Mais de 2 milhões de trabalhadores entraram em greve em 30 de novembro contra a reforma da previdência – onde os trabalhadores terão de pagar mais, trabalhar mais e receber menos. Houve mais de 1000 manifestações no país e juntaram-se muitos mais para protestar contra o aumento das matrículas das uversidades, o ataque às aposentadorias estatais e a privatização. Para muitos, foi a sua primeira greve e manifestação de massa e haverá muitos mais. A mensagem era clara; os 99 % não vão pagar pela crise do capitalismo.

Mais de 50 mil marcharam no centro de Londres, em Manchester foram 30 mil, 20 mil em Bristol e Liverpool presenciou uma passeata com mais de 15 mil pessoas. O grande número de manifestantes em cada região reflete o número de trabalhadores do setor público.

Este foi o maior dia greve do setor público. Escolas, faculdades, universidades, hospitais e serviços de saúde, serviços públicos municipais, controle de fronteiras, transportes e serviços públicos nacionais, envolvendo um total de 29 sindicatos estavam em greve. Havia 285 mil trabalhadores municipais em greve e muitas escolas fechadas: 99 % na Escócia, 86 % no País de Gales, 66 % na Irlanda do Norte e 62 % na Inglaterra.

Esta greve foi exigida e organizada por 100 mil trabalhadores de base e, apesar dos esforços do governo para dividir a classe trabalhadora entre os setores público e privado, as greves e as manifestações ganharam apoio de massa. Os sindicatos procuraram negociar com o governo ao longo de muitos meses sem sucesso e, ao mesmo tempo, a raiva popular é crescente contra o governo.

O governo argumenta falsamente que as aposentadorias do setor público são banhados a ouro (porém, 50 % ganham £ 5.600 ou menos) e que os trabalhadores do setor privado estão sofrendo as consequências, com o objetivo claro de dividir a classe trabalhadora.

No dia anterior à greve, o Ministro da Fazenda, George Osborne, divulgou o orçamento de outono, que foi uma nova declaração de guerra e que divide a classe trabalhadora por gerações, por regiões (redução de postos públicos nas regiões mais pobres), e prometeu austeridade contínua, congelamento salarial do funcionalismo público de por mais dois anos (após quatro anos de congelamento de salários) e anunciou um corte de 16% nos salários e benefícios do setor público até 2015. Era um orçamento que ataca mortalmente os 30 % mais pobres da população.

Os ataques atingem mais as mulheres, pois 73 % dos trabalhadores do setor público são do sexo feminino, e é por isso que tantas estavam em greve. O Instituto de Responsabilidade Orçamentária acredita que 710 mil postos de trabalho do setor público serão cortados, enquanto a participação do setor industrial no PIB do país é de apenas 10 %. A Grã-Bretanha não é e não será capaz de exportar sua saída da crise.

Osborne, do Partido Conservador – conhecido como Tory-, falou de 7 anos de medidas de austeridade para que a Europa resolva seus problemas atuais, em uma semana em que muitos bancos e multinacionais defendem medidas de contingência para a Grécia deixar o euro, pois já assumem que a Europa não vai resolver seus problemas. Muitos comentaristas estão declarando abertamente que esta crise será mais longa e mais profunda do que 1929 e muitos mais estão discutindo a possibilidade de uma quebra ainda maior.

É essencial que os sindicatos lutem contra os ataques e construam uma luta para mobilizar todos os trabalhadores. Segundo uma pesquisa de opinião do Daily Mirror, 82 % apoiaram a greve. A burocracia sindical de direita apoia-se no líder do Partido Trabalhista, Ed Miliband, que se opõe à greve. O NUT (Sindicato dos Professores), PCS (sindicato dos funcionários públicos) e o UCU (sindicato dos trabalhadores de universidades) defendem novas greves se o governo não responder a suas demandas. No entanto, a declaração do ministro deixou claro esta é a guerra de classe e que pretende fazer a classe trabalhadora pagar.

Uma cooperação mais estreita está acontecendo entre os sindicatos dos professores e outros, mas isso deve ser desenvolvido de forma permanente, com um programa que envolva os usuários dos serviços públicos, incluindo a luta da juventude contra o desemprego e por uma formação profissional e educação adequadas, que significa uma luta contra a privatização da educação.

Nada pode ser resolvido com as empresas e bancos privados. Todos os bancos, bem como todas as multinacionais que estão destruindo a economia juntamente com os bancos, devem ser estatizados e todos os serviços que foram privatizados devem ser imediatamente devolvidos à propriedade pública. Na verdade este é o programa tradicional do Partido Trabalhista, mas nunca foi totalmente aplicado por eles. Apenas uma tímida implementação ocorreu após a 2 ª Guerra Mundial.

Precisamos de ação conjunta entre o setor público e privado para combater o desemprego, os cortes nos salários e contra os planos do governo para impor cortes em todos os setores da classe trabalhadora, sejam empregados ou desempregados. Os sindicatos do setor público devem convidar e exortar os trabalhadores do setor privado a fazer greves porontra suas aposentadorias, empregos e salários. A razão pela qual a burocracia sindical do TUC (Trade Union Congress) – a central sindical inglesa – não organiza tal ação é seu medo de desencadear algo que não consigam mais controlar.

Como muitos comentaristas da Inglaterra já admitem, nós estamos à beira de uma catástrofe não apenas na Grã-Bretanha, mas também na Europa, e a grande questão é como os trabalhadores podem aprender uns com os outros com as lutas na Europa. A burocracia de direita está tentando bloquear um verdadeiro movimento europeu, mas as trocas de experiências entre os trabalhadores e estudantes que começaram podem furar o bloqueio.

Agora que os sindicatos britânicos estão começando a se mover novamente, eles terão de discutir em assembléias democráticas e em todos os órgãos democráticos do sindicato um programa de mobilização de todo o movimento sindical, que terá de incluir: patrimônio público sob responsabilidade pública, empregos para todos e um ligação profunda com todos os sindicatos e os trabalhadores europeus para tomar as ruas e lutar contra a austeridade.