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Quem se lembra de que existe um pequenino lugar nas Antilhas caribenhas, rodeado por mar e sem rios, com cerca de dez milhões de almas cuja maioria é obrigada a viver na miséria, muitas vezes sem luz elétrica (mesmo porque, quando a tem, não pode pagá-la), sem água limpa para lavar as mãos, sem saneamento básico nas ruas e, muito menos, nos acampamentos feitos com paus, papelão e plásticos, atingidas pelos terremotos, furacões, pela cólera e pelas forças de ocupação da Minustah?

Por: Marta Morales

Dizem que a dor verdadeira dói nas entranhas… Que novidade! Falar sobre o Haiti, pensar nos haitianos e não sentir uma dor profunda é praticamente impossível para todo marxista que se preze, porque “nada do que é humano nos é estranho”, e o mesmo vale para qualquer um que reivindique minimamente os direitos humanos.

Falar do Haiti é se convencer de que o capitalismo mata. Diante da apatia, da indiferença, da negligência dos ricos e poderosos que, mesmo em meio a situações extremas de pobreza e desespero, tentam garantir seus negócios sujos, só se pode concluir que o Haiti não lhes importa a não ser para explorar ainda mais os seus trabalhadores, para ganhar mais e mais, competindo com os preços internacionais à custa da saúde e da vida dos pobres e miseráveis trabalhadores que já perderam quase tudo, exceto sua dignidade e sua rebeldia ancestral.

Porque o Haiti foi o berço da rebeldia nesta América invadida, saqueada, colonizada, e agora em processo de recolonização pelos Estados Unidos – amo do mundo – e seus cúmplices.

O orgulho de fazer história

O Haiti foi o primeiro país a conquistar sua independência na América, em 1804, e foi protagonista da primeira e única revolução negra e escrava vitoriosa no mundo. Não é pouca coisa! Pelo contrário, essa revolução, essa história, essa herança significam tanto que fazem com que o imperialismo tenha sempre uma grande preocupação em conseguir dominá-lo e esmagá-lo.

Desde que foi descoberto com a invasão espanhola em 1492 e até 1625, o Haiti esteve sob o domínio espanhol. Depois, foi sede de piratas e corsários franceses, até que, em 1697, espanhóis e franceses dividiram entre si a ilha A Espanhola, que hoje abrange o Haiti e a República Dominicana.

Assim, a luta de independência haitiana teve várias etapas, com diferentes alianças entre latifundiários, escravos, comerciantes e brancos pobres que se uniram primeiro contra o pacto colonial. Depois, os mulatos livres apoiaram os brancos pobres que viviam na ilha com a esperança de conseguir direitos iguais, até que, em 1790, os brancos os reprimiram e os mulatos se juntaram aos rebeldes que, em 1791, iniciaram a revolução que os tornaria independentes em 1804.

Dirigida desde 1793 por Toussaint L’Ouverture, a revolução enfrentou espanhóis, franceses e ingleses até que Toussaint foi feito prisioneiro em 1802 e morto na França. Depois, Jean Jacques Dessalines assumiu o comando. Derrotaram os franceses e Dessalines declarou a independência e, ao mesmo tempo, declarou-se imperador (no melhor estilo de Napoleão Bonaparte).

O Haiti tornou-se, assim, a primeira república independente do domínio europeu, graças a uma revolução levada adiante por escravos.

As invasões norte-americanas e o duvalierismo

No século XX, os levantes tornaram-se quase permanentes. Em 1915, os Estados Unidos invadiram o Haiti pela primeira vez e impuseram trabalhos forçados aos habitantes até 1934.

Em 1957, Françoise Duvalier, depois conhecido como Papa Doc, assumiu a presidência, e seu regime ditatorial durou até 1986 (a partir de 1971, ano de sua morte, na figura de seu filho Jean Claude – Baby Doc), com seus esquadrões da morte mundialmente famosos, os tontons macoutes, que instauraram o terror com massacres de todo e qualquer opositor ao duvalierismo. Em 1986, uma revolta popular enfrentou os tontons macoutes, que foram espancados e arrastados pelas ruas de Porto Príncipe, capital do país, o que obrigou Baby Doc a fugir para a França. Em 2011, o governo de Michel Martelly o trouxe de volta ao país, onde morreu de infarto em 2014.

A partir de 1986, houve várias eleições no Haiti, todas fraudulentas, o que provocou inúmeras revoltas populares que, em mais de uma ocasião, impediram a posse de candidatos que o imperialismo tentava colocar no poder, uma vez que, desde a queda do duvalierismo, havia instalado suas forças militares no país.

Em 1990, com uma frente popular e 67% dos votos, Jean Bertrand Aristide assumiu a presidência, um padre adepto à Teologia da Libertação que concorreu contra Bazin, o candidato do imperialismo, que obteve somente 14% dos votos. No entanto, sete meses depois, Aristide foi deposto por um golpe militar liderado por Cedras que matou 5.000 partidários de Aristide, em uma ação comparada à ditadura argentina, de Videla, e à chilena, de Pinochet.

A resistência inciada contra Cedras, a crise provocada no regime e a possibilidade de uma nova revolução democrática fizeram com que o imperialismo norte-americano voltasse a invadir o país em 1994. Após a invasão, foram convocadas novas eleições e vence o candidato de Aristide, René Préval, com 87% dos votos. Em 1995, Préval dissolveu as Forças Armadas. Em 2000, foi sucedido pelo próprio Aristide, com 92% dos votos, na que é considerada a primeira sucessão civil na história do Haiti, já que sofreu 56 golpes militares.

Bem, qualquer um poderia pensar que a partir da posse de Aristide, e com esse nível de apoio popular, seu governo se preocuparia em melhorar as condições de vida dos trabalhadores e do povo haitiano. No entanto, Aristide tinha um pacto com os Clinton (o então presidente dos Estados Unidos, e sua esposa Hillary, que já integrava a Secretaria de Estado norte-americano) para implementar no país o duro plano neoliberal que Cedras não conseguira levar a cabo.

A insatisfação e as grandes mobilizações que ocorreram no país depois disso levaram os Estados Unidos a concluir que a frente popular já não servia para impor suas políticas de fome e miséria. Por isso, começaram a orquestrar a queda de Aristide, desencadeando uma campanha contra ele, inventando grupos paramilitares ao estilo dos “Contras” nicaraguenses pós-revolução sandinista.

Dessa forma, os Estados Unidos armaram uma terceira invasão, realizada em 2004, já com Bush filho no poder, que “terceiriza” a ocupação via governos latino-americanos, com o Brasil e Lula à frente, na qual participaram forças militares argentinas, uruguaias, chilenas, paraguaias e bolivianas, uma vez que a força armada norte-americana estava concentrada na invasão do Iraque e nos conflitos do Oriente Médio.

Somente em 2006 foram convocadas novas eleições, e novamente Préval ganhou por uma ampla margem de votos, apesar da fraude realizada, mas que as massas nas ruas obrigaram o imperialismo a reconhecer. No entanto, mal tinha assumido, Préval se tornou um fantoche dos Estados Unidos, reprimiu greves, privatizou estatais, assinou a Lei Hope [1], e completou, assim, a transformação do Haiti em uma colônia norte-americana.

A Minustah

A Minustah (Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti) invadiu o Haiti em 2004 (ano do bicentenário da independência do país) e, há 12 anos, usurpa a soberania do país e impõe condições nefastas aos trabalhadores e ao povo. Disfarçada de “missão de paz” e até como força de “ajuda humanitária” (depois do terremoto que assolou o Haiti em janeiro de 2010), a Minustah não é mais do que uma força armada internacional de governos lacaios, particularmente latino-americanos, a serviço do imperialismo norte-americano.

Seus soldados ocupam as ruas das cidades, controlam os trabalhadores e o povo, estupram mulheres e crianças, saqueiam pertences, transmitem doenças que tinham sido erradicadas, como a cólera.  Anualmente, deixam o país para dar lugar a outros soldados que chegam para repetir o mesmo ciclo, a mesma história de horror e sujeição, sem que o país se reconstrua dos “desastres naturais” e sem que a “ajuda humanitária” acabe com os precários acampamentos, onde os trabalhadores e os pobres sobreviventes do terremoto e, depois, do furacão Matthew são obrigados a viver.

Além disso, o Haiti tornou-se um campo de treinamento para as tropas latino-americanas, que retornam a seus países e, muitas vezes, tentam aplicar os mesmos métodos repressivos para conter manifestações, levantes ou rebeliões populares. Um caso bem conhecido é a repressão policial nas favelas do Rio de Janeiro, após a implantação das UPPs (Unidades de Polícia Pacificadoras), que tiram principalmente as vidas de jovens negros e pobres.

Os Clinton e a mão de obra barata

Sobre a reconstrução do país depois do terremoto, nem se fale! A fraude é tanta que a Região Oeste, onde se encontra Porto Príncipe, foi a mais afetada, mas a reconstrução é feita no Nordeste, de acordo com o Plano Collier [2], que em 2009 já havia sido levado ao Haiti pelo secretário-geral das Nações Unidas.

Assim, por exemplo, o investimento para a construção das fábricas que empregam os trabalhadores sem direitos e mortos de fome foi tirado da verba que chegou ao Haiti como ajuda humanitária depois do terremoto. E centenas de hectares de terras cultivadas foram expropriadas pelo governo Martelly em função de um acordo assinado em 2011 (apenas um ano após o terremoto) entre Hillary Clinton, o Banco Interamericano de Desenvolvimento e uma empresa têxtil coreana, sem que as famílias despejadas tenham recebido, até hoje, pelo menos uma indenização.

Tem mais: os Clinton fizeram do Haiti seu “próprio país”, ao melhor estilo Leopoldo II da Bélgica com o Estado Livre do Congo. Desde 1994 (data da segunda invasão norte-americana ao país), os Clinton começaram a se apropriar do país, beneficiando-se da Operação “Apoiar a Democracia”, que, de acordo com Wayne Madsen, em nota da Strategic Cultura Foundation, deveria se chamar “Operação Apoiar a Riqueza dos Clinton”.

Em 2010, Bill Clinton foi nomeado pela ONU como o representante dos Estados Unidos no Haiti e, com o terremoto, a pedido de Obama, Clinton e Bush abriram uma conta para arrecadar fundos “para a reconstrução do Haiti”, o que, na verdade, transformou os Clinton em investidores, agora em mineração de ouro.

Os investimentos dos Clinton, que há muito tempo eram protegidos pela Minustah, logo passaram a ser protegidos pela empresa de segurança HLSI de origem israelense. E a lista continua, com a manipulação na queda do preço do arroz que o Haiti exportava e que passou, mediante as manobras e negociatas dos Clinton, a ser comercializado pela República Dominicana, entre outras “sutilezas”, todas ferreamente protegidas pelas forças de ocupação.

Em suma, na divisão internacional do trabalho, ao Haiti foi reservado o papel de provedor de mão de obra barata para a confecção de produtos como jeans, camisas e tênis, que os trabalhadores que os fabricam jamais poderão usar, já que seu salário é de cinco dólares por dia, com jornadas esgotantes e cuja saúde e bem-estar não valem nada num país com 80% de mão de obra desempregada. Ou seja, um incomensurável exército industrial de reserva, que permite a substituição gratuita de uns por outros, mais aptos ou com menos pretensões…

Assim, aumentam no Haiti não só a fome, a miséria, os desastres naturais (evitáveis ou pelo menos controláveis em outros países melhor “rankeados” no mundo), mas também as ONGs, essas organizações que nos últimos anos se tornaram moda por causa do descrédito dos governos, e que se autodenominam “organizações não governamentais”, mas cujos integrantes, quer se reivindiquem de direita ou militantes de esquerda, são apenas funcionários que, a cada mês, devem prestar contas aos seus patrões. E já sabemos quem são os seus patrões… Pelo menos sabemos, com certeza, que não são os povos que eles dizem apoiar com essas organizações.

Fluxos migratórios

Então, diante do panorama desolador que nos oferece o pobre e saqueado Haiti, muitos de seus habitantes decidem tentar a sorte, leia-se trabalhar, comer e viver em outros países, em outras latitudes. As estatísticas indicam que o fluxo migratório, de 2009 até hoje, é de 10 a 15 milhões, sendo que a maioria são pessoas com educação superior. Destes, 80% migram: alguns para o Canadá (do lado francês, com o qual compartilham a língua) e o restante se distribui pelos países latino-americanos, especialmente o Brasil, que recebeu cerca de 70.000 haitianos.

Claro que nem tudo que reluz é ouro… e isso não poderia ser diferente. Não sei como estão os haitianos que emigraram para o Canadá, mas posso afirmar que o Brasil que os abriga não é o paraíso terrestre que lhes disseram que encontrariam quando deixaram o Haiti.

Ao chegar ao Brasil depois de semanas de peregrinação, muitos deles pagando até 4.000 dólares para os “coiotes” das fronteiras para poder atravessar, foram alojados em galpões no estado do Acre, com poucas condições de conforto e à espera de documentos que os legalizassem para poder trabalhar, principalmente no sul do país, nas áreas do agronegócio.

Muitos saíram do Acre para São Paulo, capital financeira do país, rica e privilegiada, que a princípio oferecia melhores condições… Mas as condições encontradas pelos haitianos foram pensões imundas e precárias, por 700 reais (quase um salário mínimo), na Baixada do Glicério. Documentos? Ainda devem esperar. Com esta crise no Brasil, quem se preocupa com os haitianos?!

Muitas vezes até são roubados e enganados, porque não entendem a língua e não sabem como se movimentar na imensidão da cidade. Outras vezes são agredidos por outros trabalhadores, também pobres, que foram convencidos de que os negros haitianos vêm ao país para impor uma redução nos salários ou a perda de direitos trabalhistas.

A única saída possível

Enfim… o capitalismo mata! E quem não sente a dor nas entranhas diante desta realidade de nossos irmãos haitianos é e será nosso inimigo, como o são o capitalismo e o imperialismo, que lhes impõem estes horrores e este perambular de sofrimento e alienação.

Mas nós, que sentimos essa dor, que compartilhamos dessa dor, temos a obrigação da solidariedade internacional, da luta revolucionária internacional para acabar com o capital e, junto com ele, acabar com a fome, a miséria, o saque contra nossa classe e nossos povos. Temos a obrigação de lutar juntos, de nos organizar enquanto classe, para levar adiante a revolução socialista internacional que, como a que foi feita pelos escravos no Haiti, nos liberte desta vez das amarras que o capital nos impõe.

Assim, a revolução haitiana deverá ser parte da revolução latino-americana, não só porque é parte do nosso continente, mas também porque esta revolução tem que derrotar as burguesias do Brasil, da Argentina e dos outros países que, inclusive com governos burgueses que se diziam de esquerda, levaram adiante a ignomínia de serem cúmplices do imperialismo contra aquele país e aquele povo ao qual tanto devemos na luta pela primeira independência de nossos próprios países. Não devemos nos esquecer que Simón Bolívar, depois de derrotada sua primeira tentativa de independência, refugiou-se e teve o apoio do governo revolucionário haitiano. É, então, uma dívida que temos com nossos irmãos haitianos!

É difícil? Claro que é… Mas é a única saída possível para um mundo que caminha para a barbárie se a classe operária e os trabalhadores não conseguirem alterar seu rumo com a revolução socialista. E não há atalhos para chegar a ela… É a luta, é a organização, é o partido e a direção revolucionária.

É impossível? Não, não é… e é cada vez mais necessário e urgente. As necessidades dos trabalhadores e das massas em todo o mundo estão cada vez mais prementes. Os aparatos contrarrevolucionários que, como o stalinismo, impediam a organização independente e revolucionária dos trabalhadores já não existem ou não têm mais essa força e esse prestígio, e os novos aparatos reformistas e contrarrevolucionários que surgem (porque alguém tem que ocupar os espaços vazios) não chegam aos pés das velhas e consolidadas máquinas de impedir e/ou destruir revoluções.

Por outro lado, a classe operária luta, os trabalhadores lutam, os povos lutam, as massas lutam… É necessário construir uma direção revolucionária que lidere esses processos e leve a classe operária, acaudilhando as massas trabalhadoras, à tomada do poder. É muita coisa? Sim, é… mas será isso ou estaremos perdidos.

A recolonização avança, os povos pobres estão cada vez mais imersos na miséria, os “emergentes” estão endividados por gerações, os do “primeiro mundo” veem acabar, a passos largos, o “Estado de bem estar social” que os mantinha um tanto alheios aos males do capitalismo… Não há nenhum lugar no mundo, não há nenhum trabalhador neste planeta que não sinta, que não viva, que não sofra as consequências de uma economia projetada para o lucro de uns poucos e as necessidades crescentes de todo o resto…

Então? Há muito a ser feito, é difícil… Sim, mas não é impossível. Não temos muito a perder. O Haiti não tem quase nada a perder e, como ele, muitos outros esquecidos que, no mundo, sofrem e sangram em guerras, ocupações, catástrofes e genocídios. O que mais temos que esperar? Comecemos a construir hoje esse futuro que almejamos, para que não haja mais dor no Haiti, nem mais esquecidos no mundo!

Notas:

[1] A Lei Hope (têxteis nos acordos comerciais) suspende as barreiras aos intercâmbios comerciais com os Estados Unidos, nos quais o Haiti não pode decidir o que entra ou não no país. Os Estados Unidos não pagam impostos aduaneiros nem taxas sobre as mercadorias provenientes das maquilas têxteis. Não há controle sobre os produtos norte-americanos, nem sobre seu preço de venda no Haiti. Não há obstáculos ao capital multinacional. Mas há, sim, um compromisso do Haiti de avançar na privatização dos serviços públicos, entre outras medidas. Por isso se diz que a Lei Hope, juntamente com a ocupação militar, selou a transformação do Haiti em uma colônia dos Estados Unidos [N. A.].

[2] O Plano Collier para a Segurança Econômica no Haiti foi projetado pelo professor Paul Collier a pedido do secretário-geral da ONU, e seu relatório foi levado ao país já em 2009 (antes do terremoto). Foi projetado com base nos incentivos comerciais dos Estados Unidos para fornecer um modelo de assistência aos doadores para o Haiti. No caso, quer dizer: prever é dirigir! [N. A.].

Fontes consultadas:

Artigos publicados neste mesmo site: http://litci.org/pt/categoria/mundo/america-latina/haiti/

“Os Clinton tratam o Haiti como se fosse um Estado vassalo de sua propriedade”, Wayne Madsen, Strategic Cultura Foundation, 04/12/2015, em  http://www.aporrea.org/internacionales/a218381.html

“História do Haiti”, em https://www.google.com.ar/?gws_rd=ssl#q=historia+de+haiti

“A Lei Hope” (Haitian Hemispheric Opportunity Through Partnership for Encouragement Act), Dossiê Boletim Político Série II, n.° 2, junho de 2007, http://www.batayouvriye.org/Espanol/posiciones/hope.html

Tradução: Suely Corvacho