posição adotada pelas autoridades de transporte integrado de West Midlands (Centro).

Durante a semana de 28 de maio a 1° de junho, o Congresso da Entidades Sindicais (TUC, na sigla original), a Associação de Operadores e Bombeiros de Locomotivas (ASLEF), o Sindicato Nacional dos Trabalhadores das Ferrovias e Transportes Marítimos (RMT), a Associação dos Funcionários do Transporte (TSSA) e a Unite (Central Sindical) estão lançando a campanha “Ação pelas Ferrovias”, que irá juntar passageiros, ativistas e sindicatos para expressar a oposição às propostas do governo.

A campanha será lançada em uma coletiva à imprensa, às 8:30h do dia 28 de maio, na estação Euston, em Londres, com a presença do secretário gerais da TUC (Brendan Barber), da ASLEF (Mick Whelan), da RMT (Bob Crow), da TSSA (Manuel Cortes) e a coordenadora nacional da Unite, Julia Long (mais detalhes na nota organizativa).

Mais de 100 deputados dos partidos Trabalhista e Liberal Democrata já assinaram uma moção no Parlamento registrando suas preocupações com o projeto, incluindo dois ex-líderes dos Liberais (Charles Kennedy e Menzies Campbell).

De acordo com os planos do novo governo, as companhias operadoras de ferrovias (TOCs) receberam franquias mais longas (de até 15 anos) e terão muito mais liberdade para estabelecer tarifas e programar os horários de trem. Sindicatos e ativistas temem que isso vá levar ao fechamento e à redução de serviços menos rentáveis ​nas áreas rurais.

Segundo o Secretário Geral da TUC, Frances O'Grady: "A visão do governo de uma indústria ferroviária com estações abandonadas, bilheteiras fechadas e trens sem pessoal satisfaz às operadoras de trem que buscam apenas cortar seus custos e maximizar os lucros. Mas os passageiros dos trens estão revoltados.”
 
"O público quer a ajuda, a tranquilidade e a segurança que os trabalhadores ferroviários dão aos passageiros, é por isto que tantos deles têm respondido à nossa campanha e expressaram sua raiva contra os planos para abater a força de trabalho da indústria ferroviária.", acrescentou O’Grady.

Já o Secretário Geral da RMT, Bob Crow, lembrou: "Este governo, usando o Relatório de McNulty como cobertura, está tentando, a todo custo, impor uma política de vandalização das ferrovias e de destruição do quadro de pessoal, independentemente das consequências, tanto para os trabalhadores quanto para os usuários”.
 
"O RMT já expôs o fato de que a “London Midland”, que está ocupando a linha de frente na aplicação destas políticas, está embolsando milhões de libras em lucros adicionais obtidos com seu programa de fechamento de bilheteiras, enquanto os passageiros são deixados à própria sorte em um paraíso para os criminosos”, concluiu Crow.

NOTAS AOS EDITORES:
O Relatório McNulty indica que os seguintes níveis de trabalho estão em risco, nas diferentes categorias de trabalhadores ferroviários:

Tipo de trabalho

Empregos em risco

Funcionários da venda de bilhetes nas estações de pequeno porte (categoria D e E)

2.000

Funcionários das estações

5.500

Funcionários a bordo dos trens
(não-condutores)

6.800

Rede de manutenção ferroviária, sinalização e operações

6.300

Total

20.800

* Uma pesquisa feita com passageiros, em nível nacional, no Outono de 2011 (Passenger Focus’ National Passenger Survey) mostra que a" segurança pessoal" e "disponibilidade de pessoal" são duas das três áreas piores avaliadas pelos passageiros.  A segurança pessoal dentro dos trens teve uma avaliação melhor, mas menos da metade dos passageiros dos serviços ferroviários estavam satisfeitos com a disponibilidade de um membro da equipe em seu trem. Avaliando os dados, o responsável pela pesquisa, Anthony Smith disse: “Nossa pesquisa indica que os passageiros realmente apreciam as garantias e segurança que só podem ser oferecidas com a presença dos trabalhadores do sistema. Tirar trabalhadores das estações representaria uma economia de curto prazo e de pouquíssima visão.

 
Tradução Wilson Silva.