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Sem sombra de dúvidas, o holocausto judeu foi um dos acontecimentos mais trágicos e selvagens da história, não apenas pela quantidade de mortos nas câmaras de gás nazistas, mas também pelo curto lapso de tempo em que aconteceu.

Por: Roberto Laxe

O capitalismo na sua fase imperialista, na Primeira Guerra, transladou sua capacidade produtiva das fábricas para os campos de batalha.  Enquanto os generais de todos os bandos continuavam com os esquemas militares dos séculos anteriores, grandes cavalarias, ataques na linha de infantaria… a indústria capitalista encontrou um novo mercado, o da guerra, com suas metralhadoras, gases, tanques e os embriões da aviação, com ataques aéreos com os Zepelins. A matança era inevitável.

Existe uma triste anedota de que, em um dos ataques da infantaria inglesa contra os alemães, os soldados germânicos, armados com metralhadoras, saíram das trincheiras gritando aos ingleses que não atacassem, que eles iriam massacra-los. O comando inglês se manteve em posição, e milhares de soldados morreram. Era a forma “industrial” de matar.

Esta produtividade da indústria da morte foi elevada a um nível superior pelos nazistas; incorporaram os sistemas de produzir mortos que Ford (simpatizante nazista) havia introduzido na industria: a linha de produção. Os campos de concentração eram verdadeiras fábricas de destruir pessoas.

A planificação e a racionalidade introduzida pelos nazistas proporcionam mais drama ainda. Isso é o que diferencia o holocausto judeu de outros holocaustos: a racionalidade burguesa, capitalista, na organização da matança.

Mas essa racionalidade não justifica as campanhas para que, por meio do holocausto judeu, seja ocultado que o capitalismo se construiu na base de matanças massivas.

A colonização da América, tanto do norte anglo-saxão como no sul hispano, implicou na morte de milhões de seres humanos considerados inferiores. Este foi um holocausto, que não foi planificado pela racionalidade nazista e ocorreu ao longo de muitos anos a mais, mas que serviu para justificar o desenvolvimento capitalista. Sem a ocupação das terras indígenas americanas, sem o saque do ouro e da prata, do norte e do sul, o capitalismo europeu não teria chegado ao nível que chegou e nem dominaria o mundo.

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Mas talvez o holocausto mais selvagem da história foi a colonização da África, onde todas as classes dominantes do mundo estão envolvidas, desde os donos das indústrias têxteis inglesas de Manchester e Liverpool até xeiques árabes que cumpriam o papel de intermediários no sequestro dos africanos, convertidos em escravos para enviar a América através dos portos do Atlântico, passando por todas a burguesias nativas da América.

Milhões de seres humanos eram arrancados das suas terras, enfiados em navios negreiros e enviados para trabalhar em plantações do outro lado o oceano, para aumentar a riqueza não somente das colônias e ex-colônias, mas sobretudo dos capitalistas das metrópoles europeias, que se beneficiavam da matéria prima extraída com mão de obra escrava.

A árvore do holocausto judeu não pode esconder a floresta que significam as matanças sobre as quais o capitalismo atual foi construído. Os nazistas não eram loucos sedentos de sangue, mas sim, como os escravistas do século XIX, ferramentas dos grandes capitais que se beneficiaram deste holocausto, desde a Krupp até a Siemens, passando pela Benz…

Inclusive esta árvore judia tem muitos ramos, além dos judeus, que querem ocultar. Os milhões de mortos nos campos de concentração, que inicialmente foram lotados de comunistas e socialistas, e onde morreram republicanos espanhóis antifranquistas, que o governo atual se nega em reconhecer, ciganos e homossexuais, russos e ucranianos, etc.

Recordar de todos eles é um exercício fundamental de justiça histórica, para evitar justificar o estado atual de Israel. Os mesmos judeus ortodoxos renegam o sionismo, considerando que este desvirtua a imprescindível memória dos mortos nos campos de concentração nazistas.

Tradução: Luana Bonfante