Reproduzimos o comunicado difundido pelos companheiro/as da Tendência Claire do NPA (Novo Partido Anticapitalista) na manifestação dos Coletes Amarelos de Paris no dia 24 de novembro.

O aumento dos impostos sobre o combustível foi a gota que fez transbordar o copo. Mas a nossa revolta é muito mais profunda, pois não é só por isso que não conseguimos chegar ao fim do mês.

Há também o IVA (20% do preço das nossas compras), os baixos salários, as demissões, os apoios sociais miseráveis e os aluguéis que sobem. Serviços públicos que fecham (correios, hospitais, escolas…), ao que se juntam a redução de emprego, pior qualidade do serviço, custos mais elevados e distâncias maiores para ter acesso. E porquê? Porque os Governos presenteiam os patrões com a redução das contribuições sociais que financiam a Segurança Social.

Face às manobras do Governo, organizemo-nos para definir as nossas reivindicações

O Governo tenta dividir o movimento enfatizando atos racistas, homofóbicos ou sexistas (que são ações de pequenos bandos de extrema direita) para o desacreditar.

Mas não aceitamos a sua versão do que está acontecendo. Quem enriquece às nossas custas são os patrões, não são os nossos colegas de trabalho, independentemente da cor da pele, religião ou nacionalidade: esses passam tão mal como nós para conseguirem chegar ao fim do mês.

O poder político também tenta selecionar alguns “líderes” para “negociar” e para controlar o movimento. Para evitar qualquer traição, devemos fazer como os companheiros dos coletes amarelos de Commercy (Meuse): reunir para definir democraticamente as nossas reivindicações e proibir que alguém fale em nosso nome sem um mandato claro. As decisões devem ser tomadas em assembleias gerais, com todos/as, e votadas com a mão levantada.

Trazer todos os assalariados, desempregados e aposentados para a luta

Os meios de comunicação social tentam virar os “coletes amarelos” contra os sindicatos. Não vamos nos deixar enganar por este jogo. Sim, ficamos com muita raiva por não vermos os líderes dos grandes sindicatos a chamarem à unidade do movimento. Mas sabemos que, na base, os nossos companheiros sindicalizados estão conosco.

Em Perpiñán, os coletes amarelos foram visitar a União Local da CGT para lhes pedir que se juntassem ao movimento. E foram bem recebidos. Devemos fazer isto em todo lado: ir falar com os representantes sinidicais nos nossos locais de trabalho, nos sindicatos locais, etc. É essa a forma de passarmos a ser milhões em luta.

Para além disso, já há sindicatos que apoiam o movimento ou que se juntaram a ele: FO Transport, CGT Total, UD CGT 43 USTM CGT 38 e sindicatos de fábrica. Na La Mède, os trabalhadores da refinaria TOTAL, convocados pela CGT, foram para os bloqueios, vestidos com os seus coletes vermelhos, com os companheiros dos coletes amarelos.

Em todos os sindicatos temos que fazer pressão a todos os níveis para um chamdo claro a uma greve geral até que sejam cumpridas as reivindicações. Está na hora de avançarmos juntos!

Para derrubar Macron e enfrentar ao patronato, greve e bloqueio geral!

Para sermos vitoriosos, temos que avançar para o bloqueio da economia, para a greve geral! A revolta está em todo os lados: trabalhadores ferroviários, caminhoneiros, trabalhadores dos Correios, metalúrgicos, nas refinarias, na educação pública e nos hospitais…

Devemos ouvir e unir todas as nossas revoltas num grande movimento que acabe com Macron, mas também com qualquer Governo ao serviço dos patrões, da direita, da extrema direita ou da falsa esquerda liberal com políticas de direita. Só podemos confiar em nós mesmos e nos nossos delegados/as.

Um poder operário, anticapitalista, feminista, antirracista e ecologista escolheria:

  • A supressão das taxas sobre o combustível e do IVA; aumento dos impostos sobre os capitalistas e os ricos
  • Aumento geral de salários e mínimos sociais de 400 euros para todos.
  • Cancelamento do CICE (40 bilhões de euros dos nossos impostos entregues por Macron aos patrões)
  • Revogação das leis trabalhistas 1 e 2; proibição das demissões;
  • Revogação do pacto ferroviário (fechamento de pequenas linhas, aumento de preços, rutura do estatuto trabalhista…)
  • Expropriação sem indemnização das empresas concessionários das rodovias, da TOTAL e de qualquer empresa que feche ou demita.
  • Contratação massiva de pessoal nos hospitais, creches, correios, escolas…
  • Revogação das reformas Blanquer do ensino médio e acesso à Universidade
  • Regularização de todos os imigrantes sem documentação para evitar que os patrões os superexplorem
  • Igualdade de remuneração entre homens e mulheres e luta coletiva contra a violência de gênero e violência sexual.

Tradução: Em Luta