A irrupção das massas que se abriu em outubro no Chile, não somente mexeu no tabuleiro da política a nível nacional, mas também foi a expressão de um repúdio generalizado da população contra as condições das classes assalariadas do país.

Por: MIT-Chile

A crise que se abriu em 18 de outubro demonstrou a rejeição, não só aos $30 pesos de aumento da passagem do metrô, que é um dos mais caros da América Latina. Mas o “Chile Despertou” do abuso de mais de 30 anos em que todos os direitos básicos foram mercantilizados, convertidos em bens de consumo, privando o acesso a muitos por suas desfavoráveis condições econômicas, limitando suas garantias a saúde, educação, seguridade social, transporte e moradia.

A situação da privatização dos serviços básicos elevou a níveis altíssimos o aumento no custo da agua potável, eletricidade, gás, telefonia celular e o acesso à internet, que tornam a necessidade de recuperar os serviços domiciliários, como serviços públicos do Estado, distante de toda irracionalidade capitalista, e de toda a busca de acumulação de lucro, com aspectos tão essenciais para vida cotidiana de milhões de pessoas.

As numerosas manifestações com a juventude à cabeça, com o povo trabalhador, são a expressão da abertura de um ciclo da luta de classes, entre ricos e pobres, onde as condições atuais do capitalismo foram questionadas pelas grandes massas nas ruas, avenidas e praças públicas de vários lugares do país.

Estas manifestações revolucionárias, não foram sangrentamente reprimidas com vulnerações dos direitos humanos, prisões políticas, torturas, mortes, mutilações, estupros e outras calamidades. Responde a uma política desesperada por manter o sistema por parte de um instável governo administrado por um empresário membro dos super ricos e multimilionários do país.

A crise das instituições políticas tradicionais foi um sustento de peso nas mobilizações multitudinárias no Chile, que questionavam profundamente o Congresso Nacional, os partidos políticos do atual regime e o poder judiciário a serviço dos ricos. Que não fizeram mais que eternizar a impunidade policial e militar frente à violação dos direitos humanos, com uma justiça que permite o abuso da corrupta casta política empresarial, enquanto castigam a juventude com a prisão, como aos quase 2.000 presos políticos, e membros das comunidades mapuches, por manifestar contra as desigualdades socioeconômicas do capitalismo chileno e os direitos de autodeterminação e  terras ancestrais mapuches usurpadas pelos latifundiários e empresários florestais.

A crise política aberta em 18 de outubro segue avançando, as irrupções de massas nas ruas e os ensaios de auto-organização operário e popular fazem experiências de luta e combatividade. Mas falta muito por solidificar no poder do povo trabalhador, não obstante, seu desenvolvimento poderia quebrar o poder dos grandes empresários, que jamais cederam em seus planos neoliberais, e colocaram a economia capitalista em primeiro lugar, em vez da necessidade da grande maioria. Mas isso não vai acontecer por si só nem vai ser gerado espontaneamente. Só se trabalhamos em conjunto, como classe trabalhadora, poderemos levar essa luta até a vitória. Somente a luta nos dará o que é nosso, assim demonstra a história, e os documentários a seguir no dão uma prova disso.

Olhares de uma irrupção. Obras audiovisuais das  massivas mobilizações de protestos de outubro de 2019 em diante

A partir dos acontecimentos iniciados em 18 de outubro, as manifestações artísticas não se fizeram esperar. Intervenções de rua, fotografias, musicas, poesias, grafites, documentários e muitas obras artísticas começaram a aparecer em todos os lugares.

O documentário “Estallido social en Chile” é um deles, mas não o único. Aqui deixamos algumas obras audiovisuais que foram feitas e que estão disponíveis como uma memória desta revolução aberta, e também como registro histórico deste período convulsivo no Chile.

Na sexta-feira 10 de Julho de 2020, foi liberado um documentário denominado “Estallido social en Chile”, produzido por um meio de comunicação comprometido com a verdade e os direitos humanos, https://piensaprensa.org/, que expuseram a brutalidade da repressão dos efetivos policiais casos de tortura, violência, e as massivas manifestações de protestos, o documentário está disponível no YouTube https://youtu.be/AK4BySWBQt4, onde a partir de diferentes óticas evidenciam o mar de manifestações que refletiram a inconformidade com a exploração e opressão capitalista.

Los ojos del estalido” é o nome de um documentário realizado por estudantes de Recoleta (comuna de Santiago) que reflete uma olhar situado nas concentrações.

Resgatam o movimento de mulheres com suas demandas e reinvindicações, a repressão policial, os enfrentamentos na Plaza Dignidad, o funcionamento do posto médico voluntário do SAMU metropolitano que operou no Cine Arte Alameda assim como a figura do cachorro “matapaco” (apelido dado ao cachorro que estava presente nas manifestações, que significa mata policial, ndt.).

 

Plano Fijo, 100 registros em torno a Plaza Dignidad”, é um documentário que mostra os acontecimentos na ex Praça Itália, desde 14 de novembro de 2019, o qual contempla entrevistas, manifestações culturais e artísticas, e enfrentamentos da primeira linha com os efetivos policiais.

Existe uma investigação que obteve o primeiro prêmio na categoria de disputa digital Storytelling elaborada pelo The New York Times, para o concurso de World Press Photo, segundo o site da Universidade de Chile. It`s Mutilation: The Police in Chile Are Blinding Protesters”, obra audiovisual que exibe testemunhos de dezenas de jovens que perderam seus olhos pelos disparos das forças policiais.

Os coletivos do que era “Tele Análises”, como MAFI (Mapa Fílmico de um País), Imagen Chile e Registro Callejero com API (Asociaciação de Produtores Independentes do Chile), revelaram as consequências da violência policial, as mutilações de 3.000 manifestantes pelos perdigones (estilhaços de chumbo, ndt.) e balas de borracha, cobertura de mobilizações e ataque aos dos direitos humanos.

Los rescatistas de la dignidade”, do jornal digital “El Salto”, efetuou este registro dos protestos e as brigadas de primeiros socorros. É um filme que resgata em particular a Brigada Cruz Azul, o trabalho da equipe na primeira linha, que ajudaram a manifestantes feridos, e representam organismos de cuidados médicos para quem era vítima da brutalidade e repressão policial. (https://www.elsaltodiario.com/chile/estreno-documental-rescatistas-dignidad-javier-corcuera-protestas-)

O documentário “No era Paz, era silencio. Los médios del Pueblo en la revuelta”, nos oferece uma obra audiovisual a partir da adrenalina da primeira linha na autodefesa frente as forças especiais, como também as mobilizações e protestos contra as políticas de Sebastián Piñera.

https://youtu.be/BSFmi3mqP34.

Em nível internacional se elaboraram várias abordagens audiovisuais sobre os protestos, um deles foi uma criação documental, por um coletivo de habitantes chilenos residentes em Leipzig na Alemanha, denominado “Chile en Revolut”, filme que recopila testemunhos do movimento de massas que se multiplicou por cada canto do país.

Nota

https://www.eldesconcierto.cl/2020/04/06/video-revisa-aqui-el-documental-sobre-el-estallido-que-un-colectivo-de-chilenos-estreno-en-alemania/

Tradução: Túlio Rocha