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Já são mais de 23 dias de massiva mobilização desde o dia 18 de outubro quando o povo chileno despertou, fomos às ruas para demonstrar que estamos com raiva, que estamos fartos do roubo descarado dos empresários que nos endividam, fomos às ruas para exigir fora Piñera! Fora todos! Neste contexto, para este 12 de novembro está convocado outro chamado à greve geral pelo bloco sindical da mesa de unidade social.

Por: MIT – Chile

A greve deve ser trabalhada a partir as bases, através de assembleias!

O chamado à Greve não deve ficar só em um chamado das direções, deve ser trabalhado a partir das bases para que se garanta a real paralisação da produção, que se discuta democraticamente porque estamos parando e até quando.

Até agora, várias direções sindicais como a Federação ENAP, entre outras, negaram-se a organizar a fundo os trabalhadores para que se somem a esta luta nacional, por isso vários operários organizam-se em seus bairros e em assembleias populares.

Nesse contexto, este chamado à Greve deve ser um pontapé para continuar organizando cotidianamente os trabalhadores. Não adianta nada convocar um dia de greve e depois continuar como se nada tivesse acontecendo se depois da greve os patrões continuam superexplorando os trabalhadores com jornadas mais longas, reduzindo salários ou impedindo sua organização em assembleias. A Greve deve ser até que caiam Piñera, todos eles e a Constituição de 80.

Vamos organizar a defesa da Greve e a manifestação frente à repressão

Temos visto desde que esta luta iniciou, um aumento brutal na repressão como resposta do governo. À repressão que já existia por parte dos policiais e das forças especiais (FFEE), agregou-se no primeiro momento o estado de emergência (que permitia que os milicos saíssem às ruas) e depois o toque de recolher.

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A força dos milhões nas ruas conseguiu suspender o estado de emergência, o toque de recolher e fazer os milicos voltarem aos seus quartéis, apesar disso a repressão não parou, Piñera promoveu uma “agenda para resguardar a ordem pública” (inclui uma lei antiencapuzados, antisaques, antibarricadas, reforço da inteligência, etc), que fortalece e injeta mais dinheiro para continuar reprimindo, já se vão ao menos uns vinte mortos, mais de 5000 detidos, 2000 feridos e um recorde internacional de mais de 200 pessoas que sofreram mutilações nos olhos por disparos no rosto de balas de goma e chumbo. Na última marcha inclusive com lesão de ambos os olhos em um estudante de 21 anos.

Apesar de tal brutalidade, a última declaração do General Mario Rozas indica que a atuação da FFEE continua estando dentro dos protocolos e trará polícias internacionais para aperfeiçoar sua atuação. Para fazer frente a isto, vemos que já estão sendo gestadas algumas táticas defensivas para segurança nas multitudinárias marchas, como uso de capacetes, capuzes, escudos, lentes de segurança com norma ansi z87, água com bicarbonato para neutralizar os gases lacrimogênios, luvas para devolver as bombas de gás lacrimogênio, entre outros. Devemos garantir a paralisação efetiva com métodos de defesa e organização para combater a repressão.

Tradução: Lilian Enck